Sociologia - Jean Paul Sartre - Vida e Obra

skarson60 3,070 views 16 slides May 06, 2012
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Jean-PaulSartre –VidaeObra
“AFilosofiaapareceaalgunscomoummeiohomog êneo:os
pensamentosnascemnele,morremnele,ossistemasneleseedificam
paraneledesmoronar.Outrosconsideram-nacomocertaatitudecuja
adoçãoestariasempreaoalcancedenossaliberdade.Outrosainda,
comoumsetordeterminadodacultura.Anossover,aFilosofian ão
existe;sobqualquerformaqueaconsideremos,essasombrada
ciência,essaemin ênciapardadahumanidaden ãopassadeuma
abstra çãohipostasiada. ”
OtextoacimaconstituiaslinhasiniciaisdolivroQuest ãodeM étodo,
escrito,paradoxalmente,porumhomemquejamaisdeixoudefazer
detodososmomentosdesuavidaumapermanentereflex ãosobreos
problemasfundamentaisdaexist ênciahumana.
Jean-PaulSartrenasceuemParis,nodia21dejunhode1905.Opai
faleceudoisanosdepoiseam ãe,Anne-MarieSchweitzer,mudou-se
paraMeudon,nosarredoresdacapital,afimdevivernacasade
CharlesSchweitzer,av ômaternodeSartre.Sobreamortedopai,
escrever ámaistarde: “Foiummal,umbem?N ãosei;massubscrevo
debomgradooveredictodeumeminentepsicanalista:n ãotenho
Superego ”.
Sejacomofor,talvezaaus
ênciadafigurapaternaemsuavidapossa
explicarporqueSartresetornouumhomemradicalmentelivre,
tomadaaexpress ãonosentidoqueelelhedar áposteriormente:n ão
existeumanaturezahumana, éoprópriohomem,numaescolhalivre
porém“situada ”,quemdeterminasuapr ópriaexist ência.

Outrotra çomarcantenaforma çãodeSartrefoiaimagina çãocriativa,
alimentadapelaleituraprecoceeintensiva: “...porterdescobertoo
mundoatrav ésdalinguagem,tomeidurantemuitotempoalinguagem
pelomundo.Existirerapossuirumamarcaregistrada,algumaporta
nastábuasinfinitasdoVerbo;escrevereragravarnelaseresnovosfoi
aminhamaistenazilus ão,colherascoisasvivasnasarmadilhasdas
frases... ”Comoconseq üência,aosdezanosdeidadequistornar-se
escritoreganhouumam áquinadeescrever.Seriaseuinstrumentode
trabalhoportodaavida.
Em1924,aosdezenoveanosdeidade,Sartreingressounocursode
filosofiadaEscolaNormalSuperior,onden ãofoialunobrilhante,mas
muitointeressado,especialmentepelasaulasdeAlain(1868-1951),
quededicavaaten çãoparticular àdiscuss ãodoproblemada
liberdade.NaEscolaNormal,SartreconheceuSimonedeBeauvoir
(1908-1986), “umamo çabem-comportada ”quelheafirmou: “Aparti
rdeagora,eutomocontadevoc ê”.Desdeent ão,nuncamaisse
separaram.
Terminadoocursodefilosofia,em1928,Sartretevedeprestaro
serviçomilitareofezemTours,nafun çãodemeteorologistaDepois
dissoobteveumacadeiradefilosofianumaescolasecund áriado
Havre,cidadeportu ária.Nessa épocaescreveuumromance,ALenda
daVerdade,recusadopeloseditores.Em1933,passouumanoem
Berlim,estudandoafenomenologiadeEdmundHusserl(1859-1938),
asteoriasexistencialistasdeHeideggereKarlJaspers(1883-1969)e
afilosofiadeMaxScheller(1874-1928).Apartirdessesautores,Sartre
foilevadoaobrasdeKierkegaard(1813-1855).Apoiadonessas

