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A PONTUAÇÃO ENQUANTO RECURSO LINGUÍSTICO PARA CONSTRUÇÃO DA TEXTUALIDADE.
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Antonia Maria Vieira
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Eliziana Mendonça Machado
Antigamente os livros eram copiados à mão e lidos em voz alta, as marcas eram realizadas
pelo próprio leitor, orientando a sua leitura, objetivando, com isso, pontuar o texto de acordo com
a ideia que queria transmitir ao interlocutor. Atualmente, ainda se observam práticas nas quais os
sinais gráficos são vinculados ao ritmo da fala, prática que tem origem em uma tradição de muitos
séculos atrás.
Numa perspectiva histórica, a pontuação constituiu uma invenção tardia. Os sinais de
pontuação não existiram durante séculos nos textos escritos, assim como as marcas de
segmentação (ROCHA, 1997).
A pontuação é um conteúdo que aparece tardiamente, embora os estudantes sejam
expostos às produções escritas desde os primeiros anos de escolaridade. Isso se dá pelo fato de
alguns professores apresentarem dificuldades em compreender algumas normas acerca do uso dos
sinais, e por não perceberem a pontuação como recurso linguístico para a construção da
textualidade.
Tudo isso torna o ensino da pontuação nas séries iniciais do ensino fundamental uma tarefa
difícil, nas quais alguns educadores se apegam a explicações imprecisas e, muitas vezes,
equivocadas, realizando atividades sobre pontuação de forma descontextualizada, ou seja, em
sentenças isoladas, ou utilizando pequenos textos que não apresentam análises mais aprofundadas
da própria língua, refletindo negativamente na aprendizagem dos estudantes.
Embora tenham surgido com a função primordial de “indicar pausas para respirar” durante
a leitura em voz alta, isto é, durante a oralização dos textos (FERREIRO, 1996; ROCHA, 1997), os
sinais de pontuação atualmente não podem mais ser considerados desse modo. No entanto,
observamos que muitos professores parecem ainda apegados a um estilo oral de pontuar e,
portanto, parecem não perceber a pontuação enquanto recurso sintático.
Nesse mesmo sentido, os próprios livros didáticos utilizados nos anos iniciais do ensino
fundamental trazem explicações pautadas apenas na função prosódica, vinculando dessa forma a
pontuação apenas à oralização da leitura. Juntamente com tais concepções presentes em livros
didáticos, encontramos a desvinculação entre o ensino da leitura e o ensino de gramática,
dificultando a aprendizagem referente aos estilos de pontuação dos autores ou das peculiaridades
dos diferentes gêneros textuais. Tal fato resulta, provavelmente do planejamento de atividades de
reflexão em sentenças isoladas.
As práticas de ensino devem considerar os sinais de pontuação como recursos linguísticos
necessários à construção da textualidade. Como componentes das operações de textualização, os
sinais de pontuação são essencialmente traços de operações de conexão e, sobretudo, de
segmentação do texto escrito (SCHNEUWLY, 1998), contribuindo, desse modo, para a construção
da coesão e da coerência textuais. Dessa forma, são considerados fundamentais na compreensão e
na produção de textos.
Ressaltamos que os sinais de pontuação estão em estreita conexão com os gêneros
textuais. Conforme Rocha (1998) e Leal & Guimarães (2002), cada gênero de texto tem uma
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Graduada em pedagogia pela Universidade Federal do Ceará- UFC- Especialista em Educação Infantil Universidade
Estadual Vale do Acaraú – UVA.
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Mestra em Ciências da Computação pela Universidade Estadual do Ceará - UECE; Especialista em Educação Infantil:
Docência e gestão institucional pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, Psicomotricidade Relacional pela
Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras - FACEL e Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual
Vale do Acaraú – UVA. Email:
[email protected]