Campanha da fraternidade 2017 texto base - biomas brasileiros

AfonsoMurad 11,339 views 69 slides Feb 22, 2017
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About This Presentation

Texto base oficial da Campanha da Fraternidade 2017. Material imprescindível para uso de escolas, paróquias, pastorais e movimentos. Versão gratuita, que recebi da internet.


Slide Content

LIVROS |
‘MANUAL + TEXTO-BASE + CIR¢ BÍBLICOS.
ENCONTROS CATEQUETICOS PARA! 'E ADOLESCENTES
ENSINO FUNDAMENTAL [E IL « ENSI TO « JOVENS NA CF
FAMILIAS NA CF E VIA-SACRA® VIA-SACRA
CELEBRACAO ECUMENICA + FRATERNIDADE VIVA
VIGILIA EUCARÍSTICA E CELEBRAGAO DA MISERICÓRDIA.

OUTROS MATERIAIS
FOLHETOS QUARESMAIS + CDE DVD + ADESIVOS + CAMISETA.
CARTAO POSTALCOM ORACAO + BANNER » CARTAZ

DOMAINE CANTANSADA PRATERNIDADE 2017 HERMAN

FRATERNIDADE:

BIOMAS BRASILEIROS E DEFESA

|!

Cultivar e guardar

a criagäo ras G >

Enz aaa arcas

Campanha da Fraternidade 2017
Cartaz

À Campana da Fraternidade apresenta para 2017 o tema "Frater-
nidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema: “Cultivar e guar-
dara criagio” (Gn 2,15).

Para colocar em evidencia a beleza natural da diversidade do nosso
país e para identificar os seis biomas brasileiros, o cartaz mostra 0
mapa do Brasil, em imagens características de cada regito: Amazönia,
Cerrado, Caatinga, Mata Atlántica, Pantanal e Pampa.

Compôem também o cenário, como personagens principais, os
povos originários, primeiros habitantes dos biomas; os pescadores,
simbolizando o trabalho e o encontro da imagem de Nossa Senhora
Aparecida, Padrocira do Brasil, acontecido há 300 anos; e o povo
brasileiro em sua relaçäo com a natureza.

Além da riqueza dos biomas, o cartaz quer expressar o alerta para
os perigos da devastaçäo em curso, em nome de um desenvolvimento
que visa unicamente o lucro.

O cartas pretende também despertar a atençäo de toda a popula
io para a maravilha da obra criadora de Deus, e convocar os cristáos
e as pessoas de boa vantade an comprometimento com o “Cultivar e
guardara criagäo” (Gn 2,15), nossa “casa comun".

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017

Lema: “Cultivar e guardar o criagáo” (Gn 2,1
Tema: “Fraternidode: biomas brasileiros e deleso de vida”

Conferáncio National dos Bispos do Brasil (CNBB)

Brasilia — DF

Diretor Gerck:
Mons, Jamil Alves de Souza
Revisä:

Leticia Figueiredo

Carter da CF 2017:

Agéncia ARCANIO

Projeto Grafica:

Henrique Bilygron do Sila Santos.
Diagromariio:

Comite de Almeida Martins

cerdo

Impressäs a acobamento:
Gráfica Ipironge

Edigöes CNBB

SE/Sul Quadra 801, Conjunto "B”

CEP: 70200014

Fone: 0800 940 3019 / (61) 2193-2019
Fax: (61) 2193-3001
vendas@edicoescnbb com br

vw. edicossenbb.com.be

Hi CNAB Coen Noir os Esposo Bes Camporhe de Friend 2017 Tao
“Base Bri, Edito CMBR 2018

Campe ta de rmidede 2017: soe CNEA,
pe lai en
SRE 928 RS 79726087

Bodiwnicodo Camparha d teniendo:
2 Devos do Bone = Carode = Conan Cr
igre Arerinin = Teco Fos:

emu 266.1

LISTA DE SIGLAS

APRESENTAÇAO

INTRODUÇAO
Objetivo geral …

Objetivos especificos

Algreja no Brasil e o cuidado da casa comum ........ "7
A história dos temas coligados com a CF 2017.20
CAPÍTULO I - VER. = B
1. Os biomas brasilelros. Ber:
1.1. Bioma Amazénia. ia 23
1.1.1.Localizagäo je 24

1.12 Careteriticasnetras~biciversidade |
1.1.3.05 povos originários e a cultura — sociodiversidade............27

1.1.4.4 beleza, as fragilidades e os desatios do bioms Amazén'a 28
1.1.5.Contextualizacáo política...
1.1.6.Contribuicáo eclesial...

1.2.Bioma Caatinga
1.21 Localize 80 on 2
1.2.2.Caracteriscas naturals bodhe side...
1.2.3.0 povos originarios e a cultura — sociodiversidade un
1.244 beleza, as hragtidades e os desefios do bioma Caatirga.. 34
1.2.5.Contextualizaczo política.
1.2.6.Contibuicáo ecesial

1.3.Bioma Cerrado …… 39
1.3.LLocalizacdO … 7 39
1.3.2.Caractersicas do Cerrado... “0

40

1.3.3.Cerrado — “Caixa d'água do Brasil".
1.3.4 8iodiversidade.
1.3.5.05 povos origináros e a cultura — Tor
1.3.6.8 beleza, as fraglidades e os desafios do bioma Cerrado... 44
13.7 Realidade política e os desafios do Cenado ...
1.3.8 Contibuicño eclesial

1.4. Bioma Mata Atlántica
1.4.1 Localizacae .
1.4.2.Caracterísicas naturais — biodiversidade ……
1.43.0s povos origindrios e a cultura — sociodiversidade
1.4.4.4 beleza, as ragilidades e o desalios do bioma Mata Atlántica..52

1.4.5 Contextualizacáo politica 53
146 Conrribuigäo eclesial caca oe)
1.5. Bioma Pantanal... 56
15.1 Localizagáo . 56
1.5.2.Ceracterísticas narurais - biodiversidade.... 56

1,5.3.0s povos originários e a culturs — sociodiversidade
1.5.4.1 beleza, as fraglidades e os desafios do bicma Pantanal ..59

1.5,5.Contexualizacio política... vest 63
1.5.6.Contribuigño eclesial 64
$5

1.6.Bioma Pampa...
1.6.1.Localizagáo … .. jus
1.6.2.Caractersticas naturais — biodversidade...
1,6.3.0s poves originarios e a cultura sociodivesiade...
1.6.4. beleza, as fraglidades e os desaños de bioms Pompa.
1.6.5.Contextuelizagáo política...
1.6.6.Contriauigäo eclesial

CAPÍTULO I — JULGAR

1

10.Conclusäo do Julgar……

CAPÍTULO lil - AGIR ...

1.

2
a
4

6.
7.

. $40 Joao Paulo li: ecología e ética.....

. O agir no bioma Mata Atlántica

Na Sagrada Escritura

Harmonia original: o mundo criado.

A aliança rompida e o pecado

Tempos messiánicos: restauraçäo de tudo em Cristo
Laudato 5/* ponto culminante de um caminho
Beato Paulo VI: a tomada de conscióncia do desafío ecológico

Bento XVI: a ecología humana...

Franc

: uma ecología integral.

O agir na Campanta da Fraternidade 2017 ..
© agir no bioma Amazönia

© agir no bioma Caatinga ..

O agir no bioma Cerrado.

O agir no bioma Pantanal
0 agir no bioma Pampa...

CONCLUSÁO GERAL

CAPÍTULO IV

de
2
3.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......

Natureza e histórico da Campanha da Fraternidade

Objetivos permanentes da Campanha da Fraternidade:
Os temas da Campanha da Fraternidade.....

101

103

103
104
104

127

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017.......

¿sra DE sieias,

inven ei

ORACAO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017. 135

CIgC Catecismo da Igreja Católica
CV Caritas in Veritate, Carta Encíclica sobre o desenvolvimento
¡ humano integral na caridade e na verdade, Bento XVI
EG Evangelii Gaudium, Exortaçäo Apostólica sobre o anúncio
do Evangelho no mundo atual, Papa Francisco
: LS Laudato SY, Carta Encíclica sobre o cuidado da Casa
: Comam, Papa Francisco
OA Octogesima Adveniens, Carta Apostólica por ocasiäo do 80%
aniversário da Rerum Novarum, Paulo VI
SRS _ Sollicitudo Rei Socialis, Carta Encíclica pelo vigésimo aniver-
sário da Encíclica Populorum Progress, Joao Paulo TL

Apnesentagio _ _

"Cultivar e guardar a ri

a SONATA

Recebemos o dom da fé! Seguir Jesus Cristo, viver das palavras,
da vida, morte e ressureigäo, é graça. Cultivar a fé, exercitar-se é guar-
dar. Guardados, cuidados pelo dom do Seguimento de Jesus que trans-
forma e matura: plenitude da vida. Cultivar a fé e ser guardado pela fé
abre para o cuidado dos irmáos e de toda a obra criada.

A Quaresma nos provoca e convoca á conversáo, mudanga de
vida: cultivar o caminho do seguimento de Jesus Cristo. Os exercícios
do cultivo que a Igreja nos propôe, no tempo da Quaresma, sio aque-
les que abrem nossa pessoa graga do encontro: jejum, oragáo e esmola.
Jejum: esvaziamento, expropriaçäo, libertagáo e nao privacio. O jejum
abre nossa pessoa para a receptividade da vida em Cristo. Oragáo:
súplica de exposigäu na tentativa de ser atingido pela misericördia.
Esmola € partilha, o amor partilhado. Deixar-se tocar pela presenga do
mendigo que cuida do doador.

“ados os anos, a Conferéncia Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de
conversäo quaresmal, como itinerário do cultivo e do cuidado comu-
nitério e social, “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” é
o tema da Campanha para a Quaresma em 2017. O lema é inspira-
do no texto do Livro do Génesis 2,15: “Cultivar e guardar a criagás
A Campanha tem como objetivo geral: “Cuidar da criagäo, de modo
especial dos biomas Drasileiros, dons de Deus, e promover relagöes

fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho’
Bioma quer dizer a vida que se manifesta em um conjun-
to semelhante de vegetagäo, água, superficie e animais. Uma “pai-
sagem” que mostra uma unidade entre os diversos elementos da
natureza. “Um bioma é formado por todos os seres vivos de uma

detern

inada regio, cuja vegetagäo é similar e continua, cujo clima &
mais ou menos nniforme, e cuja formagäo tem uma história comun”
(Testo-Base CF 2017, Introduio).

Como é extraordinäria a beleza e diversidade da natureza do
Brasil. Ao abordarmos os biomas brasileiros e lembrarmos dos povos
originirios que neles habitam, trazemos à meditaçäo a obra benfazeja
de Deus. Admirar a diversidade de cada bioma e criar relagöes respei
tosas coma vida e a cultura dos povos que neles vivem!

Cultivar e guardar nasce da admiraçäo! A beleza que toma o
coraçäo faz com que nos inclinemos com reveréncia diante da criaçäo.
À campanha deseja, antes de tudo, levar à admiragáo, para que todo o
cristio seja um cultivador e guardador da obra criada. Tocados pela
magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à con-
versio, isto é, a cultivar e a guardar

A depredaçäo dos biomas é a manifestagäo da crise ecológica que
pede uma profunda conversäo interior. “Entretanto, temos de reco-
nhecer também que alguns cristäos, até comprometidos e piedosos,
com o pretexto do realismo pragmático, frequentemente se omitem
das prevcupagöes pelo meio ambiente, Outros sáo passivos, náo se
decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Ealta-thes,
pois, uma conversáo ecológica, que comporta deixar emergir, nas rela-
göes com o mundo que os rodeia, todas as consequéncias do encontro
com Jesus. Viver a vocacio de guardides da obra de Deus nao é algo de
opcional nem um aspecto secundário da experiencia cristä, mas parte
essencial de uma existéncia virtuosa” (LS, n. 217).

Au meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles
vivem sejamos conduzidos à vida nova. Todos nós cristaos recebe-
mos o dom da fé e, na fé, somos despertados para o cultivo e cuida-
do, Säo Gregório Magno, em uma das suas homilias, perguntava-
“Que género de pessoas sio aquelas que se apresentam sem hábito
nupcial? Em que consiste este hábito e como se pode adquiri-lo?”.
Ea sua resposta é: “Aqueles que foram chamados e se apresentam,

10

de alguma maneira, tém fé. É a fé que Ihes abre a porta; mas falta-Ihes
e hábito nupcial do amor. Caltivar e guardar tem a dinámica do amor.
Somos convidados ao hábito do cuidado e do cultivo”

O Ano Nacional Mariano celebra os 300 anos do encontro da
Imagem de Nossa Aparecida com os pescadores do rio Paraíba.
Encontro que desperta o cuidado e fortalece o cultivo, Cuidado com
o Mistério revelado e cultivo da familiaridade. Hoje, é o rio que pede
cuidado e cultivo.

Maria, Más de Jesus, nos acompanhe no caminho de converso!
Jesus Cristo crucificado-ressuscitado que transformou todas as coisas
nos desperte para participacáo do cuidado com a obra criada!

A todos osirmáos eirmás, todas as familias e comunidades, uma
abengoada Páscoa!

Brasilia, 6 de agosto de 2016
Festa da Transfiguragäo do Senhor

‘Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brastlia - DF
Secretário-Geral da CNBB

1. Quando Pero Vaz de Caminha chegou à costa do território
brasileiro, maravilhou-se com tudo o que viu. Descreveu minuciosa-
mente os indígenas, a flora, a fauna e as águas que tinha diante dos
olbos. Estava de tal forma maravilhado que, ao final da carta, escreveu
literalmente ao rei de Portugal: "äguas säo muitas; infinitas. Em tal ma
neira graciosa [a terra] que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo;
por causa das águas que tem"!

2. Alguns anos mais tarde, após a chegada dos colonizadores,
comega a ocupagäo e exploragäo do paraíso descrito por Pero Vaz de
Caminha. A principio no litoral. E comega a extragäo do pau-brasil, a
árvore mais abundante que encontraram naquela imensa floresta, cuja
tintura extraída era levada para a Europa. A madeira também era uti-
lizada para fabricas móveis e instrumentos musicais. Para realizar esse
trabalho, comega a exploragáo e escravizagäo das nagöes indigenas,
0 sequestro de seus territörios, as dizimaçäes por guerras e doenças.
Depois vieram os negros, também na linha da mao de obra escrava,

3. Como avancar da história, comesa o avango para o interior do
nosso imenso território, seja pelo sul do pais, pelo Pampa, seja pelos
leitos de diversos rios. Entäo, aventurciros, bandeirantes e outros con-
quistadores interiorizaram o Brasil. Mais tarde o proprio Imperador
chamou cientistas para decifrarem o que se tinka diante dos olhos.
Percebeu-se que esse territörio tem imensa variedades de formas de
vida, de lorestas, de animais e de povos.

4. Em tempos mais recentes sio delimitados e descritos os cha-
mados biomas brasilciros, com suas interfaces e ligagóes, mas guar-
dando características pröprias de cada um. A expressäo bioma vem de
“bio” quem em grego quer dizer “vida” e “ora” sufixo também grego

1 CAMIKIA. Carta de Péro Var de Camicha ao fet de Portal, 1500. Dispo enr
Vupzivownmenoraldodescobrimenta.cora Ir/lugua_portguesizarta.de-pero-rar-ce-
amine serie portugal, Acoso e: 2/93/26,

13

que quer dizer “massa, grupo ou estrutura de vida"? Um bioma é "um
conjunto de vida (animal e vegetal) constituído pelo agrupamento de
tipos de vegetacáo contiguos e identificáveis em escala regional, com
condigóes geoclimáticas similares e história compartilhada de mudan-
sas, o que resulta em uma diversidade biológica própria"*

5. Assim, um bioma é formado por todos os seres vivos de uma
determinada regiäo, caja vegetacio € similar e continua, cujo clima é
mais ou menos uniforme, e cuja formagäo tem uma história comum.
Por isso, a diversidade biológica também é parecida.* Há teses de sete
caté oito biomas, considerando os manguezais como um deles e outro
marinho, mas esse näo é o reconhecimento oficial. No Brasil temos
seis biomas: a Mata Atlántica, a Amazónia, o Cerrado, o Pantanal, a
Caatinga e o Pampa, Nesses biomas vivem pessoas, povos, resultantes
da imensa miscigenaçäo brasilera.

6, Hoje, mais de 500 anos depois da chegada dos colonizadores,
seria interessante nos pergunta: O que restou daquela floresta? O que
restou daqueles povos? O que restou daquelas aguas? O que restou
daquela imensa biodiversidade que maravilhava os olhos? O ambiente
que vivemos interessa a todos os seres humanos, independentemente
de sua religiño, credo, ou mesmo sem nenhura deles. Precisamos nos
perguntar qual destino estamos dando a tantas riquezas e qual Brasil
queremos deixar para as geragóos futuras.

7.Nesse comego do 3° milénio, somos uma populagäo de mais
de 200 milhôes de brasileiros, 80% vivendo em cidades. O impacto
dessa concentragäo populacional sobre o meio ambiente produ. di-
lemas que pôem em risco as riquezas naturais. O avango das tecnolo-
glas em todos os campos, tende a distanciar as pessoas dos problemas
socivambientais que estáo 20 seu redor. Os povos que perderam seus
territórios, tantas vezes dados por extintos, reivindicam seu lugar na

2 Boma, 2016

3 WG, Mapa de Momas e de Vegas, 2004. Disponttel em hipelunwilbge gorbrfhonne
presidencialnatcin/2105200 boreal. Aces sm USMM/2016,

4. MALVEZZL Senlérido: Une Visto Voltio. ras: CONFRAICRFA, 207,

sociedade, sua cidadania, com a prerrogativa de viverem conforme
suas leis e suas tradigóes, sendo plenamente reconhecidos como bra
sileiros. Além do mais, pertencemos a uma mesma casa comum, con-
dividindo esse planeta com sete bilhöes de pessoas e bilhóes e bilhôes
de sores vivos. Somos cidadaos globais. Esse fato implica que a tensäo
entre a economia e a ecologia se colocou como o maior desafio para
ahumanidade. É de sua equagäo harmönica que depende o futuro da
humanidade e de todos os seres vivos que habitam a Terra.

8.0 Papa Francisco, no inicio de sua carta encíclica Laudato Si,
diz que escolheu o nome de Francisco também por rares ecológi-
cas. A proposta ecológica do Papa € integral, entrelacando todas as
dimensées do ser humano com a natureza. Para ele, cada criatura tem
sur mensagem, que precisa ser respeitada e entendida. Mas todas elas
estáo interligadas. Toda a Laudato Si'é um hino de espanto maravilha-
do diante da natureza criada que nos fala de Deus, que € um dom de
Deus, da qual nés seres humanos somos parte integrante, mas também,
seus zeladoros e cultivadores. O Papa Francisco também nos coloca
«diante dos desafíos colossais enfrentados pela humanidade, que está
em uma verdadeira encruzilhada, cm uma mudanga de época,

9.A Igreja Católica já há algum tempo tem sido uma voz profé-
tica a respeito da questáo ecológica. Náo apenas tem chamado a aten-
ño para os desafios e problemas ecológicos, coma tem apontado suas
causas e, principalmente, tem apontado caminhos para sua superacio,
As Igrejas particulares, Comunidades Eclesiais de Base, Pastorais
Sociais, Semanas Sociais Brasilciras, Föruns das Pastorais Sociais, o
Grito dos Excluídos, muito ve aproximaram do nosso povo para de-
fender seus direitos e para promover a convivència harmónica com o
meio ambiente em todo o Brasil.