referênciasprincipais,Sartreelaborousuapr ópriavers ãodafilosofia
existencialista.
NaAlemanha,Sartreiniciouareda
çãodeMelancolia,romancemais
tardeconclu ídoeintituladoAN áusea.Devolta àFrança,publicou,em
1936,AImagina çãoeATranscend ênciadoEgo,trabalhosmarcados
porforteinflu ênciadafenomenologia.Em1938,foieditadaAN áusea.
Umanodepois,umacolet âneadecontos,OMuro,eoensaioEsbo ço
deumaTeoriadasEmo ções;em1940,maisumensaio,OImagin ário,
que,comooanterior,utilizavaom étodofenomenol ógico.
O“engajamento ”existencialista
AoestouraraSegundaGuerraMundial,Sartrefoiconvocado
paraservircomometeorologistanaLorena.Emjunhode1940,caiu
prisioneiroefoiencerradonocampodeconcentra çãodeTrier,
Alemanha.Cercadeumanomaistarde,conseguiuescapare,na
primaverade1941,encontrou-se,emParis,comSimonedeBeauvoir.
EmParis,SartrefundouogrupoSocialismoeLiberdade,afimde
colaborarcomaResist ência,produzindopanfletosclandestinoscontra
aocupa çãoalem ãecontraoscolaboracionistasfranceses.Emmar ço
de1943,encenousuaprimeirape çateatral,intituladaAsMoscas,uma
lendagrega,segundooprograma.Naverdade,todososelementosda
peçafuncionavamsimbolicamente:oreinodeAgamen ãoeraaFran ça
ocupada;Egisto,ocomandoalem ãoquedepusera ásautoridades
francesas;Clitemnestra,oscolaboracionistas;apragadasmoscas,o
medodesetorescadavezmaisamplosdapopula ção;ogestofinalde

Orestes,eliminandoapragadasmoscas,umaexorta çãoàlutacontra
osalem ães.
Nomesmoano,Sartrepublicouumvolumosoensaiofilos
ófico,
iniciadoem1939:OSereoNada,obrafundamentaldateoria
existencialista.Em1945,umanovape çateatral,EntreQuatro
Paredes,p õeemcenapersonagensquevivemosdramasexistenciais
abordadosporSartrenasobraste óricas.Osromancesqueescreveu
namesma épocafazemomesmo:AidadedaRaz ão,Sursis,Coma
MortenaAlma.
TerminadaaSegundaGuerraMundial,em1945,Sartredissolveuo
movimentoSocialismoeLiberdade,porcorresponderapenasauma
necessidadedaResist ência,efundouarevistaOsTemposModernos,
juntamentecomMerleau-Ponty(1908-1961),RaymondAron(1905-
1983)eoutrosintelectuais.Narevistaapareceramostrabalhosmais
diversos,colocandoeanalisandoosprincipaisproblemasda época,
semqualqueresp íritosect ário.
Em1946,diantedascr
íticasàsuafilosofiaexistencialista,expostaem
OSereoNada
,SartrepublicaOExistencialismo éumHumanismo,
ondemostraosignificado éticodoexistencialismo.Nomesmoano,
publicatamb émduaspe ças,MortossemSepulturaeAProstituta
RespeitosaeoensaioReflex õesSobreaQuest ãoJudaica,onde
defendeatesedequeaemancipa çãodosjudeuss óserápossível
numasociedadesemclasses.Em1948,encenaAsM ãosSujase,tr ês
anosdepois,ODiaboeoBomDeus.Noplanodaa çãopolítica,
políticaessa épocamarcaaaproxima çãodeSartredoPartido
Comunista,aoqualacabaporfiliar-se,em1952.Ainterven ção
soviéticanaHungria,em1956,leva-o,por ém,arompercomoPartido

