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Didatismo e Conhecimento
GEOGRAFIA E HISTÓRIA DE RONDÔNIA
riquenhos, italianos, barbadianos, tobaguenses, jamaicanos e
bolivianos. A migração ocorreu com a fixação de nordestinos
procedentes dos estados do Ceará, Bahia, Rio Grande
do Norte e Paraíba, além de amazonenses, paraenses e
matogrossenses. O segundo ciclo da Borracha, iniciado em
1942, funcionou completamente diferenciado do primeiro
e encontrou a região com sua infra-estrutura em fase de
consolidação. Os povoadores dos seringais eram nordestinos,
mas divididos em duas categorias, os seringueiros civis e os
soldados da borracha, estes, incorporados ao Batalhão da
Borracha. Os núcleos urbanos desenvolveram-se. O sistema
de saúde pública melhorou consideravelmente e as ações de
governo estenderam-se para o interior. A geopolítica regional
passa por total transformação tendo em vista a criação do
Território Federal do Guaporé em terras desmembradas dos
estados de Mato Grosso e do Amazonas. Nesse período, as
estações telegráficas da Comissão Rondon funcionavam
como receptores de uma ocupação humana rural-rural,
procedente do Mato Grosso, destinada á pecuária, formando
grandes latifúndios onde funcionavam antigos seringais.
O ciclo do Diamante promoveu mudanças substanciais
na ocupação humana e desenvolvimento dos povoados de
Rondônia (hoje Ji-Paraná) e Pimenta Bueno, enquanto o
ciclo da Cassiterita expandiu a ocupação humana no espaço
físico que compreende as microrregiões de Porto Velho e
Ariquemes. O ciclo da Agricultura, cuja atração migratória
começou desordenadamente em 1964, fixou em Rondônia
contingentes migratórios procedentes do Mato Grosso,
Goiás, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais,
Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará, Acre e do Nordeste,
destacando-se os estados do Ceará, Bahia, Piauí, Paraíba
e Sergipe. As microrregiões formadas pelos municípios
de Vilhena, Pimenta Bueno e Rolim de Moura, receberam
migrantes mato-grossenses, gaúchos e paranaenses, em sua
maioria. As microrregiões formadas pelos municípios de
Cacoal, Presidente Médice e Ji-Paraná, recebem gaúchos,
paranaenses, paulistas, e nordestinos, em sua maioria.
Migrantes capixabas, paranaenses, mineiros e baianos
formam a maioria dos que se fixaram nas microrregiões de
Ouro Preto, Jaru e Ariquemes. As regiões de Porto Velho e
Guajará-Mirim receberam povoadores, mas em menor escala
e de categorias diferentes, considerando-se que o ciclo da
Agricultura atraiu, em princípio, uma migração rural-rural,
para, em seguida, fixarem-se migrantes de características
rural-urbana
- Os municípios rondonienses localizados na faixa
da fronteira boliviana são: Guajará-Mirim, Nova Mamoré,
Costa Marques, Alta Floresta do Oeste, São Francisco do
Guaporé, Alto Alegre dos Parecis, , Pimenteiras do Oeste e
Cabixi.
Divisão geopolítica: o estado de Rondônia é formado
por 52 municípios e 57 distritos.
Municípios Rondonienses Guajará-Mirim, Nova
Mamoré, Porto Velho, Candeias do Jamary, Itapuã do
Oeste, Alto Paraíso, Monte Negro, Buritis, Campo Novo de
Rondônia, Rio Crespo, Cujubim, Ariquemes, Cacaulândia,
Machadinho do Oeste, Vale do Anari, Theobroma,
Governador Jorge Teixeira, Jaru, Vale do Paraíso, Nova
União, Mirante da Serra, Teixeirópolis, Ouro Preto do Oeste,
Ji-Paraná, Presidente Médice, Urupá, Alvorada do Oeste, São
Miguel do Guaporé, Seringueiras, São Francisco do Guaporé,
Costa Marques, Nova Brasilândia do Oeste, Novo Horizonte
do Oeste, Castanheiras, Alta Floresta do Oeste, Alto Alegre
dos Parecis, Santa Luzia do Oeste, Rolim de Moura,
Ministro Andreazza, Cacoal, Espigão do Oeste, Primavera
de Rondônia, São Felipe d’Oeste, Parecis, Pimenta Bueno,
Chupinguaia, Colorado do Oeste, Corumbiara, Cerejeiras,
Pimenteiras do Oeste, Cabixi e Vilhena.
Dois municípios rondonienses estão entre os 15
municípios brasileiros que obtiveram as maiores taxas
nacionais de médias de crescimento populacional. Buritis,
com 29,09% e Campo Novo de Rondônia com 23,20%.
CRIAÇÃO DO ESTADO DE RONDÔNIA E
PROCESSOS DE POVOAMENTO. NÚCLEOS DE
POVOAMENTO
Entre as fases de desenvolvimento do estado de Rondônia
podemos destacar a descoberta de ouro no rio Corumbiara,
no século XVIII; a conquista e o povoamento dos vales do
Guaporé, Mamoré e Madeira; a construção do Real Forte
do Príncipe da Beira, no período colonial; o Primeiro e
o Segundo Ciclos da Extração de Látex; a construção da
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a descoberta de minério
de estanho (cassiterita) em 1952. O período mais expressivo
do desenvolvimento regional ocorreu a partir da abertura da
BR 364, e com implantação de projetos de colonização, pelo
Governo Federal, através do INCRA.
Buscamos, de forma simples, apresentar como ocorreu a
ocupação do espaço regional, que tem início no século XVIII,
com a fundação da aldeia de Santo Antônio, pelo padre
jesuíta João Sampaio, na primeira cachoeira do rio Madeira,
sentido foz-nascente. Posteriormente as descobertas de ouro
nos afluentes da margem direita do rio Guaporé despertaram
interesses na Coroa Portuguesa pela posse da terra, portanto,
em 1748, funda a capitania de Mato Grosso, cujos limites
abrangiam a maior parte das terras do atual estado de
Rondônia.
Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, considerado o
primeiro governador da capitania de Mato Grosso (1751-
1764), iniciou uma política de povoamento e fundação de
feitorias ao longo dos rios Guaporé e Madeira e construiu
o Forte de Conceição que foi substituído pelo Real Forte
do Príncipe da Beira. Nesse mesmo período, iniciou-se a
exploração fluvial do rio Madeira e seus afluentes Mamoré e
Guaporé, pela Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará
e Maranhão, que utilizava essa rota fluvial com exclusividade
para o abastecimento das minas de ouro dos afluentes do rio
Guaporé e da capital da capitania de Mato Grosso (Vila Bela
da Santíssima Trindade).