10. Vamos, entio, de forma simples, abordar cada um de nos-
sos biomas, com seus respectivos povos, sua situaçäo atual, procurar
entender suas caracteristicas e problemas fundamentais. A luz da fé,
nos interrogaremos sobre o significado dos desafios apresentados
pela situagio atual dos biomas e dos povos que neles vivem. No agit,

15

abordaremos as principaisiniciativas já existentes para manutengáo de
‘nossa riqueza natural básica. Apontaremos propostas sobre o que po-
demos e devemos fazer em respeito à criaçäo que Deus nos deu para

“cultivi-la e guardáda

Objetivo geral
Cuidar da criagáo, de modo especial dos biomas brasileiros, dons

de Deus, e promover relacóes faternas com a vida e a cultura dos
povos, à lus do Evangelho.

Objetivos especificos

* Aprofundar o conhecimento de cada bioma, de suas belezas, de
seus significados e importáncia para a vida no planeta, particular.
mente para o povo brasileiro,
Conhecer melhor e nos comprometer com as populagdes origi
návias, reconhecer seus direitos, sua pertenga ao povo brasil
ro, respeitando sua história, suas culturas, seus territórios e seu
modo específico de viver.
Reforgaro compromisso cama biodiversidade, os solos, as iguas,
nossas paisagens € o clima variado e rico que abrange o chamado
tevritério brasileiro.
Comprender o impacto das grandes concentraçôes populacio-
nais sobre o bioma em que se insere.
Manter a articulaçäo com outras igrejas, organizagóes da socie-
dade civil, centros de pesquisa e todas as pessoas de boa vontade
que querem a preservacáo das riquezas naturais e o bem-estar do
povo brasileiro.
* Comprometer as autoridades públicas para assumie a responsa»
bilidade sobre o meio ambiente e a defesa desses povos.
Contribuir para a construçäo de um novo paradigma económico
ecológico que atenda as necessidades de todas as pessoas e famí-
lias, respeitando a natureza.
Comprender o desafio da conversio ecológica a que nos chama
© Papa Francisco na carta encíclica Laudato Sie sua relagño com
o espirito quaresmal.

16

A Igreja no Brasil e o cuidado da casa comum

A Quaresma e a Campanha da Fraternidade

11, À Quaresma é o tempo que nos encaminha para a Páscoa.
“A liturgia quaresmal prepara para a celebragáo do mistério pascal
tanto dos catecúmenos, fazendo-os passar por diversos degraus da
iniciaçäo cristá, como os figis que recordam o proprio Batismo e fa-
em penitencia”° É um tempo em que fazemos caminho para a Páscoa,
motivados pela Palavra e unidos aos sentimentos de Jesus Cristo, cule
tivando a oragäo, o amor a Deus e a solidariedade fraterna.

12. *Convertei-vos e crede no Evangelho'! A Quaresma é
um tempo forte de peniténcia e de mudanga de vida (metanóia),
que nos insere no mistério de Cristo, que se traduz. na retomada
do rumo de Deus, segundo a imagem da parábola do filho pródigo.
Conversäo que possibilita o retorno da dispersáo para a nascente
inesgotével da vida, que éa Páscoa de Jesus. Neste horizonte a Igreja
“Dai-nos, no tempo aceitável, um coragäo penitente, que se

re
converta e acolha o vosso amor paciente”

13.0 insistente apelo à peniténcia e conversáo náo se apresenta
na dinámica da “tristeza”, mas de uma "söbria alegría” alimentada pela
esperança. “Vés concedeis, Senhor, aos cristios esperar com alegria,
cada ano, a festa da Páscoa"? Quaresma é tempo de converso, por isso
tempo de intensa alegria. Alegria, porque iniciamos nossa caminhada
rumo a Páscoa do nosso Salvador Jesus. Se, por um lado, a recordagío
do softimento de Jesus com sua morte na cruz produz em nés uma dor,
a Ressurreigáo nos traz a corteza da vitória ca Quaresma passa a ser um
tempo de alegria, pois nos aproxima de Deus e dos nossos irmäos.

14. A Quaresma, isto é, quarenta dias, € um tempo de graga e de
bengäo, marcado pela escuta da Palavra de Deus; de reconciliagáo com

3 Normas Universasdo Ano Litrglo edo Calendario Romano Geral, 27.
& Hinode Lau,
7 Precio da Quaresma,

Y

Deus e com os irmios. Tempo de oracáo, de jejum como disponibilida-
de, entrega e docilidade à vontade do Pai; de partilha de bens e de ges-
tos solidários, de atengáo misericordiosa com os pobres e necessitados.

15.Na Quaresma a liturgia despe-se dos seus aleluias e glórias,
convidando-nos a à sobriedade e ao despojamento do supérfluo. Aum
tempo de germinagäo silenciosa e profunda iluminada pela esperanga
e expectativa. Neste tempo somos convidados a reencontrar o nosso
verdadeiro rosto em um esforgo de autenticidade e lucidez, na vraçäoe
na caridade, para que, modelados ä imagem de Cristo, sejamos capazes
auma comunhio mais profunda no seu mistério de morte e ressurrei-
io. Mistério que näo está fora de nés. Ele é o que nés somos e o que
somos convidados a ser. A nossa cruz nao é outra sendo a de Cristo, é
‘seu amor em nós que a carrega. A nossa verdadeira vida € a vida do
Ressuscitado em nés. Sea liturgia nos conduz pelos passos de Cristo é
paramos ensinar o caminho que também € nosso, Procuremos, portan-
Lo, estar em sintonia com o espirito da liturgia deste tempo e acolher a
seiva de vida que ela nos oferece.

16. À caminhada quaresmal, com suas características de peniten-
cia, conversio e redescoberta da graga do Batismo, estimula e acompa-
ha o processo do nosso crescimento na vida cristá, segundo as poten-
cialidades e a vocacäo recebidas no Batismo. O tempo da Quaresma,
como momento de renovagäo da vida crista através do itinerário batis-
mal que o envolve, é um bom momento de salientar a importáncia da
Iniciagao à Vida Crista em nossa caminhada eclesial.

17. A Quaresma, no cido do Ano A, tem como pano de fundo
6 tema sacramental e batismal, pelo qual permite-nos compreender
à realidade da nossa vida de fé: iniciagáo à vida cristä. Os textos dos
exercicios batismais ou escrutinios, presentes no Ritual de Inieiaräo
Crista de Adultos deixam bem claro essa ligagäo com aquilo que o
catecúmeno deve viver com a temática desenvolvida no Evangelho
de Joao do III 20 V domingo (Revelaçäo pessoal, Luz do mundo e
Ressurreicio e Vida): o Senhor faz passar da morte para a vida.

18, A Quaresma lembra que nio podemos esquecer do p
meiro aspocto de sua origem: preparaço dos catecúmenos para o
recebimento dos sacramentos da iniciagáo cristá, os chamados sa-
cramentos iniciais de inserçäo na comunidade de fé. O caminho de
conversáo apresentado entáo a estes catecúmenos € simbolizado por
um tempo de reconciliagáo.

19. A Campanha da Fraternidade quer ajudar a constrair uma
cultura de fratecnidade, apontando os princípios de justiga, denun-
ciando ameaças e violagóes da dignidade e dos direitos, abrindo cami
nhos de solidariedade. A vida fraterna 8 síntese do Evangelho quanto
As relagóos humanas c testemunha a nossa dignidade como verdad
ros fithos e filhas de Deus.

20.A Campanha acontece no tempo forte da Quaresma, Neste
tempo litúrgico a prática da esmola, da oragio, do jejum, a conversäo
+ a Campanha da Fraternidade tornam-se oportunidades de exper
mentar a espiritualidade pascal capaz de gerar, ao mesmo tempo, a
conversio pessoal, comunitária e social. A Campanha da Eratern
dade de 2017 se apzesenta como um instrumento à disposigäo das
comunidades cristás e de todas as pessoas de boa vontade para en-
frentar, com conscióncia crítica, o lema: "Cultivar e guardara criagio”
(Gn 2,15), com o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa
da vida". Uma pessoa de f que faz sua caminhada quaresmal ramo
à Páscoa, ao tomar consciéncia da realidade do como sio tratados os
biomas brasileiros, näo poderá ficar indiferente.

21.A Campanha da Fraternidade é uma verdadeira iniciagäo à fé
à sua prática. A conversäo quaresmal 6, ao mesmo tempo, um voltar-
-se para Deus, para o próximo e para a vida da criagáo que nos cerca.
O enfoque da Iniciagäo à Vida Crista da Quaresma proprio do ciclo da
Ano A, ressalla que a conversáo e a adesao à vida de fé em Jesus Cristo
implicam uma nova postura diante da realidade em que se encontra a
vida nos diversos biomas brasileiros. Como é que alguém poderá cele-
brar a Páscoa ou os sacramentos que o inserem no mistério de Cristo

alheio à vida da criagäo na qual está mergulhado e que o sustenta?

w

22. À celebraçäo dos sacramentos da Iniciagäo Crista, nao deve
ser vista como ponto de chegada, mas de partida, A mistagogia, pro-
priamente dita, constitui o último tempo da Iniciagáo à Vida Crista.
E momento de aprofundar as experiencias sacramentais, no exercicio
da caridade e das práticas cristas. Nesta perspectiva, a Campanha da
Fraternidade ausilia os catecúmenos no processo de conversäo e no
tostemunho de fé na relagäo com as pessoas e no cuidado da criaçäo
(com a vida que constitui os biomas brasileiros).

A história dos temas coligados com a CF 2017

23.A Igreja Católica, presente no território brasileiro, sem-
pre está atenta aos sinais dos tempos, na sua Açäo Hvangelizadora.
“A Campanha Fraternidade tem contribuido muito e, desde 1979,
a Igreja tem se voltado para a situagóes existenciais do nosso povo e
que abordaram temáticas socioambientais.

24. A Campanha da Fraternidade deste ano de 2017 está coliga-
da com algumas campanhas:

25. Em 1979, com o tema: “Por um mundo mais humano” e 0
lema: "Preserve o que é de todos’, a Igreja Católica apresentava à so-
ciedade brasileira sua preocupagäo com as questóes ambientais e com
o comportamento humano diante da natureza. Nao diferente desta
‘Campanha, mas fazendo uma “leitura” dos sinais e do comportamen-
to humano, a Igreja abordou com profetismo a defesa e a preservaçäo
da ecologia como um dos grandes desafios da humanidade.

1986- Fraternidade e terra — Vèrra de Deus, terra deirmáos: “Aterraque
€ dom de Deus a todos os seus filhos e flhas está mal distribufda.
Nas regióes indígenas, na zona rural e nas cidades é causa de ter-
riveis sofrimentos, miséria, migragáo, fome, violéncia e mortes"*

8 CNB Campana de Prien 1956: Manvel. Sho Paulo Editora Salen Dann Bos,
1985, 3

2

2004 ~ Fraternidade e a água - Agua, fonte de vida: “Conscientizar
a sociedade de que a ¿gua é fonte de vida, uma necessidade de
todos os seres vivos e um direito da pessoa humana e mobilizá-la
pata que esse direito à água com qualidade seja efetivado para as
gesagóes presentes e futuras”?

2007 - Fraternidade e Amazönia - Vida e missáo neste chao: “Conhe-
corarcalidade em que vivem os povos da Amazónia, sua cultura,
seus valores e agressóes que sofrem por causa do atual modelo
económico e cultural, e langar um chamado à conversáo, à soli-
dariedade, a um novo estilo de vida e a um projeto de desen-
volvimento à luz dos valores evangélicos, seguindo a prática de
Jesus no cuidado com a vida humana, especialmente a dos mais
pobres, e com a natureza’®

2011 - Fraternidade e a vida no planeta - A criagáo geme em dores de
parto (Rm 8,22): “Contribuir para a cunscientizagäo das comu-
nidades cristás e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do
aquecimento global e das mudangas climáticas, e motivé-las a
participar de agöes que visam enfrentar o problema e preservar
as condigóos de vida no planeta"

2016 - Casa Comum, nossa responsabilidade - Quero ver o direi
to brotar como fonte e correr a justica qual riacho que náo seca
(Am 5,24): “Asegurar o dircito ao sancamento básico para todas
as pessoas e empenbarmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas
e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da
nossa Casa Comun”

3 CNBD. Compania de Prsternidado 200% Manual, So Paulo: áioca Salesiana Dora Bosco,
203, p.12

10. CNBE. Comperiv da Praermdade 2097 Mansel Bes Ediçues CNE, 200$, p.31

{U GNDD. Campania da Fraternided 201: Texto-Dace Drala Eic6os CNDD, 200, . 14

12 CONIC. Caranta da Prternidade Bernie: 2015 Txto-Bae. Bras Pies CNB.
asp

a

26. Com temática emrelasáo à vida de nossos povos, tivemos al.
gumas campanhas:

1988 — A Fraternidade e o negro - Ouvi o clamor deste povo: “Ouvir o
clamor do povo negro ea ele unir-se na busca da Terra Prometi-
da, onde se possa viver, sem discriminagöes, a justiga, a liberda-
de ea par. É uma oportunidade para os negros continuarem na
luta por seus direitos e pelo reconhecimento de sua dignidade,
cultura e de sua contribuigäo na construgáo do Brasil”?

1995 - À Fraternidade e os excluidos - Eras tu, Senhor?: “Olbarmos ao
nosso redor, observar as ruas de nossas cidades com mendigos,
os menores de rua, os que pedem esmolas, idosos, portadores do
virus HIV, drogados, desempregados, doentes e tantos outro:
Sentir a complexidade da vida dessa gente sotrida e as manobras
que fazer para sobreviver. Precisamos buscar ages de miseri-
córdia, assumindo as dores do próximo”.

1999 - Fraternidadee os desempregados - Sem trabalho... Porqué?:"Con-
tribuir para que acomunidade edlesial e asociedade se sensibilizem
com a grave situagäo dos desempregados, conhegam as causas e as

articulagdes que a geram e as consequéncias que dela decorrenn

2002 - Fraternidade e os povos indígenas ~ Por uma terra sem males:
“Esta campanha ao tratar dos povos indígenas recorda-nos que
nés podemos aprender das culturas indígenas como, por exem-
plo, o sentido comunitario da vida, a valorizagáo da terra como
fonte de recursos para a sobrevivencia humana, o estilo de vida
sóbrio e solid

13. CNE Compre de Fran 199: Miam. Sü Palo: kälter Sacsana Dom Bosco,
1967, pa

14 CNBR, Campane de Prvrmidade 1995: Mas, Sño Palo: Editora Salesiana Dom Basso,
LA po

15. CNE Conant da Protea 1999 Manual. Si Pres Editora Soles Dom Bose,
1998.9. 1,

16 CNBÉ Campane de Powernidade 2002: Saal. So alo: Editora Salesiana Dom Bosco,
201, 8

2

+ Mata Marti
3 Pampa
Pantanal Fonte de dados: IG e MMA (2004)

11

27.A Amazénia 6 o maior bioma do Brasil. Geograficamente é
formada pelos estados da regiäo Norte: Acro, Amapá, Amazonas, Pará,
Roraima, Rondónia e Tocantins. Mas o bioma avanca para os estados
do Mato Grosso e Maramháo.

2

1.14. Localizacáo

28. Por este motivo e para
fins administrativos ¢ de plancja-
mentoeconômico, a Lei n. 1.806,
de 1953, incorporou parte dos
territórios do Maranhäo e do
Mato Grosso à Amazónia, crian-
do assim o que se chamou de
Amazônia Legal. Este território
com 5.217.423 km’, representa ac dos ras
61% do territério brasileiro. rento des Doras Dress por sate POS)

29. A Panamazónia (paises que tém a floresta amazónica) trans-
cende os limites brasileiros e está também no território da Colombia,
do Peru, da Venezuela, do Equador, da Bolívia, do Suriname, da
Guiana Francesa e da Guiana Inglesa.

2. Caracteristicas naturals - hiodiversidade
30, Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2016): “A
Amazônia € quase mítica: um verde e vasto mundo de águas e florestas,
onde as copas de árvores imensas escondem o úmido nascimento, repro
dugäo emorte de mais de um tergo das espécies que vive sobre a Terra”
‘A Amazonia também contém campos naturais e vegetagäo de altitude por
também atingir os Andes, onde muitos rios amazónicos nascem.

31. Os números sáo igualmente monumentais, O bioma amazó-
nico, excluindo o restante da Amazónía Legal e da Panamazónia éas-
sim mesmo o maior bioma do Brasil: em um território de 4.196.943
milhöes de km’, crescem em torno 2.500 espécies de árvores
(ou um tergo de toda a madeira tropical do mundo) e 30 mil espécies
de plantas (das 100 mil da América do Sul). É o que se chama de

17 MINISTERIO DO MELO AMDIENTE - MA, Arncónis. Dipowive en pra
be /bomasremsa5sC3:BAnin, Aceso em: 1.032016,

18 IBGE. Maga de Bras e de Vega, 2004, Dispone cm Mines gore)
presidencia none 2105200 biemashimLhhm, Acro eu (8/04/2016.

regiäo megadiversa.'” Mais de 4.200 espécies animais foram conta-
bilizadas, mas sabe-se que uma grande parte das espécies ainda náo
foram catalogadas?"

32. Coma mesma grandeza e diversidade das formas de vida no
bioma Amazónico, sio também seus povos originários, eles säo os res-
ponsáveis por esse pulmäo da mae terra continuar resistindo, eles säo
as principais riquezas riqueza deste bioma.

33.“A bacia amazónica é a maior bacia hidrográfica do mundo:
cobre cerca de 6 milhôes de km? e tem 1.100 afluentes. Seu principal
rio, 9 Amazonas, cortaa regiäo para desaguarno Oceano Atlántico lan-
gando ao mar cerca de 175 milhöes dolitros d'água a cada segundo”?!
Ele também carrega uma quantidade imensa de material orgánico e
sedimentos que säo langados no oceano, gerando biodiversidade ma
rinha e contribui para o equilíbrio da temperatura do planeta.