eescreverumartigo,OFantasmadeSt álin,noqualexplicasua
posição,emfacedosdesviosdoesp íritodomarxismoporpartedas
autoridadessovi éticas.
Nosanosseguintes,Sartrecontinuariasendo,aomesmotempo,um
homemdea çãoedepensamento.Em1960,publicaumextenso
trabalho,ho,aCr íticadaRaz ãoDial ética,precedidoidopeloensaio
Quest ãodeM étodo,nosquaisseencontramreflex õesnosentidode
uniroexistencialismoeomarxismo.Aobraliter áriatamb émnão
cessaenomesmoano éestreadaape çaSeq üestradosdeAltona,
cujotema éoproblemadocolonialismofranc êsnaArg élia,emboraa
açãotranscorranaAlemanhanazista.Ointeressepeloproblema
argelinoliga-se,emSartre,aosproblemasmaisgeraisdoTerceiro
Mundo.ViajaparaCubaeparaoBrasil(1961)ev ênoconflito
vietnamitaumalargamento “docampodoposs ível”porpartedos
revolucion áriosvietcongs.
Em1964,surpreendeseusadmiradorescomAsPalavras,an
álisedo
significadopsicol ógicoeexistencialdesuainf ância.Nomesmoano é-
lheatribu ídooPr êmioNobeldeLiteratura,maseleorecusa.Receber
ahonrariasignificariareconheceraautoridadedosju ízes,oque
considerainadmiss ívelconcess ão.
AcarreiraLiter
áriadeSartrepareciaamuitoster-seencerradocomAs
Palavras.Em1971,por ém,Sartresurpreendedenovoseup úblico,
comaprimeirapartedeumextensoestudosobreFlaubert,L'Idiotde
Famille.

Itineráriodopensamentosartreano
Dopontodevistaestritamentefilos
ófico,oitiner áriodopensamentode
Sartreinicia-secomATranscend ênciadoEgo,AImagina ção,Esbo ço
deumaTeoriadasEmo çõeseOImagin ário,publicadosentre1936e
1940.Nelesencontram-seaplica çõesdom étodofenomenol ógico
formuladoporHusserl,aomesmotempoqueoautorseafastado
mestreechegaacriticaralgumasdesuasposi ções.Masaobrana
qualseencontraafilosofiaexistencialistaquecelebrizouSartre éO
SereoNada.
OSereoNadasubintitula-seensaiodeontologiafenomenol
ógica,o
quedesdeoin íciodefineaperspectivametodol ógicaadotadapelo
autoraAabordagempropostapretenden ãoconfundiroobjetivodo
livrocomasmetaf ísicastradicionais.Estassemprecontrastaramsera
aparência,ess ênciassubjacentes àrealidadeefen ômenos,oque
estariaatr ásdascoisaseaspr ópriascoisascomosuas
manifesta ções.Aontologiafenomenol ógicasuperariaessadualidade
peladescri çãodosercomoaquiloquesed áimediatamente,ouseja,
nãopropondoexplicaraexperi ênciahumanaporrefer ênciaauma
realidadeextrafenomenal.Nessesentido,aontologiafenomenol ógica

seriaid ênticaaoutrasesp éciesdedescri çõesfenomenol ógicas,como
asqueopr óprioSartrerealizoucomrela çãoàsemo çõeseao
imagin ário.ParaSartre,odualismodesereparecern ãotemmais
“direitodecidadanianafilosofia ”.Oserdeumexistentequalquerseria
precisamenteaquiloquepareceen ãoexistiriaoutrarealidadeforado
fenômeno: “Ofen ômenopodeserestudadoedescritoenquantotal,
poisele éabsolutamenteindicativodesimesmo ”.Isson ãoquerdizer
queofen ômenon ãosejaverdadeiramenteumser.ParaSartre,oser
dofen ômeno épostopelapr ópriaconsci ênciaeestatemcomocar áter
essencialaintencionalidade.Emoutrostermos,aconsci ênciavisaa
umobjetotranscendente,implicando,portanto,aexist ênciadeumser
não-consciente.Poder-se-iaent ãoconcluirqueexistemdoistiposde
ser:oser-para-si(consci ência)eoser-em-si(fen ômeno).
Doser-em-sisomentesepodedizerqueele “éaquiloque é”.Isso
significaqueo “ser-em-si éopacoparasimesmo ”,nemativonem
passivo,semqualquerrela çãoforadesi,n ãoderivadodenada,nem
deoutroser:oser-em-sisimplesmente é.Daíocaráterdeabsurdo
queoser-em-sicarregacomosuadetermina çãofundamental.A
densidadeopaca,oabsurdodoser-em-siprovocarianohomemomal-
estar,queSartredenominan áusea.
ParaSartre,oser-para-si,aconsci
ência, éradicalmentediferente,
definindo-se “comosendoaquiloquen ãoéenãosendoaquiloqueele
é”.Enquantooser-em-si éinteiramentepreenchidoporsimesmoe
semnenhumvazio,aconsci ência éconstitu ídaporuma
descompress ãodoser.Aconsci ênciaépresen çaparasimesma,o
quesup õequeumafissuraseinstaladentrodoser.Essafissura,ou
descolamento, éamarcadonadanointeriordaconsci ência.Onada é

