Um movimento de reforma carismática evangélica que usualmente acha suas raízes num irrompimento do
falar em outras línguas em Topeka, Kansas, em 1901, sob a liderança de Charles Fox Parham, que tinha
sido um pregador metodista. Foi Parham quem forneceu a doutrina pentecostal básica da “evidência inicial”
depois de uma estudante na sua Escola Bíblica de Betel, Agnes Ozman, ter experimentado a glossolalia em
janeiro de 1901... Embora o falar em outras línguas tivesse aparecido no século XIX, tanto na Inglaterra
quanto na América do norte, nunca tinha assumido a importância a ele atribuída pelos pentecostais
posteriores. Por exemplo, a glossolalia ocorreu em fins da década de 1830, sob o ministério do presbiteriano
Edward Irving em Londres... Os pentecostais, no entanto, foram os primeiros que deram primazia
doutrinária à prática.
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Este movimento possui como característica peculiar duas doutrinas básicas - Batismo com o Espírito Santo e o
falar em línguas estranhas:
Basicamente, os pentecostais acreditam que a experiência dos 120 no dia do Pentecoste, conhecida como o
“batismo no Espírito Santo”, deve ser normativa para todos os cristãos. A maioria dos pentecostais acredita,
ainda, que o primeiro sinal da “evidência inicial” desse segundo batismo é o falar numa língua
desconhecida para quem fala.
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Entretanto, podemos visualizar outras doutrinas que fazem parte de seu arcabouço de fé: “ênfase nos dons
espirituais, especialmente os mais extraordinários (línguas, profecias, curas); forte emotividade, especialmente nos cultos;
ênfase à pessoa e atividade do Espírito Santo; valorização da figura do líder (o “ungido do Senhor”); preocupação
constante com as forças do mal; e grande ênfase ao conceito de „poder.‟”
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Neopentecostalismo
O movimento pentecostal se espalhou muitíssimo desde o seu início. Contudo, eles não podiam imaginar que o
movimento se tornasse tão amplo a ponto de dar luz a um outro movimento – o neopentecostalismo – que mesmo
semelhante, possui características peculiares:
O neopentecostalismo, entretanto, ao transcender as barreiras denominacionais que o continham em
identificação segura, abraçou, além de todo o corpo de idéias abrigadas no pentecostalismo, vários
ensinamentos próprios – esses nem sempre com respaldo ou analogia bíblica. No neopentecostalismo, é
básica a adesão ao espetacular e extraordinário, como sendo características inerentes ao próprio exercício da
fé cristã, mas essa jornada transdenominacional do neopentecostalismo registra a agregação de outras
peculiaridades doutrinárias, tais como: O culto à prosperidade e a busca ávida dessa, como norma de vida;
A operação de maravilhas que não têm valor intrínseco ou lógico em si (como o riso desenfreado, o cair
pela passagem de um paletó ou o aparecimento de dentes de ouro); A necessidade de identificação das
entidades demoníacas que controlam a vida e os afazeres de uma determinada localidade ou setor
geográfico, como condição básica para se ganhar a batalha espiritual que resultará no crescimento da igreja;
A utilização de formas lingüísticas e chavões que implicitamente possuiriam valor espiritual inerente,
devendo ser utilizados de maneira declaratória, nos cultos e concentrações públicas, como parte desta
batalha espiritual (“eu o amarro!” “declaro esta cidade liberta!”, etc), muitas vezes acompanhadas de
orações pré-fabricadas, apresentadas como poderosas em si; a identificação de doenças e problemas
psicológicos como formas veladas de possessão demoníaca. Nessa visão, todo crente é conclamado a ver
como fenômeno especial sobrenatural problemas que a Igreja sempre tratou como conseqüências naturais
do pecado.
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E também:
Todavia, os grupos neopentecostais distinguem-se da sua matriz ou por darem uma ênfase incomum a
determinados aspectos da herança pentecostal (por exemplo, curas, revelações e exorcismo), ou por
adotarem novas idéias e práticas, muitas delas provindas dos Estados Unidos (como batalha espiritual, o
4
SYNAN, V., “Pentecostalismo” in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Walter A. Elwell, editor. São Paulo, Vida Nova, 2009,
p 131.
5
Ibid., p 131.
6
MATOS, Alderi Souza de. O Desafio do Neopentecostalismo e as Igrejas Reformadas. Fonte: Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew
Jumper. Acessado em 28.07.2007.
7
MATOS, Alderi Souza de.; e outros. Fé Cristã e Misticismo – Uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais. São Paulo, Cultura
Cristã, 2000, p 33, 34.