34. Existe ainda um Amazonas debaixo do chäo, o aquífero Alter
do Chao, tao imenso quanto o rio de superficie, Mas, náo 6 s6. A eva-
potranspiracio da floresta produz o chamado rio aéreo que leva agua
em forma de vapor pela regiño Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil,
transcendendo as fronteiras e indo até a Argentina,

35.Além do ciclo das águas, o bioma tem fundamental impor-
täncia para o ciclo do carbono. O ciclo do carbono comega pela ab-
sorçäo do gis carbónico do ar principalmente pelas plantas, quando
elas realizam a fotossíntese. Depois, quando os animais herbívoros
(que comem vegetaçäo) ingerem esses alimentos, acabam liberando no-
vamente no aro carbono que tinha sido absorvido pelas plantas. Outras
parcelas do carbono sño utilizadas na decomposigio dos seres vivos
quando morrem.” As queimadas e a utilizaçäo de combustiveis fosseis

19 Ter

20 FLORISTA AMAZÓNICA, Biuberaidade de Amazinia, Diponfel em: Expresa
—amaeuaicaialofindivercdode-da amazonia ht. Acesso em 7/03/2016,

21 em.

22 BIOMANIA, O cido do carbono. Dispone cu Lap? biomania. corn brlconteuda-
sprcud=3959. Ateso en 1605/2018

»”

também liberam novamente o gis carbónico na atmosfera, Ambas cau-
sam desequilibrio no ambiente e contribuem para o aquecimento global.

36. As estimativas

¡am a regido como a maior reserva de ma-
deira tropical do mundo. Seus recursos naturais - que, além da madei-
a, incluem enormes estoques de borracha, castanha, peixe e minérios,
por exemplo ~ representar uma abundante fonte de riqueza natural.
A regido abriga também grande riqueza cultural, incluindo o conhe-
cimento tradicional sobre os usos e a forma de explorar esses recur-
sos naturais sem esgotá-los nem destruir o hábitat natural O bioma
Amazónico também contribui com seus recursos para a biomedicina,

37. Toda essa grandeza nao esconde a fragilidade do ecossistema
local. A floresta vive a partir de seu proprio material orgánico; e seu de-
licado equilfbrio é extremamente sensivel a quaisquer interferéncias.
Os danos causados pela açäo humana sáo muitas vezes irreversiveis.

38. Pela sua riqueza, a Amazénia é ambicionada tanto em nivel
interno como por forgas externas. Muito do futuro da humanidade
passa pela Amazónia, A riqueza natural da Amazónia se contrapôe
dramaticamente 20s baixosíndicos sociosconómicos da regiäo, de

xa densidade demográfica e crescente urbanizagäo. Desta forma, o uso
dos recursos florestais é estratégico para o desenvolvimento da regiän.

39. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
(2016), houve uma reduçäo no processo de desmatamento da
Amazónia, contudo, seu estancamento está longe de acontecer e ela já
acumula com sofrimento 700.000 km? de desmatamento. Existe um
limite nesse desmatamento que, uma vez ultrapassado, a floresta se de-
sintegrará automaticamente como que por efeito dominó, Essa seria a
maior tragédia ambiental do pais, inclusive do mundo, e incalculável
para o ciclo de carbono do planeta. As políticas governamentais de
incentivos ás hidrelétricas, mineragäo e agronegócio tendem a anular
as iniciativas em prol de sua preservaçäo.

25 FLORESTA AMAZÓNICA. Biadiversdade de Amacinie, Disonível em: por
-amsazonia intrbiodiversidade-ds-armtzoni.aten, Acesso em: 17/03/2016.

2

40, Na Amazonia Legal, segundo o censo de 2010,* vivem apro-
ximadamente 24 milhöcs de pessoas. Cerca de 80% dessa populaçäo
vive no meio urbano, com todos os problemas dai derivados, de au-
séncia de saneamento básico, aglomeragáo nas periferias, insalubrida-
de, desemprego e outras mazelas de uma concentragáo urbana desre-
gulada. Essa também muito contribuiu para o éxodo rural.

1.13. Os pouos originarios e a cultura - sociodiversidade

41. O processo do chamado desenvolvimento da Amazónia é um
‘exemplo mais que claro de como ele se deu como reproducáo do siste-
ma colonialista que presidiu a formagäo do Brasil, a partir da chegada
dos portugueses em 1500 e na Amazónia a partir de 1600. Essa repro-
dusáo ficou evidente, em 1970, quando da abertura e construgäo da
“Jransamazônica, A estrada tinha como objetivo “levar homens sem-
-terra, para uma terra sem homens”

42. As populagóes locais, indígenas, posseiros, ribeirinhos, se-
ringueitos, quilombolas e toda uma infinidade de comunidades nao
tinham importáncia nesse processo. E, desde esse período até os dias
de hoje, ainda sio consideradas um entrave e empecilho ao dito desen-
volvimento e progresso. Essas populacóes locais passaram a sofrer as
mais diversas formes de pressäo para abrir caminho para o “desenvolvi-
mento e o progresso” que chegava do Sul e do Sudeste para “redimir” a
Amazönia do “atraso” em que vivia. Estava instaurado um novo periodo
colonial no Brasil, Amazónia se tornava a mais nova colónia do Brasil.

43. Há décadas os conflitos pelo território estäo marcando toda a
regiáo amazónica. As populagóes tradicionais defendem seus direitos
seculares, querem ter seus territórios reconhecidos e legalizados Sáo his-
tóricas as lutas indígenas pela demarcagio de suas terras e de seus lagos.

44.0s ribeirinhos buscam e estio, 20s poucos, conseguindo a
concessio comunitäria do uso de suas terras. As populagóes negras
querem que seu território étnico seja reconhecido e demarcado.

24 IBGE, Censo 2010 Disponivel em: hp /censo2010 bg go

E

Seringueiros e castanheiros buscam a criagäo das reservas extrativis-
tas. Colonos e posseiros exigem que scus lotes sejam devidamente ti-
tulados. Populagóes sem-terra lutam por uma reforma agrária que aca-
be com o latifúndio e para que os governos destinem as terras
e devolutas à criaçäo de novos assentamentos, a partir da realidade
amazónica, com políticas públicas eficazes para seu funcionamento.

45.0s conflitos e a violéncia contra os trabalhadores(as) do
campo que aconteciam e ainda acontecem em todo o Brasil se con-
centram de forma expressiva na Amazónia, para onde avanga o capi-
tal, tanto nacional quanto internacional. Em muitos desses latifándios
amazónicos se constatou trabalho escravo.

46. Algumas aglomeragöes urbanas sio nada mais que nagóes
indígenas inteiras vivendo nas periferias das grandes cidades. Como
nas demais periferias urbanas do Brasil, sio espago de insalubridade,
de pobreza, muitas vezes do tráfico de pessoas c de drogas, de explora-
io sexual, inclusive de menores, As populagóes urbanas querem uma
vida digna nas cidades.

1.14. A beleza, as tragilidades e os desafios do bioma Amazónia

47.A Amazönia, por sua riqueza em dguas e biodiversidade, é
cobigada por corporagóes do Brasil e do mundo inteiro, cada uma
em seu respectivo ramo: Agua, fármacos, esséncias, minérios, sabe-
ros ancestrais das populagöes etc. Grandes madeirciras e serrarias
conseguem aprovar propostas de Manejo Florestal junto ao Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renoviveis
(IBAMA) e ds Secretarias Estaduais de Meio Ambiente, mas somente
para retiraras árvores nobres de floresta, inclusive de áreas de reserva,
terras indígenas e parques nacionais.

48. O manejo forestal passou a ser uma atividade na qual foram
inúmeras as denúncias de trabalho escravo. Inclusive alguns projetos
de Redugäo de Emissües por Desmatamento e Degradaçäo Florestal
(REDD), da chamada economia verde, tém sido acusados de provocar
perda de controle de territörios tradicionais, impactos na seguranga

»

alimentar (comunidades impedidas de fazer roga, pescar), éxodo ru-
ral, medo, inseguranga, empobrecimento. Em alguns lugares provo-
cando divisöes e graves conflitos no interior das comunidades, como
nos indígenas Surui de Cacoal, em Rondónia.

49.A expropriaçäo privada de grandes áreas de terra continua
sendo a principal causa do desmatamento, que financiada pela extragio
ilegal de madeira, tem por principal objetivo a grilagem de terras e o
avanço da fronteira agrícola à custa da floresta amazónica, A pect
€ a principal atividade implantada nas áreas recentemente desmatadas.
Após alguns anos, as pastagens sofrem com a degradagáo dos solos, pri
vados da recomposigáo e protegáo das florestas.

$0. A dificuldade de regeneraçäo das pastagens empurra a pe-
cuária para novas frentes de desmatamento. As áreas degradadas
pela pecuária passam a ser ocupadas pelas monoculturas de soja, ar-
102 e milho que seguem no rastro da pecuária, substituindo o gado.
As terras de pior qualidade säo ocupadas pelo plantio de madeiras
exóticas, como o pinus, a teca e o eucaliptos. Este processo já causou
o desaparecimento de centenas de igarapés e mananciais, sem con-
tar o adoecimento de populagóes inteiras, devido ao uso abusivo de
agrotóxicos para as monoculturas.

SL. A construçäo de grandes hidrelétricas e a atividade de minera
so säo responséveis por boa parte dos danos ambientais e sociais nas
comunidades, inclusive com o desmatamento, que alimenta a industria
siderúrgica. Portanto, a preservagäo da Amazónia, atacada em todos os
sentidos, é de interesse do povo brasileiro e de toda a humanidade.

1.1.5. Contextualizagäo política

$2.0 problema fundamental da Amazônia 6 o modelo de de-
senvolvimento adotado para a regiño. Ignorando a vocaçäo da floresta,
seu papel no clima, no ciclo do carbono, a fragilidade de seus solos,
a contribuigäo para os demais biomas brasileiros, sobretuda no ciclo
das águas, o avango desse modelo tem sido um desastre denunciado
‘no mundo inteiro.

53.A disputa pelas riquezas faz com que a legislaçäo Autue con-
forme os interesses das corporaçôes económicas que atuam na regio.
“As monoculturas, a pecuária intensiva, a mineraçäo, sempre precedidas
do desmatamento, atacamo fundamento da sustentabilidade da floresta,

54. A concentragéo urbana indica que a vida na floresta muitas
vezes € inviabilizada para as populagóes originárias e tradicionais.
“Todas as lutas indígenas, de ribeirinhos, de quilombolas é sempre um
passo a cada dia para manter seus territórios. Porém, mesmo contra
a corrente do modelo, € graças a essas populagdes que ainda temos
grande parte da floresta em pe. O Brasil, o mundo, muito devem à re-
sisténcia dessas populagóes que até agora conseguiram evitar o pior
para o bioma Amazonia,

55. É preciso reconhecer que a Amazônia contribui para o equi-
brio do planeta com a sua identidade propria. Ela fornece umidado,
produtos tropicais, oxigenaçäo etc. O atual modelo económico quer
reduzir esse bioma as mesmas características dos outros violentando-o
a produzir o que ele nao suporta.

4.1.6, Contribuigäo eclesial

$6. À Igreja Católica na Amazonia Legal vive e cresce com carac-
teristicas próprias, enraizadas na sabedoria tradicional e na piedade
popular que durante séculos alimentou e continua a manter viva a es-
piritualidade dos povos da floresta e das águas, e agora, do mundo ur-
bano. A Igreja presente na Amazónia é marcada, entre distintos tragos,
pelo testemunho de inúmeros mártires. Diversos leigos, sacerdotes,
religiosos e religiosas derramaram seu sangue em nome da dimensáo.
sociotransformadora da fé, cuja defesa dessas populasóes e do meio
ambiente foram seu principal esforgo.

$7. Mesmo antes da criaçäo da Amazônia Legal (1953), a Igreja
Católica na Amazónia se reunia através dos seus bispos para posicio-
nar-se pastoralmente diante dos problemas sofridos pelos povos desta
regiño e enfrentar os grandes desafios que se anunciavam, pelas inter-
vengöes políticas e económicas.

El

58. Em 1972, no contexto da ditadura e do surgimento de proje-
tos macroeconómicos para a regiño amazónica, foi criado o Conselho
Indigenista Missionário (CIMI) para coordenar e intensificar a pre-
sença da Igreja em apoio e defesa dos povos indigenas frente aos pro-
blemas enfrentados na regiäo. Neste mesmo contexto, em 1975, foi
esiada a Comissio Pastoral da Terra (CPT), durante o Encontro de
Bispos e Prelados da Amazönia, convocado pela Conferéncia Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado em Goiánia (GO). Mais re-
centemente, foi fundada a Rede Eclesial Panamazönica (REPAM). A
REPAM é um organismo de articulagäo e comunhäo que busca estrei-
tar os lagos de colaboraçäo e alcangar uma visio comum do trabalho
missionário e evangelizador na regio.

1.2. Bioma Caatinga

1.2.1. Localizagáo

volvida pelo clima semiárido, entre
a estreita faixa da Mata Atlantica e o À
Cerrado. O semiárido abrange uma árca
de 969.589,4 km". O semiárido abran-
ge predominantemente territörios de //
8 estados do Nordeste," mais o Norte |
de Minas Gerais, circunscrevendo
1.135 municipios, onde vivem cerca de
27 milhdes de pessoas. Estas pesso- E ae

E SS
as representam 46% da populagáo do "ME
Nordeste e 13,5% da populagäo brasi- ra de dos Pay dencrbsramado dm
leira. Por sua vez, a Caatinga cobre mais "Ht Ram Ana rade (DAS)
de 90% desse territério, com uma extensio de 844.453 km’.
portante observar que o semiárido, clima deste bioma, é relativamente
mais amplo que a própria Caatinga.

25 Alagoss Bahia Ceará, Bernamb.uu, Parc, Rio Grande do None, Pia
26 MINISTENIO DO MEIO AMRIRNTR. Caciaga.Dispontrel em: min got bobo
‘ating, ess em: 0205/2016

a

1.2.2. Características naturais - biodiversidade

60. Caatinga é uma palavra originária do tupi-guarani, que signi-
ca mata branca. A Caatinga é 0 único bioma exclusivamente brasilei-
so. Tem um chi ido e 60 semiárido mais chuvoso do planeta,
0 de vida inteligente, adaptada ao clima sen
árido. Ela étáo rica que alguns especialista falam em “caatingas', no
plural, para identificar sua imensa biodiversidade.”

Trata de um bioma

61. Em tempos de soca, a Caatinga “dorme’, hiberna, poupa água
« energia, para voltar à vida plena durante as primeiras chuvas. A “res-
surreigáo anual da Caatinga” & um dos espetáculos mais belos ofere-
cidos pelos biomas brasileiros. Muitas plantas, como o umbuzeiro,
guardam agua em suas raizes, para poder se utilizar dela em tempos de
falta da chuva. As ärvores secas e retorcidas, como também os cactos
de folbas ibrosas, nao sao sinais de pobreza, mas de vida, que soube se
adaptar ao clima semiárido.

62. Observa-se que o regime de chuvas, oscilante entre
300 mm/ano (mínimo) e 800 mm/ano (máximo), faz com que cerca de
750 bilhôes de m’ de égua caiam nesse território todos os anos. Entre-
tanto, a capacidade de armazenamento de água é de apenas 36 bilhôes
dem’, mesmo com toda infraestrutura construída pelo Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Isso significa que há
uma perda média de mais de 700 bilhôes de m' todos os anos.

63. Com 70% do seu subsolo formado por rochas cristalinas,
o bioma Caatinga tem poucas nascentes e rios perenes, portanto,
poucos aquíferos. O maior deles & 6 rio Säo Francisco, que nasce no
Cercado mineiro, e é alimentado pelas aguas dos rios que nascem
no Cerrado do Oeste Baiano. Observa-se que cerca de 30% da re-
gido tem o subsolo formado por rochas sedimentares, o que favore
ce o armazenamento da ägua em aquíferos, como é o caso da regiño
do Gurgueia, no Piauí. Nesta regido, as águas subterráneas ainda

SIQUEIRA FILIO, José Alve (org). À flora das castings de Ri Sv Francis stra
ratte conserves, Y ed. io de Janeiro: Andrea Jakzbszon, 2012.

El

sáo abundantes, mesmo com a destruigäo da vegetagio, que coloca
em risco a sustentabilidade desses aquíferos. Se isso näo bastasse,
99% dos rios que cortam a Caatinga sáo intermitentes, correndo ape-
nas em época de chuva. O fato gera equívocos à populagäo em geral,
que julga serem os ríos secos um problema de falta de chuva.

64. Com o que diz respeito à fauna, o bioma da Caatinga abriga
178 espécies de mamiferos, $91 tipos de aves, 177 tipos de répteis, 79
espécies de anfibios, 241 classes de peixes, e 221 espécies de abelhas:%

1.2.3. Os povos originários e a cultura — sociodiversidade

65. Este biome, com seu clima e vegetagio, plasmou sobrema-
neira a formagäo e a vida social do povo da Caatinga. Podemos cons-
tatar uma maior influéncia das matrizes étnicas indígena e branca. Ini-
cialmente, possuiam um modo de vida pastoril, marcado pela criagáo
do boi de servigo e produgäo do couro, do qual retiravam tudo que
necessitavam, Posteriormente, este povo criador de gado sedimentou-
-se através do cultivo do algodio arbórco (mocé), espécie que desper-
tava interesse internacional, e, facilmente, adaptada ao semiárido da
Caatinga. Posteriormente, foi desenvolvida a cultura do extrativismo
das palmeiras da camatiba, a produgäo de cera e os artefatos de palha.

66. A sabedoria popular na Caatinga encontrou uma nova lógica
e meios para nela subreviver. Hoje, o paradigma da “convivéncia com
© semiárido” facilitou essa permanencia. Existem inúmeras comuni-
dades tradicionais, como as 300 associagóes de "Fechos ou Fundos de
Pasto”)? e mais de 30 naçües indígenas nesta convivéncia do clima se-
miárido com a vegetacio da Caatinga. Estas comunidades lutam pela
demarcagäo de seus territórios, o reconhecimento de seus direitos e
a plena cidadania. Aprorimadamente 40% da populagäo ainda está
20 meio rural, sendo considerada a regiäo mais ruralizada do Brasil

28. MINISTERIO DO MEIO AMBIENT, Cage. Dispontil em: emma gor befbiomast
salga Acesso cm 02708/2026,

28 Bun sa edicional de mdacomuritáia cua pesto d terra. de outs euros naturals
ilar terrenos famillres rcas de uo com

Entretanto, a ampliagäo dos centros urbanos médios e pequenos na
Caatinga crescem, como em todas as regiöes do Brasil, e padecem dos
mesmos problemas de saneamento, violéncia e outros males dos cen-
tros urbanos brasileiros.

1.24. A beleza, as fragilidades e os desafios do bioma Caatinga

67. A Caatingaé o bioma brasileiro sobre o qual setem mais desin-
formaçäo, preconceitos e estigmas. Por ser semiárido, com um período
anual chuvoso e outro seco, com secas cíclicas maiores, criou-se no
imaginário nacional a ideia do espago empobrecido, como se a vegeta-
ño estivesse morta e náo hibernada, com suas vacas mortas, © com os
fandos de lagoas esturricados. A este clima e bioma foram associadas
as tragédias humanitäria e social, acontecidas na regiño, em tempos de
estiagens mais prolongadas, As ideias do fatalismo e de uma regiño in-
viável tomaram conta do olhar e da imaginagío do Brasil e do mundo.