um“buraco ”medianteoqualseconstituioser-para-si,eofundamento
donada éoprópriohomem: “medianteohomem équeonadairrompe
nomundo ”.
Oser-para-siconteria,portanto,umaaberturaeseriaprecisamente
essaaberturaarespons ávelpelafaculdadedopara-sinosentidode
semprepoderultrapassarseuspr óprioslimites.Enquantooser-em-si
permaneceriafechadodentrodesuaspr ópriasfronteiras,oser-para-si
ultrapassar-se-iaperpetuamente,eessepoderdetranscend ência
seriaexpressoatrav ésdasformasdotempo.Emoutrostermos,oser-
para-siseriaumserparaofuturo,seriaespontaneidadecriadora.
SegundoSartre,otempo étambémexpress ãodemisturaentreoem-
sieopara-sieessamisturaconstituiaexist ênciahumana.Dentro
dessaperspectiva,opassadon ãoexiste,an ãoserenquantoligado
aopresente;todoindiv íduopodeafirmar:eusoumeupassadoeno
momentodeminhamorten ãosereimaisdoqueomeupassadoque,
agora, émeupresente.Opassado,pensaSartre, éamarcadoem-si.
Enquantoohomem éconscientedesimesmo,nopresente,elevive
segundoomododopara-si;contudo,oseupassadotemtodasas
caracter ísticasdoem-si.Damesmaformacomoocorpohumanodas
sereiasterminaemcaudadepeixe,aexist ênciahumanaconstitui-se,
sobretudo,pelaespontaneidadedaconsci ência,masencontraatr ás
desiumserquetemtodaafixidezdeumacoisaqualquerdomundo.
Apesardisso,afirmaSartre,n ãoépossívelvernaconsci ênciaalgo
distintodocorpo:Esten ãoéumacoisaqueseligaexteriormente à
consci ência;pelocontr ário,éconstitutivodapr ópriaconsci ência.A
consci ênciaé,estruturalmente,intencionale,portanto,rela çãocomo
mundo;ocorpoexprimeaimers ãonomundo,caracter ísticada

existênciahumana.Ocorpo éumcentro,emrela çãoaoqualse
ordenamascoisasdomundoe,porisso,constituiumaestrutura
permanentequetornaposs ívelaconsci ência.Sartrevaimaislonge
emsuainterpreta ção,dizendoqueocorpo éaprópriacondi çãoda
liberdade.N ãoexisteliberdadesemescolhaeocorpo éprecisamente
anecessidadedequehajaescolha,isto é,dequeohomemn ãoseja
imediatamenteatotalidadedoser.Ocorpo é,porconseguinte,tanto
acondi çãodaconsci ênciacomoconsci ênciadomundo,quanto
fundamentodaconsci ênciaenquantoliberdade.
Dramasdaliberdade
Ateoriasartreanadoser-para-siconduzaumateoriadaliberdade.O
ser-para-sidefine-secomoa çãoeaprimeiracondi çãodaa çãoéa
liberdade.Oqueest ánabasedaexist ênciahumana éalivreescolha
quecadahomemfazdesimesmoedesuamaneiradeser.Oem-si,
sendosimplesmenteaquiloque é,nãopodeserlivre.Aliberdade
provémdonadaqueobrigaohomemafazer-se,emlugardeapenas
ser.Desseprinc ípiodecorreadoutrinadeSartre,segundoaqualo
homem éinteiramenterespons ávelporaquiloque é;nãotemsentido
aspessoasquererematribuirsuasfalhasafatoresexternos,comoa
hereditariedadeouaa çãodomeioambienteouainflu ênciadeoutras
pessoas.Poroutrolado,aautonomiadaliberdade,enquanto
determina çãofundamentaleradicaldoser-para-si,valedizerdo
homem,fazdadoutrinaexistencialistaumafilosofiaqueprescinde
inteiramentedaid éiadeDeus.Sartretiratodasasconseq üências
desseate ísmo,eliminandoqualquerfundamentosobrenaturalparaos

