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temporariamente"! Teria sido muito errado ensinar aos
discípulos que ele tinha um corpo físico, se no seu modo normal
de existência ele realmente não o possuía.
Caso Jesus quisesse ensinar-lhes que podia
materializar-se e desmaterializar-se à vontade (como Harris
argumenta), ele poderia facilmente ter-se desmaterializado
diante dos seus olhos, de modo que eles pudessem registrar esse
evento com clareza. Ou poderia ter atravessado uma parede
enquanto eles estavam observando, em vez de aparecer
subitamente entre eles. Resumindo, se Jesus e os autores do
Novo Testamento tivessem desejado nos ensinar que o corpo
ressurreto era habitual e essencialmente imaterial, eles poderiam
tê-lo feito, mas em vez disso forneceram muitas indicações
claras de que era normalmente físico e material, apesar de ser um
corpo aperfeiçoado, liberto para sempre de fraqueza, doença e
morte.
58
“... subiu aos céus, está sentado à mão direita de Deus Pai, Todo-Poderoso...”
A Bíblia declara não somente que Jesus ressuscitou, mas que Ele subiu aos céus.
Ou seja, fala de Sua ascensão às alturas, para a presença de Deus (Lc 24:50-53; At 1:6-11;
Mc 16:19; Jo 6:62; 14:2,12; 16:5, 10, 17, 28; 17:5; 20:17). Lá no céu, sua condição é de
exaltação. As Escrituras afirmam que Ele está sentado à direita de Deus (Mt 26:64; At 2:33-
36; 5:31; Ef 1:20-22; Hb 10:12; 1Pe 3:22; Ap 3:21; 22:1). É exatamente isto que é referido
no Credo dos Apóstolos. Mas o que significa esta posição à direita de Deus Pai? O teólogo
reformado Louis Berkhof , dá explicação acerca desta doutrina a qual citamos abaixo:
Estar assentado à destra do rei podia ser apenas um sinal de
honra, 1Rs 2:19, mas também podia denotar participação no
governo e, conseqüentemente, na honra e na glória. No caso de
Cristo, era indubitavelmente uma indicação do fato de que o
Mediador recebeu as rédeas do governo sobre a igreja e sobre o
universo e foi feito participante da glória correspondente. Não
significa que Cristo não tinha sido o Rei de Sião antes desse
tempo, mas, sim, que aí Ele foi publicamente empossado como
Deus e homem e, nesta qualidade, recebeu o governo da igreja,
do céu e da terra, e entrou solenemente na administração real e
concreta do poder a Ele confiado.
59
58
Wayne Grudem, Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 512, 513.
59
Louis Berkhof, Teologia Sistemática. Campinas, LPC, 1998, p 352, 353.