68, O clima seco, o sol abundante, há tanto tempo tratados como
problemas, hoje sio percebidos, pelo governo, universidades e organi
zaçôes näo governamentais, como poderosos potenciais para a gera-
50 de energía solar para o cultivo de frutas específicas (cajá, maracu-
jé umbu, licuri, caju, entre outros). A Caatinga, por ser uma vegetagáo
geralmente baixa, favorece a apicultura, É também o melhor alimento
para a criaçäo de animais de pequeno e médio porte como cabras, ove
Thas e outros adaptados ao clima semiárido.

69. A Caatinga tem sido agredida pelas queimadas e pelo desma-
tamento para plantio de culturas que raramente se adaptam adequa-
damente, como o caso do ciclo do algodáo, Lamentavelmente, a açäo
do homem jé alterou 80% da cobertura original, que tem menos de 1%
de sua área protegida, em 36 unidades de conservagäo.” Outras cau-
sas do desmatamento sáo o gado bovino solto nas caatingas, e a gera-
do de madeira para a indústria de gesso e para as carvoarias. Como €

30. Entre as less destcam-se Geografia de foe, de Josué de Castro, Os ert de Plies da
‘Ona, Vidas Secas, de Graciano Ramos.
31. Disponivel em bresllesclacontbribrasicatinga Acesso em: 6/05/2016.

3

sabido, o desmatamento gera a desertificaçäo, problema que se agrava
«e amplia pela falta de compreensáo dos mecanismos do bioma e pela
economia irresponsável e predadora.

70. Ultimamente, implantou-se em varias regides a agricultura irri
gada, que demanda cerca de 70% da água doce consumida. No entanto,
no existe um acompanhamento técnico na irrigagäo do semiárido, re
sultando em um processo de salinizaçäo do solo. Diagnósticos cientifi-
cos nos dizem que apenas 5% dos solos sáo aptos para a irrigagäo, e que
a regito dispöe de 2% da água necessäria para irrigar esses solos. Com
isto, estabeleceu-se assim um conflito pela água, näo só para o consumo
humano, mas também entre os usos económicos para a irrigagäo e a ge-
raçäo de energía elétrica, no caso específico do rio Sao Francisco,

1.2.5. Contextualizagäo politica

71, A partir da década de 90 do século passado, a sociedade ci-
vil brasileira acompanhou algumas mudangas que se processaram no
semiárido, a partir do potencial desse clima e da riqueza da Caatinga.
Estas pequenas iniciativas tém contribuido na transformagäo desta re-
{gio estigmatizada, antes considerada como uma regiäo pobre e eco-
nomicamente inviável.

72. Neste sentido, foram propostas e estabelecidas políticas de
“convivéncia com o semiárido” brasileiro. O paradigma da “convivén-
cia com o semiárido” consiste em perceber os potenciais da regiäo e
desenvolver um modo de vida adaptado a ele. Por ser um fator natural,
a seca nao pode ser combatida, No entanto, é possivel criar mecanis-
‘mos para viver bem nesse ambiente. Estas políticas deram-se através
das seguintes propostas: captagäo da agua de chuva para beber e pro-
duzir, de manejo da Caatinga, de uma agroecologia adaptada, de uma
economia e de educagäo contextualizada, na defesa dos teritérios das
comunidades tradicionais e indígenas, da reforma agrária, da valoriz
ño da cultura local, dos saberes dos povos caatingueiros, do aprovei-
tamento inteligente da energia solar descentralizada, dos ventos e de
‘outros potenciais da regiäo.

73. Nos últimos anos, o problema da falta de água atingiu vários
centros urbanos, Esta situagäo obrigou a sociedade civil eas autorida-
des políticas a vivenciarem, em outras partes do pais, os desafios en-
frentados no semiárido, sensibilizando-os a esta situacäo.

74, Em defesa do desenvolvimento sustentävel e da proposta
de convivéncia com o semiárido, surgiu uma rede de Articulacáo no
Semiárido Brasileiro (ASA), no inicio da década de 1990. Esta rede
€ formada por mais de très mil organizagóes da sociedade civil de
istintas naturezas (sindicatos rurais, associagées, cooperativas,
ONGs etc.). A ASA formulou e construiu os seguintes projetos: Um
Milhäo de Cisternas (PIMC), Uma Terra e Duas Aguas (P1+2),
Cisterna nas Escolas e Sementes do Semiárido. Estes projetos tém be-
neficiado milhöes de familias em toda aregiño, com a captagáo da agua
de chuva para consumo doméstico e produçäo económica, O resultado
foi testado nessa última grande seca de 2012 a 2015 - com a pluviosi-
dade abaixo da média em 2016, ainda -, que ainda permanece. Obser-
vaso que, jé näo se repetiu a tragédia social e humanitária de outras
épocas. Já nao se viu migragóes intensas, fomo, sede, miséria, saques e,
sobretudo, a intensa mortalidade humana, particularmente a infantil

75. Também se expandiu uma rede de infraestrutura social fun-
damental, como energia elétrica, adutoras, telefonia, internet, trans
porte, melhoria nas habitagöes, o que trouxe milhöes de brasileiros
caatingueiros para uma vida mais digna. Essas conquistas sáo fruto do
nove paradigma gestado, a partir da sociedade civil e que se denomi
na “convivencia com o semiárido”, mas também de políticas públicas
desenvolvidas nos últimos governos, além da conquista do salário
-minimo para os trabalhadores rurais.

76. Porém, näo pode ser desconsiderado que alguns problemas
permanecem. Do ponto de vista técnico, falta uma politica estrutural
que facilite a convivéncia do homem com a Caatinga, em um projeto
que viabilize a geragäo de riqueza, por uma forma sustentävel. Miui-
tas vezes, as alternativas económicas encontradas, contrárias ao pa-
radigma da convivencia com o semiárido, geram outros problemas

%

ecológicos: como a carvoaria gera o desmatamento, a queiraa do solo

gera o empobrecimento da terra para o plantio no ano seguinte, a eco-
nomia doméstica com doces das raizes dos umbuzeiros gera a baixa
resistäncia da espécie nos períodos de estiagem.

77. Constata-se também, o surgimento de carëncias estruturais
€ outros fatores de vulnerabilidade social, como a debilitada infraes-
trutura da saúdo, o problema da violéncia no campo e a presenga das
drogas nas cidades interioranas. A insegurança no campo tem afastado
as pessoas do lugar e incentivado a migraçäo para áreas urbanas, den-
tro do pröprio Nordeste. É imprescindivel que encontremos solugóes
para estos problemas, também.

78.Sáo dois os modelos a partir dos quais se pensa o desenvol-
vimento integral da regiäo: o combate à seca e o novo paradigma da
convivencia com o semiárido. O conflito entre ambos permanece e se
revela em nivel de políticas públicas e no imaginério nacional.

1.2.6. Contribuiçäo eclesial

779. Assim como se processou com a vida social, a vivéncia cris-
ti náo deixou de ser influenciada pelo bioma da Caatinga. Por muito
tempo, a vida de fé da gente da Caatinga foi marcada pela educaçäo
crista, consolidada através da memorizagäo das formulagóes da fé,
pela pastoral sacramental, pelas “desobrigas” (visitas do padre, e, espo-
radicamento, as missöes religiosas). Os sacramentos vividos pelo povo
marcavam os principais momentos da vida do sertanejo.

80. Essa religiosidade influenciou a cultura nordestina, como as
festas de Sao Joao, reisados, rodas de Sáo Gançalo e tantas outras expres-

es que unem a dimensäo religiosa com as festas populares. Há uma
maior identificagä com o periodo da Quaresma e da Semana Santa,
onde o povo vé nos mistérios da Paixäo, Morte e Ressurreiçäo de Cristo,
uma oportunidade de iluminar o seu propria sofrimento cotidiano.

81. Foialinhagem evangelizadora do Padre Ibiapina, um cearense,
quem mais contribuiu com o bioma Caatinga e a resolugäo dos proble-
mas do povo. Foi ele quem inaugurou ainda no século XIX a captagáo

a

da água de chuva nas cisternas implantadas nas Casas de Caridade, a
construgio de acudes, igrejas, cemitérios e tantas outras obras nas co-
munidades sertanejas, com a colaboragäo do próprio povo local.”

82. Seguiram seus passos homens como Padre Cicero e muitos de
seus discípulos, que souberam acolher o povo liberto da escravidäo e
remanescentes indígenas, fundando comunidades como Caldeiráo no
Crato (CE) e Canudos (BA). Esses sacerdotes e suas comunidades, tan-
tas vezes antes vistas com preconceito, hoje säo valorizadas erespeitadas.

83. Padre Ibiapina e Padre Cicero sio considerados, inclusive
pela sociedade civil, como precursores da “convivencia com o semiá-
ido’: Os mandamentos ecológicos de Padre Cicero continuam como
referéncia para milhares de sertanejos no trato com a Caatinga.

84. Mais recentemente, vérias dioceses, milhares de agentes de
pastorais, principalmente das CEBs, assumiram o paradigma da con-
vivéncia com o semiárido e participam, de forma decisiva, para a im-
plantagáo dessas tecnologias e desse novo paradigma que tanto contri
bui com a melhoria das condigöes de vida do povo.

85. Atualmento, observa-se que a vida de fé das comunidades
cristas, presentes neste bioma, é marcada pela piedade popular, que
se caracteriza pela devoçäo e pelas romarias, o que se revela no expres-
sivo número de santuários, por exemplo: Bom Jesus da Lapa (BA),
Santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertáo (CE),
Santuário de Frei Damiäo (PB), Santuärio de Santa Rita de Cassia
em Santa Cruz (RN), Santuário de Nossa Senhora do Impossivel em
Patu (RN), Santuário de Sáo Francisco das Chagas em Canindé (CE),
Santuário Sagrado Coraçäo de Jesus em Juazeiro do Norte (CE),
Santuário do Sagrado Coragáo de Jesus em Ituagu (BA), entre outros.
Näo podemos deixar de citar que, experiéncias da açäo evangelizadora,
como a Campanha da Fraternidade e CEBs, surgiram na regiäo Nordeste.

32 MAIVEZZL. Seni: Uma Viste Halo Brasil: CONFEAICREA, 2007, p.23.

3

13. Bioma Cerrado

13.1. Localizagäo

86.0 Cerrado (tratado no
plural - Corrados - por alguns
especialistas) é uma vegetagio
típica de locais com estagöes
climáticas bem definidas (uma
época bem chuvosa e outra
seca), ele compöe as regides
com solo de composigáo areno-
sa, sendo considerado o bioma
brasileiro mais antigo. Sua vege-
taçio & encontrada principal-
mente na regiäo Centro-Oeste, ou seja ele $ característico dos estados
do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, e também
faz parte das belezas da regiäo oeste de Minas Gerais e das regiües sul
do Maranhäo e do Piaut,

FONTE: AsRiguera de Cardo

87. Originalmente, esse bioma ocupava 192,8 milhôes de hec-
tares, abrangendo 13 estados da Federagio, o que corresponde a
22,65 % do território brasileiro, onde vivem 22 milhöes de pessoas.
Esta extensáo corresponde ao chamado “Cerrado Continuo” presen-
te nos estados em proporgöes diferentes: Distrito Federal (100%);
Goiás (96,6%); Tocantins (75,6%); Mato Grosso do Sul (59,3%);
‘Mato Grosso (48,3%); Minas Gerais (46,7%); Maranhäo (42,1%);
Piauf (38,6%); Sáo Paulo (30,6%); Bahia (21,4%); Rondönia (6,7%);
Paraná (2,7%); Pará (0,19%).2

88. 0 Cerrado também possui muitas áreas de interfaces com os
demais biomas brasileiros, áreas de transicio e de contato (ecótonos), 0

53 SILVA, Carlos E Muzceto.O Cerradn em ua. Apropraghoglebale esistnciasJocas Série
Pensar o Ari e cnstui 0 furuo da mao. Coronário Editora iia Ltd, 200, 28-30

E)

que eleva sua abrangéncia para 315 milhöesde hectares, o equivalente à
37% do territério brasileiro, onde vives 37 milhdes de pessoas (83,7%
na zona urbana e 16,79% na zona rural) em 1.445 municipios."

1

. Características do Cerrado

89. Compreendido como o bioma mais antigo, foi por longo perio-
do considerado inadequado para a agricultura, permanecendo como área
aberta para o gado. Estima-se a ele mais de 65 milhöes de anos, com esta
estimativa de vida e por ter 70% de sua biomassa dentro da terra, é consi-
deraclo “uma floresta de cabega para baixo"2 Uma vez devastado, segundo
alguns especialistas, no é possivel qualquer revitalizacáo.

90. As ärvores com galhos tortuosos e de pequeno porte sáo as
principais características do Cerrado; as rafzes destes arbustos sáo
profundas (propriedade para a busca de água em regides profundas
do solo, em épocas de seca); as cascas destas árvores säo duras e gros-
sas; as folhas säo cobertas de pelos; presença de gramíneas e ciperá»
ceas no estrado das árvores.

91.0 solo do cerrado caracteriza-se por apresentar cor averme-
hada, em fungáo da grande presenga de óxido ferroso. Outra caracte-
ica do solo do cerrado 6 0 fato dele aprescntar pH" baixo.

13.3. Cerrado —

‘Caixa d'água do Brasil

92. © Cerrado cumpre um papel fundamental no ciclo das águas
brasileicas, Embora nfo “produza” água, acumula as águas das chuvas
em seu subsolo poroso, principalmente as vindas dos “rios aéreos””
amazónicos, formando grandes aquiferos que abastecem inúmeras ba-
cias brasileiras. Nesse caso específico, os biomas Amazónia e Cerrado
formam uma complementagäo perfeita para a pradugäo e distribuigio

34 idem

35. Disponivel em: hupefiwemesohinlogi com.bricante.dosso_eologitelagiu bp.

6. Potencial idrogeniónico que mede gras de acidez.
30 imersas msn de vapor due que, ovadas por orcontes dear vaa peo sé ees-
[den pot gran pare cows quescontece ou wich lo do usado, Dispense em
Hop plonracustntavl all com r/notci/ambientela tne vosdores ines
svopor-d-agu-levadss-corente-a- 534365 stm

0

da água para o Brasil e parte da América do Sul. É como se o Cerrado
prestasse um “servico ambiental” de fundamental importáncia, por
isso recebe adjetivos como “Pai das águas”, “Caixa d'igua do Brasil,
“Cumeeira da América do Sul’

93. Este bioma contribui para as águas das principais bacias
hidrográficas brasileiras (4% da Dacia Amazónica; 71% da Bacia
Araguaia/Tocantins; 11% da Bacia Atlántico Norte/Nordeste;
94% da Dacia do rio Säo Francisco; 7% da Bacia Atlántico Leste e
71% da Bacia dos rios Paraná e Paraguai), contribuindo ainda em mais
25 importantes rios do Brasil *

94. Como se viu acima, grande parte das águas tem sua origem
na Amazónia, sendo recebidas e acumuladas no Cerrado, que funcio-
na como uma grande “caixa d'água”. Daf as águas sio redistribuidas
pelo terrtório nacional, confirmando assim a grande importáncia des-
te bioma no ciclo das äguas, com sua consequente preservacáo. Como
podemos pereeber o Rio Sao Francisco recebe suas éguas, quase em
sua totalidade, do Cerrado e as distribui em outras regides.

95. As Chapadas (80,4% das terras do Cerrado Continue) säo

“áreas de recarga"” de importantes aquiferos, tais como o Urucuia, o
Bambui e o Guarani.

134. Biodiversidade

96.0 Cerrado brasileiro é considerado a área de savana mais rica
do mundo devido a sua grande biodiversidade. O conjunto de todos
‘os seres vivos dessa regiäo (biota), representa $% da fauna mundial.
Este bioma possui também uma grande diversidade de tipos de ve
getais, formando 14 paisagens com características próprias que se
apresentam em formaçäo de florestas, savanas (arbustivo-arbórea e
herbácea) ou campestres.

28 LIMA, DEV: SILVA, EM. Resumos Hideo: do Bion Cerrado: impor
Its SANO, SM: ALMÉDA, SP: RISEIRO, LE Cero Ecología «For. val. Brain
imbrapa Cerradas 2008, , 94.

28 A área par ande ocore o bestecimento do squier é charac ona de recargo, que pode er
dicta ou init (Agena Nacional das Agua ANA)

a

97.A alta diversidade de ambientes se reflete em uma clovada ri-
quezadeespéciesvegetais (23.000) eanimais(320.000),sendoquedes-
tas 90.000 sáo de insetos (que representam 28% da biota do Cerrado).
Apesar da elevada biodiversidade e de sua importäncia ecológica, das
427 espécies listadas em risco de extingäo, 132 estáo no Cerrado,

1.35. Os povos originários e a cultura - sociodiversidade

98. Os povos do cerrado sao a principal e maior riqueza deste
bioma. A eles se deve a preservaçäo do que ainda resta do chama-
do “Cerrado em pé” (área no destruida). Hles estáo presentes no
Cerrado há pelo menos 11.000 anos, vivendo c convivendo com a bio-
diversidade deste bioma. Por isso, é necessário compreender a lógica
destas populaçües que habitar milenarmente"! o Cerrado, que desen-
volveram estratégias de convivencia, aprendizado e adaptacio com a na-
tureza. Nessa realidade verificam-se procesos sustentáveis (producio
‘em pequena escala, pouco capital, trabalho familiar) em uma estratégia
camponesa de viver com o suficiente sem agredir ou destruir o bioma.

99.0s indígenas, primeiros habitantes do Cerrado, conside
ados “povos originézios’, remontam a antigas “Tradigóes Ttaparica,
Una-Aratu e Sapucai” e que originaram o tronco linguístico “Macro
JE A totalizaçäo dessas populagóes indígenas chega a 44.118."

100. De acordo com estudos do antropólogo Greg Urban
(1992),* destacam dentro da familia JE os grupos: Timbira (Canela,
Krinkati, Pukobyé, Krenjé, Gaviño, Krah6), Kayapó (Kubenkranken,
Kubenkrañoti, Mekrañoti, Kokraimoro, Gorotire, Xikrin, Txukahamäe),
Xerente, Karajá, Xavante, Xakriabá, Apinayé (hoje tido como do grupo

40. MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE, n. 06/2008. Lista das Espócis de Flora Rei
amesçads de Exinglo.