valores: éohomemqueoscria.Avidan ãotemsentidoalgumantese
independentementedofatodeohomemviver;ovalordavida éo
sentidoquecadahomemescolheparasimesmo.Ems íntese,o
existencialismosartreano éumaradicalformadehumanismo,
suprimindoanecessidadedeDeusecolocandoopr ópriohomem
comocriadordetodososvalores.
Aoladodasan
álisesvolumosaserigorosamentet écnicasdeOSere
aNada,nasquaisseencontraexpostaafilosofiaexistencialista,
Sartreexpressouseupensamentoatrav ésdev áriasobrasIliter árias,
queocolocamcomoumdosmaioresescritoresdos éculoXX.Nelas
encontram-setodosostemasfundamentaisdesuaconcep çãodo
homem,realrealizadosnoplanoconcretodaspersonagens,suas
açõesesuassitua çõesexistenciais.
AntoineRoquentin,personagemprincipaldeAN
áusea(1938),vive
sozinho,semamigos,semamante,nadalheimportando,nemos
outroshomens,nemelemesmo;omundoparaelen ãotemnenhuma
razãodesere éabsurdoporquecompostodeseresem-si:acidade,o
jardim,as árvores.
PabloIbietta,republicanoespanhol,personagemcentraldeOMuro,
viveumadas “situações-limite ”descritasporSartre:momentosde
intensifica çãodeconflitossociaiseindividuais,quandoohomem é
obrigadoafazerumaescolhaeafirmarsualiberdaderadical.Pablo
Ibietta,presoetorturadopelosfascistasdeFranco,v êpostas àprova
asvirtudesdacoragem,fidelidadeesangue-frio.Opr óprioSartre
viveuumadessas “'situações-limite ”,quandopresonumcampode
concentra çãonazista,em1940,doqualconseguiufugir,fazendosua
escolha:participardaresist ênciaaoinvasoralem ão.

Oproblemadaa çãoedaliberdadeconstituiotemadatrilogiade
romancesOsCaminhosdaLiberdade.Noprimeiro,AIdadedaRaz ão
(1945),asquest õesindividuaispredominam,ahist óriaeapol íticasão
panosdefundo.MathieuDelorme,jovemprofessordefilosofia,
procuraaliberdadepura,semcompromissodequalqueresp écie;
Brunet,aocontr ário,personificaaren únciadaliberdadepessoalem
favordoengajamentopol ítico;Danielilustraatesegideanada
liberdadecomoatogratuito,semqualquermotivo;Jacquesabandona
ossonhosjuvenisdeliberdadeparacasar-se,terumtrabalho,viver
umavida “regular ”.Nosegundovolumedatrilogia,Sursis(1945),os
acontecimentospol íticosrevelamqueosprojetosdevidaindividuais
são,naverdade,determinadospelocursodahist ória,tornando-se
ilusóriaabuscadaliberdadenumplanopuramentepessoal:a
liberdade ésemprevivida"emsitua ção"erealizadanoengajamento
deprojetosvoltadosparainteresseshumanoscomunit ários.Apenas
umcompromissocomahist óriapodedarsentido àexistência
individual.EmComaMortenaAlma(1949), últimoromanceda
trilogia,trilogia,Mathieuilustraatesedoengajamentogratuito;ele
arriscaapr ópriavidaapenaspararetardaralgumashorasainvestida
dastropasalem ãs.
Outrasobrasliter
áriasdeSartreilustramastesesexistencialistas.
Canoris,personagemdape çaMortossemSepultura(1946), éum
homemdea ção,prontoparaenfrentaramortepelacausada
liberdade.Hugo,nasM ãosSujas(1948), éumintelectualdaclasse
média,engajadonoPartidoComunista,n ão“porconvic ção”maspara
satisfazersuanecessidadedea ção.Nape çaODiaboeoBomDeus
(1951),Goetz éumnobredaIdadeM édiaqueabandonaseus