41 Disponfvel em lp fou portalrad neicerrado.htm.

32 BARBOSA, AS. Andarlan da Claridade es primes hableants do Cerda, Gini: CCG
Intro Tico Subic, 200

43 pud MAZZLCIO SILVA, CE. O Cerrado em Pispuna:aropriado globale rest lo»
is Cecio Pensar Bratil~ Constr o Puro da Nacio, Brslia Conf, 2009p. 50-5)

a

‘Timbira), Suyá, Kreen-Akarôre, Kaingang e Xokleng. O tronco maior
Macro Jé incluiria ainda os Pataxós, Bororo, Maxakali, Botocudo,
Kamaká, Kariri, Puri, Ofaié, Jeikó, Rikbatsá, Guató e Fulnió.*

101. Os camponeses, junto ás comunidades indígenas, consti-
tuem os grupos importantes no Cerrado. Denomina-se camponés
aquele agricultor que possui sua autoidentidade reconhecida como
povos e comunidades tradicionais'* o que € bastante significativo no
Cerrado, onde sio conhecedores e guardides do património ecológico
e cultural deste bioma.

102. Estas comunidades tradicionais de camponeses vivem
uma relagáo harmoniosa de interdependéncia com o Cerrado. Es-
tas comunidades possuem seus direitos garantidos pela Legislacio
Federal e Internacional, como € o caso dos Decretos n. 6.040/2007 e
n. 4.887/2003, ambos da Presidencia da República do Brasil, que re-
gulamentam artigos da Constituiçäo Federal de 1988, e a Convengäo
n. 169 da Organizagäo Internacional do Trabalho (OI).

103. Outro grupo importante no Cerrado é 0 dos agricultores fa-
miliares. Mesmo náo possuindo a autoidentidade de “povos e comuni-
dades tradicionais” formam um número considerável de familias que
vivem e convivem com o Cerrado, e também possuem os sous direitos
garantidos por leis, como é o caso da Lei n. 11.326/2006.

104. Juntamente com o “povos e comunidades tradieionais” e
agricultores familiares temos também no Cerrado grupos de assenta-
dos, acampados e extrativistas, que lutam pela desapropriaçäo de áreas
para fins de Reforma Agrária e pela criaçäo de Unidades de Conserva-
ño de Uso Sustentável (UCUS).

44 dem,

48. Sho os Geralacirs (norte de Minas Haha}, Geraiesnscs (Genus de Bass MA), Retires
rca alados do Araguaia MT), aerator e Vasoneitos (da beta e ias do io So
Frandsen MG) Quabradeiraséecnco(Zorades Cocal/MA, le TO) Paranelr0S{MT € 5,
Carponeses ds os (ul do Macano) Qutlombols, ossees, Vars, Vereis €
ubetinos (e longo dos sis So Francisca, Grunde e Poraná), Capes (o Tinga
Múneiro e Sto Palo) Setaneles(nerte de Minas, Dahl, Maraahte e Piu).

43

105. Todas estas populagóes que tem sua vida ligada à do
Cerrado e sáo aqueles que verdadeiramente buscam a preservagäo
deste bioma, contribuem com sua existéncia e agäo com outras popu-
lagöes que vivem nas grandes concentragóes urbanas e que dependem
das águas do Cerrado, cuja preservaçäo está ligada à preservaçäo do
seu solo, sua fauna e sua flora.

1.3.6, A beleza, as fragilidades e os desafios do bioma Cerrado

106. 0 fato de abastecer bacias hidrográficas que pendem para
todas as regidos brasileiras, faz com que o Cerrado tenha a particulari-
dade de abastecer a bacia do rio So Francisco.

107.Sem o Cerrado o destino dos rivs que dele depende tem
seu futuro ameacado. Um bioma tio antigo mostra-se frágil em sua ca-
pacidade de resisténcia e regeneragäo. A mao humana pode extinguir
rapidamente um dos biomas mais antigos da face da Terra.

1.3.7. Realidade política e os desafios do Cerrado

108. Muitas áreas do Cerrado, que sao fundamentais para a
Conservagäo da Biodiversidade e dos Recursos Hídricos, tem sido
palco de disputas entre o agronegócio e os povos originärios e comu-
nidades tradicionais que habitam secularmente este bioma e tem suas
vidas vinculadas à existéncia do mesmo. De acordo com dados do
Ministério do Meio Ambiente (MMA), tais áreas estáo sendo ocupa-
das e explorada de forma desordenada pelo agronegócio%

109. Como pretexto da defesa e preservasio da Amazönia, avan-
a sabre o Cerrado a ocupagio desordenada em vista da exploragáo
económica, com a destruiçäo da biodiversidade e ameaça à vida e à
cultura dos povos originários e comunidades tradicionais. Ignora-se
o significado de sua riqueza natural e a importáncia dos povos que ali
habitam, bem como o seu valor ambiental no conjunto do território
brasileiro e na preservaçäo do “ciclo das águas”.

46. MINISPEKIO DO MBIO AMBIENTE. Plano de Ao pura a previo e conta de dem
arnt e ds queimadas: errado, 202, p. 45.



110, Diante da crise da agua estabelecida no territörio brasilei-
xo, devido à deflorestagäo, e tendo em vista uso de seu potencial, tem
se falado na transposigän das águas do rio Tocantins para o rio Sáo
Francisco. É uma obra pensada, na verdade, com a finalidade de ir-
rigar milhöes de hectares do chamado MATOPIBA. Este modelo de
desenvolvimento em curso no Brasil tem sido questionado no mundo
inteiro, por deixar atrás de si um rastro de territörios desertificados.

111.0 Governo Federal, pressionado pelo agronegócio, atra-
vés do Ministério da Agricultura, em maio de 2015, instituiu o
Decreto n. 8447 que constituía o território chamado “MATOBIPA”
ele está comprendido por partes dos estados do Maranhio,
‘Tocantins, Piaui e Bahia (de onde se retiram as iniciais para compor a
expressáo “MATOBIPA’).

112.05 critérios utilizados para a criagio do “MATOPIBAY,
que abrange 337 municipios e 31 mierorregiöes em um total de
73 milhdes de hectares, foram dois: asáreas do Cerrado existente nos
quatro estados citados e os dados socioeconómico destas regidos,
seu principal objetivo era a ampliaçäo da classe média rural, por isso,
0 investimento oficial em infraestrutura, inovagäo e tecnologia pre-
visto em sua criagäo.”

113. O que se esconde por detrás das palavras é a exploraçäo dos
solos e das águas do Cerrado para o agronogécio. Esta é uma das situa-
ies preocupantes, pois o monocultivo, típico do agronegócio, exige o
desmatamento de grandes áreas, por isso, sequestram a terra dos “po-
vos e comunidades tradicionais’, compactam os solos, modificam sua
química e consequentemente a sua vegetaçäo, alóm de alterar o regime
das águas, trazendo efeitos danosos a todo território brasileiro.

47 GOVERNO FEDERAL. Ministero da Agricola. Montre Inga Plano Matnpi nen
art fra, em mas 120812015, Diane cmo Pi agrculeagovbripolía
“agreclafnoico/2015/05/minicte laca plo sop neta guar las palos
Acesso em: 1605/2016

6

114. Para muitos especialistas, a situagäo do Cerrado parece no
er mais retorno e os rios dele dependentes (como o rio Sáo Francisco)
caminham para fim inexoravelmente definido. Portanto, aos povos e
comunidades tradicionais, bem como os demais grupos que ali vivem,
resta a osperanga, que neles estäo viva, com a possibilidade de buscar
saidas que mudem tal desfecho:*

115. Este desejo e esta esperanga näo devem ser somente dos
povos e comunidades tradicionais do Cerrado brasileira, pois todo
0 Brasil, assim como os demais países da América Latina ~ princi-
palmente o Cone Sul - necessitam deste “servigo ambiental” que o
Cerrado realiza através de sua vegetaçäo e solo, para receber, arınazc-
nar redistribuir as águas. Um exemplo claro das consequéncias atuais
dessa interferencia danosa no Cerrado é a perda de umidade relativa
do ar na regido Centro-Oeste, uma vez que nao existem mais árvores
com sua respectiva evapotranspiracáo em grandes áreas. Conforme já
informado, o Cerrado, uma vez destruído náo se reconstitui.

1.38, Contribuicáo eclesial

116, Seguimentos e organismos ligados à Igreja Católica, como a
Conferéncia dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Comissäo Pastoral da
“Terra (CPT), bem como a atuagäo de algumas dioceses, tem transfor-
mado realidades em várias partes do estado. Destacam-se:

1) Grupo Cerrado

+ Buscando desenvolver a consciéncia critica e uma espiritualida-
de ecológica;

+ Elaborando material popular para grupos, comunidades e movi-
mentos visando despertar a preservagäo ambiental;

+ Atuagáo em favor da aprovagio da Proposta de Emenda
Constitucional - PEC 115/150, queincluio Cerrado ea Caatinga
como Patrimónios Nacionais;

8 SIQUEIRA FILHO. José Alves (org) A loa as cauinges do Rio Sao France str ne
tal econservsio 1. ed Rio de Janeiro: Anes fkobsson, 2012.

46

Promosáo de encontros com reflexdes bíblicas, que motivam a
conscientizagio ambiental;

Estudo e aprofandamento dos aspectos do bioma Cerrado;
Parceria com o Ministério do Meio Ambiente na producio de
material didético popular com o tema do Cerrado;

Integragäo com a Rede Grita Cerrado do Estado de Goiás;
Fomentara participagáo no Fórum Goiano em Defesado Cerrado,

2) Encontro “O grito do Cerrado: sabores, saberes e fazeres
dos povos” - Cidade de Goiás, que visa:

Promover a valorizagäo pessoal e coletiva dos povos e proporcio-
nar o intercámbio entre cidade e do campo;

Promover o acesso A informagäo sobre alimentagäo e sustentabi-
lidade, com destaque para os mananciais de água, em contrapon-
to ao desmatamento e uso de agrotéxicos;

Uma maior conscientizagäo para a proteçäo do Cerrado, sua bio-
diversidade e suas éguas, por meio da protegáo da cultura das po-
Pulagöes tradicionais e suas relagdes saudáveis com o ambiente;
Difundir o trabalho das Farmácias Populares de Plantas Medici.
nais (Farmacinhas);

Aprofundar o conhecimento cultural através de palestras, ex.
posigöes fotográficas e oficinas, ou do contato direto com vio-
leiros, fiandeiras, raizeiros, plantas medicinais, artesanatos, pro-
datos da agricultura familiar, distribuigáo de sementes e mudas
nativas do Cerrado;

Formar parcerias de trabalho com a Comissäo Pastoral da Terra e
a Pastoral da Saúde, tendo em vista a recuperagäo de nascentes e
a implementaçäo de hortas e quintais agroecológicos.

3) Encontro: “Tenda dos Povos do Cerrado”

Fortalecer e dar visibilidade as experiöncias dos povos e comuni-
dades do Cerrado, como representantes da sociobiodiversidade,
conhecedores do património ecológico e cultural;

47

+ Promover o intercámbio entre as comunidades, criando espacos
de debate, formagäo e práticas em defesa do bioma Cerrado;

+ Conscientizara sociedade sobre a importäncia do Cerrado, unin-
do campo e cidade na Campanha em Defesa do Cerrado, o berço
das águas do Brasil.

1.4. Bioma Mata Atlántica

1.4.1. Localizagäo —

117.A Mata Atlántica +=
abrangia uma área equiva- :
lente a 1.315.460 km? e es- ©
tendia-se originalmente ao
Tongo do que hoje säo 17 es-
tados: Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná, Sio
Paulo, Goiás, Mato Grosso
do Sul, Rio de Janeiro, Minas
Gerais, Espirito Santo, Bahia,
Alagoas, Sergipe, Paraíba,
Pernambuco, Rio Grande do
Norte, Ceará e Piauf.?

118. Hoje, restam 8,5% de remanescentes florestais acima de
100 hectares do que existia originalmente. Somados todos os fragmen-
tos de floresta nativa acima de 3 hectares, temos atualmente 12,5%.
É uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameagadas do
planeta e também decretada Reserva da Biosfera pela Organizacáo das
Naçôes Unidas para a Educagáo, a Ciéncia e a Cultura (UNESCO) e
Património Nacional, na Constituigäo Federal de 1988.

119.A Mata Atlántica era originalmente densa, extensa e rica
de variedade animal e vegetal, além de campos de altitude, mangues

49 SOS MALA AILANTICA, A tata Arldmica.Disponivl em: hs Jive ong bros
‘su esas mat lama, Acesso em: 16/03/2016.
50 Hen.

a

+ restingas. Entretanto, desde o descobrimento do Brasil que ela vem
sendo destruída, o pau-brasil, característico dela, foi o principal alvo
de extraçäo e exploraçäo dos exploradores que colonizavam o Brasil e
hoje está praticamente extinto,

120. Após a derrubada da mata, vieram as plantagóes que fo-
ram responsável pela destruigäo em massa da vegetagáo nativa, por
isso, resta uma área muito pequena para a preservagäo de espécies
que estäo em risco devido a poluicio ambiental ocasionada pela
emissäo industrial de agentes nocivos à sua sobrevivéncia como por
exemplo no municipio de Cubatáo (SP); mais ao sul, naregiäo Sul, a
exploraçäo predatória da Mata Atlántica devastou o ecossistema da
Floresta das Araucérias devido ao valor comercial da madeira pinho
extraída da Pinheiro-do-parand.

121.0s relatos antigos falam de uma Horesta aparentemente
intocada, apesar de habitada por varios povos indígenas com popu-
laçôes numerosas. Hoje, a concentraçäo urbana na Mata Atlántica
abriga a maioria das nossas capitais litoräncas c regiöes metropolita-
nas, por isso a necessidade de atençäo em relagäo As políticas públicas,
principalmente de saneamento básico, que nao tem sido priorizadas
pelos agentes politicos ou administradores públicos dos mais de trés
mil municipios que compôem o bioma Mata Atlantica.

1.4.2. Características naturals - biodiversidade

122. A Mata Atlántica ainda guarda riquezas naturais: tem po-
der de regeneraçäo. As iniciativas de preservar o que resta e tentar
regenerar o mínimo para náo faltar água, regular o clima, aínda é uma
esperança viva.

123. Vives na Mata Atlántica mais de 20 mil espécies de plan-
tas, sendo 8 mil endémicas (que existe somente em uma determinada
área ou regiäo geográfica); 270 espécies conhecidas de mamíferos;
992 espécies de aves; 197 répteis; 372 anfibios; 350 peixes.

124.Scus servigos ambientais so inumeráveis e essenciais:
estio ali sete bacias hidrográficas brasileiras; regulagem do fluxo de

»

mananciais hídricos; controle do clima; fonte de alimentos e plantas
medicinais; lazer, ecoturismo, geraçäo de renda e qualidade de vida.

125.A pressäo sobre a Mata Atlántica € histórica, ao longo do
tempo muda de aspecto e aumenta em intensidade. Comega com a
extragáo de pau-brasil, passa por vários ciclos económicos de cana:
de-asticar, café, ouro, fumo. A devastagäo quase total das araucárias
ocorreu a partir do sec. XX: a intensa exploragáo da agricultura e
agropecuaria; exploracio predatória de madeira e espécies vegeta;
a industrializagño; expansio urbana desordenada; poluigáo do ar, das
águas, dos solos, com sua compactacio e impermeabilizagáo que gera
enchentes a cada chuva mais intensa.

126. À costa brasileira é também o lugar da beleza, do lazer, para
milhôes de brasileiros e turistas que vem desfrutar de suas areias, suas
pralas, seu sole seus pratos característicos. Nela há ecossistemas mu
to particulares, que dizem respeito a inúmeros servigos ambientais,
sociais e económicos, principalmente para as populagóes praieiras.
Sao os manguezais.

127. Os manguerais, que compöem o bioma Mata atlántica, tém
um papel especial para o planeta, espécies e muitos povos no Brasile no
mundo. Os manguezais possuem importäncia ecológica de grande re-
leväncia para a manutengäo da vida marinha, principalmente por pos-
sibilitar a transformagäo de nutrientes em materia orgánica, gerando
vida, alimento, protegäo e intimeros servigos 20 meio ambiente e à hu-
'manidade, Os manguezais, por estarem estabelecidos em áreas abriga-
das, apresentarem alta produtividade, io considerados como bergärios
naturais para muitas espécies de moluscos, crustáceos, peixes, répteis e
aves, garantindo o crescimento e sobrevivencia desses organismos

128, Vale destacar que os manguezais sio designados como Áreas
de Preservagäo Permanente (APPs) devido à sua grande importancia
ambiental. Contudo, a conscientizagio sobre a utilizagäo desses re-
‘cursos naturais, que em muitos casos, so condigóes de sobrevivéncia,
deve ser assumida por bomens e mulheres que habitam no mundo e
cuidam da criacio, como processo de conversäo pessoal e social.

1.43. Os povos originários e a cultura - sociodiversidade

129. Originalmente, ocupavam esse imenso territério litorá-
neo povos como Tamoio, Temininó, Tupiniquin, Cactés, Tabajara,
Potiguar, Pataxó e Guarani que foram os primeiros a sofrerem com
a chegada dos colonizadores. Os brancos, além de espalhar doengas,
usaram os indios como soldados nas guerras contra os invasores e
como escravos. Muitas etnias foram extintas e as que sobreviveram.
sofrem as pressôes da civilizaçäo® Os remanescentes dos Guarani,
Pataxó e outros, ainda hoje enfrentam problemas na defesa de seus
territórios e na defesa de seus direitos como seus ancestrais.

130. Nesse espago existem populagóes praieiras, quilombolas,
remanescentes indígenas, os “caigaras’, além da imensa concentragäo
populacional urbana.

131. Milhares de comunidades tradicionais pesqueiras no Brasil
dependem dos manguezais para sua reproduçio fisica e cultural.
A busca diäria pelos meios de vida se estabelece a partir de uma pro-
funda e complexa afinidade entre homem/mulher/natureza resul-
tando na composigäo de um rico património ecológico e cultural.
Os grupos humanos (pescadores/as, indígenas, ribeitinhos/as, caiga-
ras, quilombolas etc.) que interagem com os manguezais diretamente
io integrantes dos povos e comunidades tradicionais.

132. Para as comunidades pesqueiras, o manguezal náo é apenas
um lugar do qual se retira sustento, ou seja, náo € apenas um bem eco-
nómico, mas faz parte dos seus territórios pesqueiros. É uma espécie
de lugar sagrado que tem um valor simbólico muito forte. Existe uma
consciéncia ecológica resultante de valores ancestrais de matriz afri-
cana e indigena, mas harmonizada pelo e com o catolicismo popular.
Há um rito de profundo respeito as águas, a lama, ao cheiro, a fauna e
a flora existentes nos manguezais de modo que se institui uma lingua-
gem pröpria e uma cosmovisio específica da criagáo.

APREMAVL Moradors de Ma. Disponis en: up Fur rrmas og bem tan
cafeaenodo a mata/marademe.da-matal, Aces em: 15/03/2016,

s

133. Entre as interferéncias no processo cultural do bioma Mata
Atlántica, estäo as empresas nacionais e transnacionals eingidas ao
setor de produgäo de papel e celulose. Blas, preocupadas com o mer-
cado, investem na monocultura do eucalipto, escamoteiam os impac-
tos socioambientais dessa monocultura e estáo transformando as pai-
sagens em vários estados como Bahia, Minas Gerais, Säo Paulo, Rio
Grande do Sul, Maranhäo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul dentre
outros em “deserto verde”,

134. Além do deserto verde, outra motivaçäo do mercado que
interfere no bioma Mata Atlántica, principalmente com desmata-
mento e prejufzos A vegetaçäo, sto as mineradoras e as construcóes
de hidrelétricas, os argumentos de seus defensores seguem o mesmo
padrio, ou seja, o desenvolvimento de matrizes elétricas limpas, desta
forma, se esconde ou minimiza os impactos destes projetos faraónicos
que tem causado prejuizos irreparáveis an meio ambiente.

135. Outra situagäo preocupante € que uma grande parcela do
que resta de Mata Atlántica esta na mao de proprietários particulares,
por isso € tio essencial incentivar entre eles mecanismos de protegáo
destes remanescentes florestais, caso contrério tudo o que foi “guarda-
do” e é defendido pelos pavos originários, corre perigo.

144. Abeleza, as fragilidades e o desafias do bioma Mata Atlántica

136. Projeto de Lei da Mata Atlantica, (Lei n. 11.428, de 2006, e
o Decreto n. 6608/2008 ~ Ministério do Meio Ambiente) que regula
menta ouso e a exploraçäo de seus remanescentes florestais e recursos
naturais, tramitou por 14anos no Congresso Nacional e foi finalmente
sancionado em dezembro de 2006.

137.0 Brasil já tem mais de 1.100 Reservas Particulares do
Patriménio Natural (RPPNs) reconhecidas, sendo que mais de
760 delas estao na Mata Atlántica. Das 633 espécies de animais amea-
adas de extingäo no Brasil, 383 ocorrem na Mata Atlantica”

52 SOS MATA ATLANTICA. tata Ant. DA
canica asii, Acesso er: 1603/2

rl en sie nemnaonghuinas

52

138. Junto com a imensa concentragäo populacional - as gran-
des cidades como Säo Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Porto
Alegre e outras - vieram imensos problemas; desmoronamentos, falta
de saneamento básico, a concentragäo urbana rápida e sem planeja-
mento, causou ocupaçäo de áreas de risco, de mananciais, encostas de
"morros, compactou os solos, mudou o clima ea qualidade do ar pelos
gases das indústrias e dos veículos movidos a combustiveis fósseis

139. Os servicos urbanos ligados ao saneamento básico — abas-
tecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, drenagem da água
de chuva, manejo dos resíduos sólidos - náo chegam as suas imensas
periferias, ou, quando chegam, sio de qualidade ruim. Esses fatores re-
metem a Campanha da Fraternidade Ecuménica de 2016 com o tem
“Casa Comum, nossa responsabilidad”

140. Também sao espagos das indústrias, do setor de servigos,
dos empregos da populagäo, da geragäo de riqueza e renda. So as cone
sequéncias de um modelo de desenvolvimento que para gerar riqueza
tem que concentrar pessoas e destruir o ambiente no qual se insere.

1.4.5. Contextualizacáo política

141. Todo esse patrimônio ecológico e cultural está amcagado
pelo avango dos grandes empreendimentos económicos sobre osterri-
tórios tradicionais pesqueiros. A falta de consciéncia ecológica de uma
parte significativa da populagäo brasileira, a omissáo e/ou conivéncia
do poder público, a ganáncia capitalista tem provocado a degradacio
do meio ambiente e a expulsäu de diversas comunidades.

142. A atividades de criaçäo de camario em cativeiro, conhecida
como carcinicultura, contamina o lengol freático e saliniza as águas, o
que tem levado dezenas de comunidades a situaçäo de colapso d'igua.
Para além desses impactos, esses empreendimentosimpedem o acesso
dos pescadores e pescadoras ds áreas rotineiras de pesca, causando um
maior esforgo de deslocamento, intensificando doengas acupacionais.
Principalmente as marisqueiras, que muitas vezes carregam mais de
40 quilos de mariscos com casca em suas cabeças.

3

143, Em 2012, o Congresso Nacional aprovou o novo Código
Florestal, instrumento jurídico que regulariza áreas de protegáo per-
manente, como margens de rio etc. Nessa nova formatacio foi retirada
dessa categoria áreas de apicum e salgado (ecossistema associado que
&banhado porágua em marés cheias), que eram anteriormente consi-
deradas ecossistema manguezal, com essa mudança, passou a ser per-
mitida a instalagáo de projetos de carcinicultura nessas áreas tornando.
ainda mais frágeis a protegäo aos mangues.

144, auséncia de saneamento básico € outra grave ameaca.
Grande parte dos esgotos das residencias de áreas urbanas e rurais é
despejada diretamente nos rios, no mar e nos mangues, como também.
resíduos que näo säo descartados corretamente, causando um alto ni-
vel de poluigáo que compromete o equilíbrio do ecossistema.

145. Entre as inúmeras posibilidades de atividades económicas
que implicam na destruigäo do meio ambiente, está a utilizagáo de
plantas para a produgio de remédios, matéria-prima para a produçäo
de vestimentas, corantes, esséncias de perfume, insumos para a indüs-
‘ria alimenticia e exploragäo de árvores para a producáo de méveis.

146. A falta de comprometimento político em relaçäo 20 uso e ao
cuidado com a água, bate ás portas da sociedade brasileira, inclusive
nosúltimos anos a regiäo Sudeste tem sido o grande palco dessas cons
tatagöes. As justficativas sio as mais diversas, inclusive com atribui-
<ôes de responsabilidades av criador, sobre o desmando do homem em
relagáo aos mananciais e bacias hidrográficas do bioma Mata Atlántica.

147.Na Mata Atlantica estáo localizadas sete das nove grandes
bacias hidrográficas do Brasil, alimentadas pelos rios Sáo Francisco,
Paraíba do Sul, Doce, Tieté, Ribeira de Iguape e Paraná. As florestas
asseguram a quantidade e qualidade da agua potivel que abastece
mais de 110 milhöes de brasileiros em aproximadamente 34 mil mu-
nicipios inseridos no bioma.

148. Por fim, nos solidarizamos com as diversas iniciativas pro

vocadas pela sociedade civil, ONGs e consórcios de culturas agri
colas que propóem o plantio com espécies arbóreas que podem ser

se

utilizadas para restaurare recuperar as áreas degradadas, Sao iniciativas
que além de minimizar os impactos provocados pelo uso de agrotóxi-
cos, demostram comprometimento com a criagäo e com o Criador,

14.6. Contribuigäo eclesial

149. A evangelizagäo chegou junto com os primeiros colonizado-
res, embora esse seja um processo contraditório em nossa história. Inú-
meras cidades da Mata Atlántica carregam a marca da Igreja: Salvador,
Olinda, Recife, Sao Paulo, Rio de Janeiro, Mariana e muitas outras.

150. Com a chegada dos primeiros missionärios jesuftas, Padre
Manoel da Nóbrega, José de Anchieta e outros, deu-se inicio ao pro-
cesso de aldeamentos, a construgäo de conventos e colégios. Outras
ordens religiosas e congregagöes deram a sua contribuiçäo, os francis-
canos, beneditinos, carmelitas etc. Vemos assim, que sempre houve
‘uma relagäo intensa com as populagóes indígenas, negras e brancas.

151.Com o caminbar da história da Igreja, no bioma Mata
Atlántica, grande é sua contribuigäo na defesa da vida dos povos ori-
givários e na defesa deste bioma. Nao podemos deixar de lembrar das
pastorais sociais com atuagio nos diversos seguimentos da sociedade,
defendendo a vida, nas diversas instáncias em que ela éameagada pelo
modelo económico em desenvolvimento.

152. A luta pela terra constitui um caminho de cuidado e respon-
sabilidade com a criagío. Os frutos destas conquistas sáo os alimentos
que hoje chegam na maioria das mesas brasileiras, eles säo os resul-
tados do trabalho dos pequenos produtores, camponeses e comuni-
dades ribeirinhes que se mantém vivas com a agricultura familiar, e a
Igreja muito contribuiu e contribui para isso,

5

1.5. Bioma Pantanal

1.5.1. Localizagán

153.De acordo com o |
Ministério do Meio Ambien-
te, o bioma Pantanal $ consi-
derado uma das maiores ex-
tensöes timidas continuas do
planeta. Este bioma continen-
tal é considerado o de menor
extensáo territorial no Brasil,
entretanto este dado em nada
desmerece a exuberante ri-
queza que o referente bioma
abriga. A sua área aproximada

€ 150.355 km? e ocupa 1,76% da área total do território brasileiro,

154. Situado dentro da Dacia do Alto Paraguai, o bioma Pantanal
$ considerado como Reserva Biosfera e património Natural Mundial
pela UNESCO. Seu territério envolve très paises sendo 70% dessa
planicie no territörio brasileiro (nos estados do Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul), 20% na Bolivia e os outros 10% no Paragua.

155. Os ios que abastece o Pantanal sio provenientes de regióes
bemaltas e, porisso, as águas acumulam-se facilmente, transformando o
Pantanal em uma grande planicie de inundaçäo, principalmente no pe-
riodo chuvoso.

1.5.2. Caracteristicas naturais - biodiversidade

156. O Pantanal tem uma das maiores extensöes úmidas contí-
nuas do mundo, com grande beleza e rica biodiversidade. O ecos.
tema mantém boa parte da sua cobertura vegetal nativa, cesponsável
pela permanencia de espécies que, em outros biomas, já se mostram

em extingäo. Sio cerca de 3,5 mil espécies de plantas, 124 espécies de
mamiferos, 463 espécies de aves e 325 espécies de peixes 9

157.0 Pantanal é uma grande área continental inundével e, a
cada ano, grandes regióes dele mudam de hábitats aqusticos para ter
restres e vice-versa, As chelas ocupam cerca de 80% do Pantanal. Em
contraste, durante a estiagem, grande parte da área inundada seca,
quando a água retorna para o leito dos rios ou evapora.

158. “Ele depende da manutengäo do ciclo hidrológico, que
permite o subir e baixar das águas e a inter-relagäo entre as espécies.
“0 ciclo de inundagio do Pantanal é regido pelas chuvas em toda a
Bacia do Alto Paraguai, no período de setembro a janeiro no norte do
Pantanal e novembro a margo na porgäo sul. Qualquer mudanga nesse
ciclo compromete os ecossistemas e modifica toda essa paisagem’*

159. Nesta regiäo, encontra-se grande variedade de espécies vege-
fais da Amazónia, do Cerrado, e do Chaco Boliviano, Nas planicies (re-
gjáo que alaga na época das cheias) domina uma vegetagäo de grami-
neas. Nas regióes intermediárias, desenvolvem-se pequenos arbustos
e vegetagäo rasteira, Já nas regiöes mais altas, ärvores de grande porte.

1.53. Os povos originários e a cultura - sociodiversidade

160. “Quando chegaram os primeiros colonizadores europeus,
o Pantanal já era ocupado por importantes povos indígenas de varias
etnias. Somente no Mato Grosso do Sul, 1,5 milhöes de indígenas ha-
bitavam a regiäo: Guaraní, Guató, Ofayé, Kaiapó Meridional, Payaguá,
dentre outras. Atualmente, os Payaguá estäo extintos e os Guató tem
uma populasáo que náo ultrapassa 400 pessoas, A maioria vive em
uma área indígena do Pantanal, porém alguns optaram por viver em
cidades da regiao ou trabalhar nas fazendas"

53 ICMDIO. Pantanl, Dispanivel em: hp vi
xojtiomas brascco/pantanal,

54 As informes enc apersentudas sobre obion Panda, suso cnrctrísicas localiza
ño, olezas e Fagiiändes tem por base o Almanaque Socicambiental ed. 2008. Dispense
{ex wwnsochambienalorg

55 Mem,

a goxbriportl/unidacesdeconsrva

7

161. "Por volta do século XIX, além dos colonizadores euro:
peus, desbravadores da regiäo Sudeste, impulsionados pela descober-
ta do our, chegaram à regiäo de Cuiabá — MT, iniciando um novo
processo de ocupaçäo”#

162. A miscigenagäo provocada pelo processo de ocupagäo mais
recente resultou em uma cultura que abriga caracteristicas das diver-
sas etnias indígenas, populagöes ribeirinhas, populaçôes originärias de
outros estados brasileiros e países vizinhos (principalmente Bolivia e
Paraguai). A materializagáo dessa “cultura pantaneira” pode ser exempli-
ficada pelas festas religiosas - como a festa de Sin Scbastiäo, pelas mú
sicas e dangas, pela culinária, pelo artesanato, sobretudo em cerámica.

163.0 homem pantaneiro descende dos bandeirantes e dos ga-
rimpeiros que, no século XVIII, viajavam em canoas, através dos rios
Tieté, Paraná e Paraguai, desde o interior de Sao Paulo, em diregäo ás
minas de metais preciosos da regiño de Cuiabä. Ele traz consigo ele-
mentos culturais do bandeirante portugués, do sertanista paulista, e
dos indios, de quem recebeu habilidades ev conhecimento da natureza.

164.0 povoamento da regiäo resultou de miscigenagäo dessas
populagóes. Hoje, a populacáo no Pantanal brasileiro & de aproxima
damente 1.100.000 pessoas. Na Bolívia se estima 16.800 habitantes e,
no Paragua, 8.400 habitantes. As principais cidades brasileiras inse-
idas na planicie brasileira, dez no total, possuem populagóes que va-
riam desde 15.369 habitantes em Porto Murtinho (MS), até 551.350
habitantes, em Cuiabs (MT).”

165. O território dos Kadiweu/Ejiwageji, que fica em Porto
Murtinho (MS), é uma extensa área demarcada de aproximada-
mente 550 mil hectares. Os indígenas mantém uma vigilia de resis-
téncia para garantir o seu território afastando o assédio dos fazen-
deitos da regiño, que tentam se apossar destas terras, incluindo as
propostas para arrendar as terras.

55 Wem,
57 IBGE. Censo 2010 Disponivel em: hupe/conso2010 bye guet,

El

166. Outro grupo em permanente luta sáo os Terenas que estáo
na cidade de Aquidauana e Miranda. Estes grupos estäo em um pro-
cesso de retomadas, ocupagöes de fazendas dentro de seus territórios
ancestrais, que hoje estáo nas máos de farendeiras ligados a grupos
políticos do Mato Grosso do Sul, lugar de muitas ameagas e de as-
sassinatos. Já dos indígenas Guató (Índios Canoeiros do Pantanal),
restam poucas familias.

167. É importante que se entenda, que a luta dos povos indige-
nas náo é da terra pola terra, que poderia ser em qualquer outro lugar,
mas se lutam por determinadas regiöes o fazem, porque estes territó-
rios tém valores que näo säo puramente económicos, mas sio princi-
palmente espacos ancestrais. Sendo assim, preservar estes espagos sig-
nifica preservar a identidade, a memória, a cultura e a fé destes povos.

168. Finalmente, também há as comunidades tradicionais e ri
beirinhas que resistem dentro do Pantanal, cujas informagóes de suas
demandas sáo dispersas e pouco divulgadas.

1.54. A beleza, as fragilidades e os desafios do bioma Pantanal

169."ObiomaPantanaltemqualidadesambientaisespecificas por
ser uma “ecorregiäo” onde encontram-se o Cerrado (leste, norte e sul);
o Chaco (sudeste); a Amazónia (norte); e o Bosque Seco Chiquitano
(noroeste). A convergéncia e presenga de distintos biomas, somadas
ao varidvel regime de cheia e seca, conferem particular diversidade e
variabilidade de espécies. A taxa de endemismo é relativamente baixa,
porém as características múltiplas possibilitam a interagäo entre mate-
rial genético de animais e plantas de maneira muito particular. Por ser
comprendido como a ligaçäo entre as duas bacias da América do Sul,
do Prata e Amazónia, o Pantanal funciona como corredor biogeográfi-
co, promovendo a dispersäo da fauna e Mora"

170. “Durante a cheia, os rios, lagos e riachos ficam interligados
por canais e lacunas ou ‘desapareceny’ no ‘mac’ de aguas, permitindo

58 CAMPANILL Maura Bet Ricardo Almanague Bras Socicnle nal 208, tora: nto
Socivenbiental. Dispouivd en: wewanciounbieuleong,

5

0 deslocamento de espécies. Esse processo é um dos prineipais res-
ponsáveis pela constante renovaçäo da vida e pelo fornecimento de
nutrientes. Na época da seca, formam-se entáo lagoas e corixos isola-
dos, os quais retém grandes quantidades de peixes e plantas aquíticas.
Lentamente esses corpos d'água vio secando, o que atrai aves e outros
animais em busca de alimentos promovendo espetacular concentra-
ño de fauna. Coincide, em algumas regidos, com a Morada de várias
espécies, provocando cenários de rarissima beleza. Vale lembrar que
o Pantanal € uma das áreas mais importantes para aves aquáticas e es-
pécies migratórias, como abrigo, fonte de alimentacáo e reprodugio"

171. As principais atividades económicas desenvolvidas na pla-
nicie pantaneira slo a pecuäria, à pesca, o turismo, a extragäo de mind-
riosea agricultura,

172. A pocuária nao sustentável, a monocultura da cana-de-agú-
care da soja e a contaminagäo de solos e dos recursos hídricos com in-
sumos agrícolas sáo pontos de alerta. Qualquer impacto negativo nas
nascentes e cabeceiras dos rios pode, por exemplo, alterar de forma
drástica toda a planicie inundävel.

173. A pecuária é atividade económica que se tornou a mais
significativa e se estende do planalto das bordas da bacia até a pla-
nicie alagivel. Com um rebanho estimado em 16 milhöes de cabe-
sas de gado — 16 cabegas de gado para cada habitante - estabelece
o padráo de acupacio do espago geográfico e determina a cultu-
ra pantaneira, além de muitos dos impactos ambientais na regiäo,
Desmatamento, queimadas e assoreamento de rios sño alguns dos
problemas relacionados com a atividade, quando a mesma náo 6
praticada com responsabilidade,

174.A expansio desordenada e rápida da agropecuária, com a
utilizagäo de pesadas cargas de agroquímicos, a exploraçäo de diaman-
tes e de ouro nos planaltos, com utilizagäo intensiva de mercério, so

39 Wem,

respansiveis por profundas transformagöes regionais. Algumas delas
vêm sendo avaliadas pela Embrapa Pantanal, como a contaminagio de
peixes e jacarés por mercürio e diagnóstico dos principais pesticidas,

175.A remogäo da vegetagäo nativa nos planaltos para imple-
mentagio de lavouras o de pastagens, sem considerar a aptidáo das
terras, ea adoçäo de práticas de manejo e conservagäo de solo, além da
destruigäo de habitats, so fatores que aceleraram os processos erosi-
vos nas bordas do Pantanal. A consequéncia imediata tem sido o asso-
reamento dos rios na planicie, o que tem intensificado as inundagdes
= com sérios prejuízos á fauna, flora e economia do Pantanal.