privilégiosparafazerobemaoscamponeses.Inspiradosnesse
exemplo,oscamponesesrebelam-secontratodosossenhores
feudaiseempregamaviol ência.Goetzacabaporconcluirque,para
transformaromundo,aviol ência, àsvezes, énecess ária;épreciso
“terasm ãossujas ”,paracombateraopress ão;oBemabstratoe
sobrenaturalnadaconseguerealizar,s óoprópriohomem écriadorde
sualiberdade.
Existencialismoemarxismo
Ohomemenquantoser-em-situa
ção,anecessidadedeengajamento,
aresponsabilidadepessoalportodasasa çõeseprojetosdevidae,
sobretudo,aliberdadecomoraizfundamentaldapessoahumanas ão
ascoordenadasdopensamentoexistencialistadeSartre.Asobras
puramentete óricasexp õemseusfundamentosfilos óficos,eoteatro,o
romanceeocontorevelamconcretamenteessasid éias.Poroutro
lado,apr ópriavidadoautor,principalmentedepoisde1940,quando
passouaparticiparativamentedosacontecimentospol íticosdeseu
tempo,tamb émétestemunhodesuasteses.
Asposi çõesfilos óficasiniciaisdeSartresofreramtransforma ções,à
medidaqueofil ósofobuscouinseriroexistencialismonuma
concep çãomaisampla.Essastransforma çõesderivaram,porumlado,
dopr óprioexistencialismosartreano,queconstituiumafilosofia
“aberta ”,e,poroutro,doengajamentosocialepol íticodofil ósofo.Do
pontodevistadafundamenta çãoteórica,essanovaconcep çãode
Sartreencontra-seemQuest ãodeM étodoeCr íticadaRaz ão
Dialética,publicadasem1960.

Nessasobras,oproblemafundamentalcolocadopeloautor ésaberse
épossívelconstituirumaantropologiaaomesmotempoestruturale
histórica.Emoutrostermos,oobjetivovisadoporSartre ésaberseh á
possibilidadedesereencontrarumacompreens ãounitáriadohomem,
paraal émdasv áriasteorias,dasv áriastécnicas,dasv áriasci ências
queoinvestigam.Sartre,contudo,n ãopretendeinventaressenovo
saberdohomem.N ãosetratadeopor àtradiçãoumanovafilosofia,
capazdefornecersolu çõesparaosproblemasqueasantigas
doutrinassobreohomemn ãoconseguiramresolveraEssenovosaber
jáexistesegundoSartreecirculaanonimamenteentreoshomens:o
marxismo.Omarxismo,paraSartre, éafilosofiainsuper áveldos éculo
XX,“éoclimadenossasid éias,omeionoqualestassenutrem...a
totaliza çãodosabercontempor âneo”,porquerefleteapr áxisquea
engendrou.Namesmalinhadeid éias,Sartreafirmaque,depoisda
mortedopensamentoburgu ês,omarxismo é,porsis ó,“acultura,
poiséoúnicoquepermitecompreenderasobras,oshomenseos
acontecimentoimentos ”.
Sartre,contudo,n
ãoquersereferiraomarxismooficial,tampouco
pretenderevisarousuperarasobrasdeMarx,poisparaeleo
marxismosupera-seasimesmo,sendoumafilosofiaque,porconta
própria,seadapta àstransforma çõessociais.Poroutrolado,tamb ém
nãopretendevoltaraomaterialismodial éticopuroesimples,poiseste
–pensaSartre –nãoconseguiudarcontadasci ências,que
permanecemaindanoest ágiopositivista.Tamb émnãosetratado
materialismohist óricoexclusivamente.Separaromaterialismo
dialéticodomaterialismohist óricoconstituiriaumadivis ãoartificialdos