176. Nos últimos anos, o Pantanal tem sido objeto de diversas
agóes do poder público associado a interesses empresariais de gran-
des impactos negativos, tais como a construçäo da hidrovia Paraguai/
Paraná, a instalaçäo de Zonas de Processamento de Exportagáo e a
construgáo de hidroelétricas e uma política de pesca prejudicial ás po-
pulagóes da regiño.*

177. Os recentes esforgos de redugäo das emissöes de CO, pela
expansio da produgäo de alcool biocambustiveis em geral aumentam
a preocupaçäo a respeito de seus impactos sobre o Pantanal, tendo
vista a crescente demanda por terra agricultável e agua para irrigagäo
de lavouras e processamento destes combustiveis, o que provocará o
aumento da liberagäo de agrotóxicos e rejeitos, além da sedimentaçäo
provocada pela erosäo.

178.%A pesca e o turismo ~ O peixe é o bem natural que mais
gera renda no Pantanal. Essa condiçäo pode mudar devido ao desma-
tamento no planalto e na planicie para o plantio de pastagens e gräos,
somando ás queimadas, o que afeta negativamente os sistemas aquáti-
cos e, consequentemente, toda a fauna aquitica, principalmente os es-
toques pesqueiros. A gravidade do quadro € mais evidente quando se
considera que os peixes constituem um dos maiores compartimentos

60 Manieto e dera do Pantanal 2012.

a

de reserva viva em nutrientes e energia, garantindo a sobrevivéncia de
inémeras outras espécies e o equilibrio do sistema. Entre outras fun-
gos, atuam como dispersadores de sementes e constituem a alimen-
tagäo básica para muitos componentes da fauna. Nos períodos da seca,
a mortalidade aumenta, pois as populagóes sáo obrigadas a concen-
trarem-se nas lagoas e canais permanentes, constituindo presas fáceis
para as aves e outros animais, além de ficarem ainda mais suscetiveis
à pressáo da pesca. A pesca esportiva se tomou o principal atrativo
do turismo regional, especialmente no Mato Grosso do Sul, trazendo
mais de 100 mil pescadores por ano. Conta com uma infraestrutura de
barcos e gera milhares de postos de trabalho nos dois estados. Apesar
da importáncia da pesca, devem ser anotados problemas ambientais e

sociais. Entre os sociais está a prostituigáo””

179. Além do turismo de pesca, também desenvolveram o tu-
rismo ecológico e rural, que, na última década, contribuíram para a
melhoria da infraestrutara, com mais hotéis e barcos, e para o aperfei-
goamento dos servigos. O turismo é uma atividade que pode ampliar-
-se com a sustentabilidade, pois promove retorno económico. Infeiz-
mente, o turismo náo tem sido considerado em todo o seu potencial,
permanece o discurso industrialista para algumas rogiöes.

180. “Mineragäo e siderurgia - A mineraçäo e, mais recentemen-
te, a siderurgia, sio atividades em plena expansáo na bacia do Alto
Kio Paraguai, impulsionadas pelo crescimento da economia brasileira
+ a demanda mundial. Sáo explorados o ferro, o manganés e o calcá-
rio na parte sul e o ouro na parte norte. A mineragáo encontra-se em
dois complexos na periferia do Pantanal: Macigos do Urucum e de
Cuiabá - Cáceres. No Urucum, municipio de Corumbá, situa-se uma
das maiores jazidas de manganés da América Latina, com mais de
100 bilhöes de toneladas: as de ferro estio estimadas em 2 bilhöes
de toneladas. Todo o manganés é extraído de minas subterráneas e o
ferro de minas a cén aberto. As atividades de mineragäo podem afetar

él CAMPANILL Maurte Beto Ricardo Almonaque Deel Scio nt 208. Edo: Insta
Socionmbenal.Dispaniv em: winesecioambiental or

2

os lengóis freáticos que abastecem os rios, córregos e pagos, contar
nando a égua. Impactos negativos da mineragäo já foram evidenciados
no municipio de Corumbá. Grandes empresas responsáveis polo maior
volume de extragäo mineral estáo envolvidas na construgäo de um polo
siderúrgico para a produgäo do ferro-gusa e ago. Outras como a de uma
usina termoelétrica movida a gis. A maior preocupaçäo dos ambienta-
listas para os próximos anos & com a produgao siderúrgica e sua depen-
déncia do carváo vegetal, para o abastecimento dos fornos, fator que já
tem levado a uma retirada de vogetagäo de maneira acelerada"%

181. O tráfico, a caga e a venda de peles, couro ou artefatos pro-
venientes de animais silvestres säo práticas que, embora ilegais, ainda
ocorrem. Várias espécies de animais já estiveram sob forte amcaga de
extincáo. As situaçôes mais conhecidas nacional e internacionalmente
sio o jacaré-do-pantanal ea onça.

1.5.5. Contextualizacáo politica

182. ‘As áreas alagadas do mundo demoraram para ter seu papel
ambiental reconhecido e respeitado, embora ainda hoje sofram ameagas
de extingáo em toda a face da Terra. Os Programas do Regime Militar
Brasileiro, como o Prö-Värzeas incidiram de modo nefasto sobre nos-
sas áreas alagadas, drenando-as para facilitar o cultivo de monocultu-
as, ignorando seu papel na regulaçäo do fluxo de agua, das nascentes,
de‘ninhos’ da biodiversidade””*

183."A falta de visio e politicas integradas para o Pantanal, que
consideren efetivamente as tendencias regionais e as necessidades es-
senciais das populagóes locais resultam em agöes isoladas e com pou-
ca repercussäo em sua totalidade. Além disso, as principais demandas
sociais vo sendo postas em segundo plano, devido à falta de imple
mentagäo de políticas participativas e a má aplicaçäo de recursos. Sáo
escasos os esforgos para a construgäo de sinergias entre iniciativas,
o que dificulta a implementagäo de estratégias sustentiveis para a

62 Mem
© Idem.

8

melhoria da qualidade de vida no bioma Pantanal. Os problemas am
bientais, socizis e económicos na regiäo pantaneira tém sido cada vez
mais intensos, exigindo medidas articuladas o oficazes com a realidade
local" tais como: o alinhamento da atuacáo das diferentes esferas do
poder público (municipal, estadual e federal); revisao da legislagáo vi-
gente referente as áreas de protegáo permanente e reservas legais para
a regido da BAP; integraçäo nas políticas de conservaçäo e uso dos
recursos naturais entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do
Sul; maior esforgo do poder público no sentido de avaliar profunda-
mente o licenciamento e a fiscalizagäo de novos empreendimentos
que provoquem impactos sobre a regio da BAP ea implementagäo de
um amplo programa de restauraçäo ambiental nas áreas já degradadas
e que estejam em discordäncia com a legislagáo vigente, atribuindo
aos responséveis pela degradagño o ónus de custear este processo.

1.5.6. Contribuicáo eclesial

184.A presenga missionäria e ser
manece viva no bioma Pantanal, suas dioceses, com as Pasto
Socinis: Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Cáritas, Pastoral
da Crianga, Pastoral da Saúde, Comunidades Eclesiais de Base, entre
outras, dedicam especial atençäo aos povos origindrios, ibeirinhos e
pantaneiros desta regiäo. Elas estäo mais próximas e podem ser o elo
paraa “ecología integral” neste "Santuärio da Vide"

lora da Igreja Católica per-

185. A partir do Evangelho, a Igreja, para além dos aspectos da
preservagáo e do cuidado, se preocupa com vida no bioma Pantanal.
Com esperança e compromotimento, ela se mantém firme na defesa
da vida dos povos originários e das comunidades tradicionais, que fo-
ram se instalando na regiäo e acabaram por transformar estas localida-
des pantaneiras em terras ancestrais,

186. Para a Igreja, o bioma nao representa somente um santuärio
ecológico onde se preservam espécies, mas sim um lugar onde o ser
Humano faz uma profunda experiéncia de Deus, da natureza e do outro.

CES

#

1.6. Bioma Pampa
187. Os Campos da Regiäo Sul do Brasil sio denominados
como “pampa', termo de origem indigena para “regiäo plana’, entre
tanto, esta denominagio corres-
ponde somente a um dos tipos |
de campos encontrados.

188,A característica prin-
cipal deste bioma é a sua vegeta-
o, que apresenta uma compo-
sigáo horbácea, ou seja, formada
basicamente por gramíneas e es-
pécios vogetais de pequeno por-
te, náo ultrapassando os SO em
de altura, Esse tipo de paisagem
apresenta dois tipos bem defini
dos: os chamados campos lim-
pos e os campos sujos.

Fete de dans Boj demo
a dos Ba dar

de dm
(EDS

189. Campos limpos: Ocorrem quando a vegetagäo náo apre-
senta arbustos, ganhando uma paisagem mais homogénea, sem dife-
renças muito grandes entre uma parte e a outra.

190. Campos sujos: Ocorrem quando há uma maior presenga
desses arbustos, que se 'misturam” à paisagem.

191. O bioma Pampa exibe um imenso património cultural as-
sociado à biodiversidade, suas paisagens naturais se caracterizam pelo
predominio dos campos nativos, mas há também a presenga de matas
liares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formagöes arbustivas,
butiazais, banhados, afloramentos rochosos etc.

1.6.1. Localizaçäo

192.0 bioma Pampa, com 176.496 km’, ocupa 2,07 % do
territério nacional e se restringe ao estado do Rio Grande do Sul,

ocupando 63% do territériu daquele estado, entretanto, ele se estende
aos paises vizinhos, Argentina e Uruguai®

193. Por se tratar de uma “regíño plana” e coberta por vegetacáo
rasteira, o bioma Pampa, por suas pastagens naturals, acabou por fa-
vorecer o desenvolvimento extensivo da pecuária. Hoje, aproximada-
mente 2,6 milhöes de brasileiros habitam esse bioma.*

1.6.2. Características naturais — biodiversidade

194. Por ser um conjunto de ecossistemas muito antigos e paisa-
gens naturais variadas entre serras e planicies, morros, onde crescem
vegetagáo e coxilhas - pequenas colinas cobertas por pastagens -,
o bioma Pampa apresenta flora e fauna proprias e grande biodiversida-
de, que, inclusive, näo está completamente descrita pela ciéncia.

195. As estimativas indicam valores em torno de 3.000 espécies
de plantas. Entre as várias espécies vegetais típicas do Pampa vale des-
tacaro Algarrobo co Nhandaval arbustos cujos remanescentes podem
ser encontrados apenas no Parque Estadual do Espinilho.

196. A fauna & expressiva, com quase 500 espécies de aves. Tam-
bém ocorrem mais de 100 espécies de mamíferos terrestres, O Pampa
abriga um ecossistema muito rico. Trata-se de um património natural,
genético e cultural de importáncia nacional e global.

197. Uma das características marcantes no cenärio pampeano,
que náo se pode deixar de mencionar, é o vento. Fator vital na con:
figuragio da paisagem, o vento minuano, companheiro nos dias de
inverno, moldou nao só a paisagem como também o temperamento
da populagáo, influenciando seus hábitos. Essa paisagem bucölica do
bioma Pampa se mantén viva no imaginário popular.

198. É no bioma Pampa que se localiza grande parte do Aquifero
Guarani, uma reserva estratégica de água doce náo só para o Rio Grande

65. MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE. Pupa.Disponis
mss/pampa

185. GOVERNO FFDERAL.Osblomase sus Mores Dispontel am yw oretl gob
stldrecurio lloras biomas eses Burt pin
504016

emma go bo

do Sul, mas para todo o Brasil e toda a América Latina, que é fundamen-
tal na manutengáo de toda a biodiversidade,'lambém no bioma Pampa,
duas bacias hidrográficas se destacam, a Bacia Costeira Sul e Bacia do Rio
da Prata, com destaques aos rios Uruguai, Santa Maria, Jacuíe Ibicuf.

199. "A progressivaintrodugäo e expansio das monoculturase das
pastagens com espécies exóticas tém levado a uma rápida degradagáo e
descaracterizaçäo das paisagens naturais do bioma Pampa. Estimativas
de perda de hábitat dao conta de que em 2002 restavam 41,32% e em
2008 restavam apenas 36,03% da vegetagáo nativa do bioma Pampa"

1.63. Os povos originários e a cultura - sociodiversidade
200. Os povos indígenas Tupi-Guarani habitavam o Rio Grande
do Sul, localizando-se as etnias Tapes, Carijós, Arachanes e Guaianás
no norte e nordeste e os Guenoas, Minuanos e Charruas a veste e ao
sul. Pode-se afirmar que os Charruas e Minuanos, através de seus hé-
bitos, foram os povos que mais contribuiram para formacio do tipo
humano e social que mais tarde foi identificado como “gaúcho”

201. Os primeiros europeus a ocupar o Rio Grande do Sul foram
os jesuitas espanhöis vindos do Paraguai que fugindo dos bandeiran-
tes paulistas se estabeleceram na parte noroeste do estado trarendo in-
digenas e gado bovino. Este gado recém-chegado era criado solto. Náo
havia nenhum rigor ou cuidado especial jé que muito bem adaptado o
gado crescia livre alimentando-se de vastas pastagens.

202. No século XVIII, os negros escravos chegam a0 Rio Grande
do Sul, participando das lavouras de trigo, nas charqueadas e nas es-
táncias de criagáo, assim como a ocupagäo da regiäo da campanha pe.

los portugueses devido ao tratado de Madri.

203. As estäncias a partir da exploraçäo pastoril, passaram a de-
finir a posse das áreas de conflito no estado, a posse do gado, ea esta-
belecer as relagóes capitalistas com o assalariamento de capatazes e

67 MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE. Pampa, Pisponóvel en
mas/pepa

Ligne gocherie-

#

pedes. A pecuária era um fator que determinava a posse da terra, ou
seja, quanto mais cabegas de gado, mais terras poderiam ser ocupadas,
garantindo a posse do territörio.

204, A partir do século XIX iniciou-se o cercamento dos campos
iniciando importantes mndanças no modo de vida do gaticho.

205. Como passar do tempo, a estáncia passa fazenda, Mudam-se
as relagées familiares e o caráter principal de subsisténcia dando lugar à
fazenda com funcio comercial. Com todas estas mudanças provocadas
por pressöcs de fatores esternos, como a disseminagáo do iluminismo,
a revoluçäo industrial e a consolidagáo das relagúes capitalistas no mun-
do, mudou-se também a propria cultura do gaúcho de vida errante.

206. Ainda hoje, nos pecuaristas e agricultores familiares, estäo
presentes os lagos de apego áterra, ao trato direto com os animais, dare-
lago como ambiente e a identificaçäo com o gaücho-peäo. Este grupo
social pode ser representado pela noo de pequeno pecuarista familiar
que ajudará a caracterizar os grupos de trabalhadores rurais gaúchos,
descendentes de etnias indígenas, de europeus e de povos africanos.

207. Destaca-se a heterogencidade da dimensäo étnica dos pecu-
aristas familiares, pois náo possuem uma origem homogénea ou uma
única matriz étnica. Constituem-se como um grupo oriundo de uma
miscigenaçäo histórica entre comunidades tradicionais adaptados à
regíáo da campanha gaúcha, como quilombolas, indígenas e agorianos.

208. Amulhertem assumido seu papelnaconservagäo do Pampa.
Em épocas passadas elas eram responsáveis pelas lidas domésticas,
pela alimentaçäo da familia, pelos cuidados com os filhos. As mulhe-
ros dos pedes além de traballarem em suas casas também trabalhavamı
na casa dos patröcs e muitas ainda na agricultura para autoconsumo.

209, Atualmente, muitas mulheres rurais na campanha gaücha
tem sido as responsáveis e as mantenedoras da economia doméstica,
organizando-se em cooperativas, lidando com a pecuária deleite, com
oartesanato e com a produgäo de alimentos manufaturados e com as

hortaligas complementando a renda da casa. A mulher rural é conhe-
cedora das ervas medicinais e dos processos de curas naturais auxi-
iando na preservaçäo dos recursos naturais

210, Mesmo com todo esse processo histórico, o Pampa, com
sua culinária, dangas e costumes éo palco principal da cultura gaúcha,
em uma regiäo constituída basicamente por grandes fazendas para a
criagáo de gado bovino e haras para criagäo de cavalos de raga. À ovi-
nocultura, tanto pelo uso da carne como da lá, ainda é a mais forte
tradigáo da regio Pampa, mas sua principal atividade continua sendo
a criaçäo de gado bovino.

211.0 chimarráo, o churrasco, a música de fronteira, sáo ri-
quezas que permanecem mesmo em tempos da indústria cultural.
ssa cultura atravessa fronteiras, abrangendo também o território do
Uruguai e da Argentina.

1.6.4. A beleza, as fragilidades e os desafios do bioma Pampa

212. Com espécies raras e ameacadas e lembrando uma savana o
Parque do Espinilho no sudoeste do Rio Grande do Sul, no municipio
de Barra do Quarai compöe a beleza do bioma Pampa. Ampliado como
Parque Estadual do Espinilho, pelo Decreto n. 41.440, de 28 de fever
ro de 2002, sua área é de 1.617,14 hectares. Nele se encontra o último
remanescente significativo desse tipo de vegetaçäo do bioma Pampa

213, Outro destaque do bioma Pampa fica por conta de seus
“banhados” - eles, ao contrário do aspecto seco do parque de espin
Iho, sto presengas comuns na paisagem pampeana, No sul do estado,
© Banhado do Taim, protegido por uma estaçäo ecológica do mesmo
nome, é o mais conhecido. Nos municipios de Itagui e Magambard, na
fronteira com a Argentina, ncorre o banhado Sáo Donato, reconheci
do como reserva ecológica na década de 1970.

214, Estado realizado pela Secretaria Estadual do Meio Ambien:
te indicou a ampliaçäo da área de “banhado” para 17 mil hectares vi-
sando abranger outros ecossistemas. Sua área atual, de 4.392 hectares,
está praticamente cercada pela agricultura, principalmente de arroz.

“8

A grande maioria dos banhados foi drenada para uso agrícola, atra-
vés do Programa Prö-Värzea do governo federal na década de 1970.
Informagóes náo oficiais dizem que os poucos banhados que restam
foram protegidos para viabilizar a caga, uma vez que esta prática está
legalizada no Rio Grande do Sul.

215. Com predomináncia no Sudoeste, mas presente em todo o
bioma Pampa, encontram-se os cerros e as serras. Säo pequenos e bai-
xos morros que aparecem em área totalmente plana.

216. Entre os desafios e as fragilidades do bioma Pampa estáo as
iniciativas governamentais que contrariam a vocagáo natural da regiao
para a pecuária e o turismo, elas pretendem desenvolver uma cultura
totalmente estranha ao povo e ao ecossistema da regiño. A pecuária,
atividade tradicional do bioma Pampa, produz proteína e alimentos
que recebem alta cotaçäo no mercado consumidor, além de causar im-
pactos ambientais menos, do que às atuais propostas.