domíniosdosaberecontrariariaoesp íritodomarxismo,quepretende
serumprojetodetotaliza çãodoconhecimento.
Dentrodaconcep çãosartreanadequeomarxismoconstituia
“filosofiadenossotempo ”,oexistencialismo éconcebidocomo “um
territórioencravadonopr ópriamarxismo ”que,aomesmotempo,o
engendraeorecusa.OmarxismodeSartre é,assim,ummarxismo
existencialista,dentrodoqualoexistencialismoseriaapenasuma
ideologia.Umsegundoaspectodesuadoutrinaconsistirianomodo
peloqualSartreprocuraresolveroproblemadasrela çõesmateriaisde
produ ção,atrav ésdoprojetoexistencial.Oquen ãosignificaquese
tratedeumexistencialismotingidodemarxismo,postoqueo
existencialismoesteja “encravado ”nomarxismo.Significaantesque,
seosaber émarxista,sualinguagempodeseralinguagemdo
existencialismo.Aoafirmarqueomarxismo “éafilosofiainsuper ável
denossotempo ”,Sartren ãofazdelaumafilosofiaeterna.Arigor
afirma,omarxismodever ásersuperadoquandoexistir “paratodos
umamargemdeliberdaderealal émdaprodu çãodavida ”.Pode-se
imaginar,nofuturo,numuniversodeabund ância,umafilosofiaque
sejaapenasumafilosofiadaliberdade;masaexperi ênciaatualn ão
permitesequerimagin á-la.
Cronologia
1905
–Jean-PaulSartrenasceemParis,a21dejunho.
1907 –Mortedeseupai:Mudaseparaacasadaav ómaterna,em
Meudon;retornaaParisquatroanosdepois.

1917 –Emnovembro,oscomunistasconquistamopodernaR ússia.
1922 –Mussolini,naIt ália,instauraoregimefascista.
1924 –Sartrematricula-senaEscolaNormalSuperior,emParis.
ConheceSimonedeBeauvoir.
1931
–ÉnomeadoprofessordefilosofianoHavre.
1933 –HitlerinstauraoregimenazistanaAlemanha.
1936 –SartrepublicaAImagina çãoeATranscend ênciadoEgo.
1938 –PublicaAN áusea.
1939
–EclodeaSegundaGuerraMundial.
1940 –Servindonaguerra,Sartre éfeitoprisioneiropelosalem ãese
enviadoaumcampodeconcentra ção.
1941
–Liberto,voltaaFran çaeentraparaaResist ência.Fundao
movimentoSocialismoeLiberdade.
1943
–PublicaOSereoNada.
1945
–FimdaSegundaGuerraMundial.SartredissolveSocialismoe
Liberdadeefunda,comMerleau-Ponty,arevistaLesTemps
Modernes.
1952
–SartreingressanoPartidoComunistaFranc ês.
1956 –RompecomoPartidoComunista.EscreveOFantasmade
Stálin.
1960
–SartrepublicaCr íticadaRaz ãoDial ética.
1964 –PublicaAsPalavras.RecusaoPr êmioNobeldeLiteratura.
1968 –DurantearevoltaestudantilnaFran çaeemv áriaspartesdo
mundo,Sartrep õe-seaoladodosestudantesnasbarricadas.
1970 –Sartreassumesimbolicamenteadire çãodojornalesquerdista
LaCausedePeuple,emprotesto àprisãodeseusdiretores.
1971 –PublicaOIdiotadaFam ília.

1973 –Colaboranafunda çãodojornallibert árioLib értacion.
1980 –MorreJean-PaulSartre.
Bibliografia:
SARTRE
–OsPensadores –Ed.Abril –Consultoria:MarilenaChau í
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