217. Jé é possivel constatar nas “novas iniciativas” em andamen-
to, os grandes plantios de pinus e eucaliptos no Pampa brasileiro, sen-
do que os impactos ambientais dessas grandes monoculturas so bem
conhecidos no planeta. Considerando que grande parte do bioma
Pampa € uma grande planicie, o plantio extensivo de pinus e eucalip-
tos, além de alterar os recursos hídricos e a cultura, interferem no regi-
me dos ventos e de evaporaçäo, condigóes essas, que causará impactos
significativos no clima do bioma Pampa.

218.0 processo de formasio de bancos de areias em solos já
arenosos e nao consolidados, o que acarreta a baixa presenga ou até a
extingio da vegetagäo em virtudes de fixagio em funçäo das constan-
tes movimentagdes da camada superficial dos solos, conhecido como
arenizagäo. Por se tratar de um grave problema socioambiental, é um
dos desafios do bioma Pampa.

219. Nela, ocorre um processo erosivo conhecido popularmen-
te como desertificaçäo. Esse afloramento de depósitos arenosos a

7

partir da remosio da cobertura vegetal também provocada pelo esco-
amento da agua da chuva, estáo entre as fragilidades a serem conside-
radas no bioma Pampa.

220, Outras preocupacóes que constituem ameagas ao bioma
Pampa, sio a ampliaáo da área de soja, trigo e arroz e a cultura da
mamona para a elaboragáo de biocombustivel. Há, ainda, a antiga e
constante ameaça da mineragäo e queima de carvio mineral, cujos
impactos locais, regionais e globais tais como: acidificagäo da ägua;
alteraçäo da paisagem; deslocamento de populagdes assentadas; au-
mento da incidéncia e frequéncia de doencas pulmonares; chuva ácida
e emissáo de gases efeito estufa, sáo bem conhecidos.

1.6.5. Contextualizacáo política

221. 0 latifiindio do Pampa é fruto das chamadas sesmarias, ca-
pitanias hereditáras, por isso esta regiäo do estado & onde há a menor
concentracio demográfica e onde hä também muita pobreza fruto da
concentrasio da terra nas maos de alguns em detrimento da maioria.

222. É no Pampa que existe a grande maioria dos latiféndios do
Rio Grande do Sul. A partir da criaçao de gado e nos últimos dez anos
estes latifindios, grande parto improdutivos ou abaixo do indice de
produtividade estabelecido pelo Instituto Nacional de Colonizagáo e
Reforma Agritia (INCRA), vem sendo tomados por monoculturas de
eucalipto, acacia e pinus.

223. Esses monocultivos sio denominados pelos Movimentos
Sociais de “Deserto Verde’, exatamente porque sio extremamente no-
<ivos ao meio ambiente, prejudicando profundamente a fauna e aflora
originais do Pampa, Outro impacto social negativo € a inviabilizacäo
a agricultura familiar camponesa devido aos impactos ambientais que
estáo afetando o ambiente e o clima da regiäo.

224. É importante destacar que, apesar de ser regido latifundiária,
há muitas familias de pequenos agricultores, indígenas, quilombolas.

n

1.6.6, Contribuicáo eclesial

225. À Igreja está presente na regido desde a “primeira evangeli
“año? mas com características muito pröprias. Foi ali que os missio-
nérios jesuftas fundaram “As Missöes dos Sete Povos” Instituiram o
cooperativismo dando grande contribuiçäo na defesa dos indígenas,
mas que foi golpeada pelo Tratado de Madri entre Portugal e Espania,
1750, determinando que teriam que deixar seus territórios e irem para
© lado controlado pelos espanhóis. Os indios resistiram, mas houve
guerra, massacres o teve aio inicio da dizimagäo do povo guarani”

226. Nos últimos anos, seja pela presenga das Pastorais Sociais,
das Semanas Sociais, das Campanhas da Fraternidade, das CEBs, mui-
to se valoriza a agricultura familiar os territórios das comunidades tra-
dicionais e os remanescentes indige

68 GOVERNO DE POKIO ALEGRE, Hira das Miuges. Dispone env pu ebsmed.

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CAPÍTULO II —JULGAR

ih de nee

1. Na Sagrada Escritura

227.A Sagrada Escritura náo se preocupa diretamente com os
biomas. Contudo, oferece elementos que iluminam a temática a partir
do projeto de Deus nela apresentado. Tal projeto inicia-se pela criagäo
e organizagáo do mundo, conhece uma ruptura por causa do pecado e
seu verdadeito significado € revelado em Cristo Jesus, A reflexáo que
segue está dividida nesses trés momentos buscando apresentar que o
mando e as criaturas fazem parte desse projeto de Deus.

2. Harmonia original: o mundo criado

228. A fé judaico-cristá aponta um caminho objetivo: o mundo
foi criado por Deus. A Sagrada Escritura apresenta em suas primeiras
páginas este elemento de fé que indica que o mundo é obra desejada
‘por Deus, criado harmonicamente por amor. A criacáo é apresentada
em dois relatos diferentes nos quais Deus vai progressivamente orga-
nizando scus elementos interdependentes até a conclusáo de toda a
obra. O primeiro relato apresenta a criaçäo sendo realizada em sete
dias (Gn 1,1-2,42). O próprio número sete indica a perfeigäo da obra
criada. Cada dia tem em seu programa um elemento necessário para
a continuidade da obra no outro dia: a luz (Gn 1,3), o firmamento e
a separacio das águas (Gn 1,7), solo firme ou continente para nele
fazer brotar as plantas (Gn 1,9-12), os luzeiros para separar día e noite
(Gn 1,14), os seres vivos das águas e os pássaros (Gn 1,20) e os ani-
mais terrestres (Gn 1,24). O sétimo dia tem como programa o des-
canso de Deus. Assim é apresentada a criagäo e a inter-relaçäo de seus
elementos é identificável inclusive na criaçäo primeiro dos ambientes
para na mesma sequéncia criar aqueles que neles se encontram (luz-
“Juzeiro, frmamento-pissaros/ peixes, solo firme-animais terrestres).
A esta mesma constatagäo se chega quando se lé o segundo relato da
criasáo (Gn 2,4b-25) no qual, apös criar o céu e a terra, ainda náo

73

existia arbusto devido à auséncia da chuva e de quem pudesse cultivar
o solo (Gn 2,4b-5). Será o pröprio Deus a providenciar a chuva e a
formar o homem (Gn 2,7). Cada relato com sua peculiaridade expe
a mesma realidade: tudo aquilo que existe € criagio amada, desejada e
realizada por Deus. Assim Biblia afirma que nenhum ser existe isola-
damente, todos estáo relacionados como partes de um plano no qual,
de certa forma, uns dependem dos outros e o ser humano possui ©
papel de ser o guarda desta obra criada.

229, Nessa harmonia as diversas criaturas de Deus sáo muito
boas (Gn 1,31). Isso leva à constataçäo que a criagäo está repleta de
maravilhas que ultrapassam o conhecimento (Jó 42,3). A simples
existéncia de cada ser é um louvor a Deus. O espléndido cántico de
Daniel brota da contemplagäo dessa bondade: “Bendizei ao Senhor,
todas as obras do Senhor; aclamai e superexaltai-o para sempre”
(Da 3,57), convidando toda a criagäo a dar o devido louvor a Deus
através da beleza peculiar de cada um de seus elementos.

230.A obra criada é, portanto, uma obra-prima das máos de
Deus como se lé no Salmo 8. A liturgia judaica afirma esta convicçäo
considerando o céu e a terra como um pergaminho aberto sobre o
qual está escrita uma mensagem de Deus para o homem. Essa imagem
se inspira no Salmo 19 no qual o salmista fala de uma silenciosa sin-
fonia “os céus narram a glória de Deus, o firmamento anuncia a obra
de suas mäos. O dia transmite ao dia esta mensagem e a noite conta a
noticia a outra noite. Nao é uma fala, nem säo palavras, nao se escutaa
sua voz. Por toda a terra difundiu-se a sua voz e aos confins do mundo
chegou a sua palavra” (Si 19/18,2-5). E, por isso, todos os movimen-
tos na cago sáo entendidos como desejados por Deus que “cobre o
oa de nuvens, prepara a chuva para a terra, faz brotar sobre us montes
à erva e plantas úteis ao homem; (...) faz caira neve como lá, espalhaa
geada como cinza. (...) envia uma ordem e se derretem, sopra o vento
e correm as dguas” (SÍ 147/146+147,8-18). Todas as agóes naturais
encontram assim em Deus a sua origem por ser ele “criador do cén e
da terra, du mar e de quanto contém’ (SI 146/145,6).

7

231. Dentro desta harmonia, u homem recebe uma missäo espo-

cial. O primeiro relato afirma que o homem foi criado à imagem e se-
melhanga de Deus (Gn 1,27); a ele foi dado um papel mais importante
que aos outros seres (Gn 1,28). O segundo relato & mais direto, nele
Deus confía ao homem o papol de guarda da criagáo. Por isso, Deus
modela o homem do barro sopra em suas narinas, planta um jar
e coloca o homem ali para cultivar e guardar (Gn 2,5.15). Forma a
mulher da costela do homem, conferindo a ela a mesma dignidade c a
mesma missäo (Gn 2,18). Destes versículos observa-se que o homem:
possui, no ideal inicial, trés tipos de relacao: com Deus, com a obra
criada e com seu próximo. A relasáo com Deus e com seu próximo se
dá dentro do jardim indicando que o jardim nao é apenas o local do
qual retira 0 seu alimento, mas é o ambiente do encontro com Deus
e da vivencia da fraternidade (Gn 1,29-31). Por isso, ele precisa ser
cultivado com o mesmo amor com que foi criado, para continuar fru-
tificando; e deve ser guardado com cuidado, para que asrelagöes entre
as pessoas também sejam fecundas. O jardim bem cuidado seria o in-
dicativo que as trés relagóos estáo bem cultivadas.

232. Aacusacdo que aordem de Deus encheiaterraesubmetei-a”
(Gn 1,28) favoreceria a exploragio selvagem da natureza se baseia
em uma má compreensäo do texto. O Papa Francisco na encíclica
Laudato Si’ explica que “cultivar” quer dizer lavrar ou trabalhar um
terreno, ‘guardar’ significa proteger, cuidar, preservar, velar. Isto im-
plica uma relagäo de reciprocidade responsável entre o ser humano c
a natureza”® Ademais, o próprio relato da criaçäo indica limites: no
é lícito ao casal comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e
do mal, indicando com isso que o homem nao pode dispor da terra a
seu bel-prazer (Gn 2,17). Com isso se adianta o que se afirma no Livro
do Deuteronömio 10,14 que ao Senhor pertence a terra e o que ela
encerra, e o que canta o salmista “do Senhor é a terra” (SI 24/23,1).
O próprio Senhor afirma “a terra € minha, e vós sois estrangeiros e
meus agregados” (Lv 25,23).

© 150.67.

233. A criagäo pertence a Deus. O homem, que € imagem e se-
melhanga de Deus, receben a vocagäu de cuidar e guardar com aten-
ao dos seres que dela farem parte.

3. A aliança rompida e o pecado

234. As primeiras páginas do Livro do Génesis relatam tam-
béma triste realidade do pecado do homem. Ao desobedecer a Deus
comendo do fruto da ärvore do conhecimento do bem e do mal
(Gn 3,6), o homem provoca uma ruptura nas relagócs com conse-
quéncias imediatas.

235.A primeira relaçäo a ser ferida é com Deus. Tendo des-
confiado da bondade de Deus e desobedecido sua palavra, o homem
que se realizava no contexto da alianga, náo se encontra mais seguro.
O casal que antes convivia com Deus no jardim, passa a termedo case
esconder (Gn 2,10). Observa-se que, gradualmente, a humanidade vai
se tornando arrogante, querendo “ser como Deus” (Gn 3,5). O mes
mo percebe-se na narrativa da torre de Babel: “Vamos construir para
nés uma cidade e uma torre que chegue até o céu. Assim nós faremos
um nome” (Gn 11,4). A intengáo de ocupar o lugar de Deus e usurpar
seu nome mostra a que ponto chega a ruptura da relaçäo com ele.

236. As relagöes intorpessoais também sáo afetadas. Rompe-se a
harmonia da relaçäo do casal, quese degenera gradualmente: primeiro
se transforma em cumplicidade no pecado (Gn 3,6) e depois ambos
fogem de sua responsabilidade transferindo a culpa (Gn 3,12-13).
‘A partir dai, em uma espiral crescente, a tensño invade as relaçäes fra-
ternas, transforma-se em violéncia e culmina no assassinato de Abel
por Caim (Gn 4,8) e a injustiga se espalha sobre a terra (Gn 4,23).
A multiplicidade de idiomas apresentada em Gn 11,9 sinaliza a in-
capacidade do ser humano de reconstruir sozinbo o relacionamento
com seu próximo. A perda da linguagem do amor que harmoniza tudo
é a verdadeira causa do desentendimento e das rupturas seja com 0
próximo, seja com a criagáo.

76

237.A ruptura dos relacionamentos inclui o mundo criado, Mui-
tossño os textos que apresentam as atitudes do homem como provaca-
doras de sofrimento a obra criada: Soduma e Gomorra serio destruidas
(Gn 19), o Egito sofrerá com as pragas (Ex 8-11), Ninive é ameaçada de
destruiçäo (Jn 1,2), Jerusalém sofre pelo pecado de Davi (28m 24) etc.
O relado da queda afirma que, em consequéncia do pecado, aterra passa
a ser hostil ao homem (Gn 3,19) que € expulso do jardim. O mundo
desfigurado € sinal que a alianga foi rompida e Deus foi esquecido.

238. Aos profetas caberá a missäo de denunciar o pecado confron-
tando-o com o plano de Deus. Eles denunciam o pecado em termos de-
cisivos, mas náo deixam de insistir no valor do arrependimento (Am 5,4;
Os 14; Jr 3,125 Is 55,7; 57,15; Es 18,23). Com eles surge uma nova pers-
pectiva: as relaçôes feridas pela desobediéncia podem ser restauradas por
Deus compassivo e misericordioso. É anunciado um novo tempo, no
qual seré o próprio Deus aintervirna desarmonia presento no coraçäo do
homem (Ez 37). Inicia-se assim o anúncio de um tempo novo, o tempo
mesiánico, no qual a conversio e a esperanga podem renascer. Em Isaías
O tempo messiánico éanunciado como um tempo no qual a harmonia da
criaçäo será reestabelecida, O homem recuperará sua relagáo com Deus:
“teus filhos serio todos discípulos do Senhor e grande será a felicidade
deles” (Is 54,13). A relaçäo entre os homens será restaurada: “nenhuma
nagäo pegará em armas contra a outra e nunca mais se treinaräo para a
guerra” (Is 2,4; Is 60,18-19). E a relaçäo com todo o mundo criado será
pacificada:“o lobo, entáo, será hóspede do cordeiro, o leopardo vaise dei-
tarao lado do cabrito, o bezerro e oleñovinho pastam juntos, uma crianga
pequena toca os dois (..) O bebé vai brincar no buraco da cobra veneno-
sa” (ls 11,6-8). A harmonia que regia os relacionamentos será restaurada.

4. Tempos messiánicos: restauracáo
de tudo em Cristo
239. “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu
Filho,nascidodemulher,nascido sujeitoà Lei,pararesgatar osquecram
sujeitos à Lei, e todos reccbermos a dignidade de filhos” (Gl 4,4-5)

Estas palavras de Sáo Paulo dirigidas avs gálatas indicama dimensio da
gragarealizada em Cristo Jesus. Nele se concretiza o que foi anunciado
através da lei e dos profetas. O Verbo de Deus se encarna assumindo
nossa humanidade (Jo 1,14), todavia sem pecar (Hb 4,15). Desta for-
ma inaugura-se o tempo messiänico. Em Jesus podemos comprender
o motivo pelo qual o mundo foi criado. “Tudo foi feito por meio dele,
esem cle nada foi feito de tudo o que existe” (Jo 1,3). Coma encarna-
ño nos é revelado que a bondade da criagäo náo foi perdida, mas que
“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo
o que nele crer nao pereca, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Deus
no deseja condenar o mundo, mas salvá-lo (Jo 3,17). Tudo € dele,
por ele e para ele (Rm 11,36).

240. Desta forma, em Cristo é restabelecida a relagio entre o ho-
meme Deus. A iniciativa é sempre de Deus, porque o homem emsi&in-
capaz de se reconciliar com seu Criador por suas próprias forgas. Aaçäo
de Deus é primeira e decisiva “tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos
reconciliou consigo” (2Cor 5,18). Elesempreamouahumanidademes-
mo enquanto pecadora (Rm 5,10) e morreu para salvä-la (2Cor 5,8).
Jesus, o homem perfeito, relaciona-se de forma próxima com Deus,
chamando-0 de Pai (Jo 11,415; 17,16) e ensina os discípulos a fazerem
o mesmo (Mt 6,9-13; Jo 20,17). A revelaçäo da paternidade de Deus
nâo apenas restaura a relacio antes ferida, mas a eleva à plenitude.

241. A relagáo de Jesus com a criagäo serve de paradigma para o
que ensinará aos seus discípulos. Em suas parábolas faz perceber que a
criagño contém em si explicagöes do agir de Deus (Mc 4,3-9) e de re-
alidades relativas ao Reino Deus. Jesus utiliza de elementos da criagáo
em sua catequese: a graga de Deus é comparada a uma fonte de agua
viva (Ju 4,10-14), a bondade de Dens com a chuva que cai sobre jus
tos e injustos (Mt 5,45), a relagáo do homem com Deus com a vinha
+ seus ramos (Jo 15), a fé com a semente e o coragäo do homem com
o terreno onde a semente 6 langada (Me 4,1-20). Assim, por meio da
contemplagie da criacio o ser humano é convidado compreender que
sua vida está nas maos de Deus e a abandonar-se à providencia divina
que veste os lírios com uma beleza náo acessivel aos reis (Mt 6,28-29).

m

242. Jesus é o modelo do homem abandonado à providencia de
Deus. A confianga em Deus pacífica o coraçäo do homem, libertan-
do-o do desejo desenfreado de possuir para garantir seguranga a si
‘mesmo. Somente buscando o Reino de Deus em primoiro lugar o ho-
mem pode libertar-se do insaciável desejo de possuir (Mt 6,33-34).
Assim, as parábolas demonstram que para entender a lógica do Rei-
no de Devs o homem precisa da criagäo que dá visibilidade concreta
as palavras de Jesus. Ele mesmo está acima das contradigóes existen-
tes na criaçäo. Estas nao Ihe säo nocivas. Sua soberania o torna capaz
de pacificar os ventos e o mar (Me 4,39), de caminhar sobre o mar
revolta (Mt 14,25; Jo 6,19), de trazer a vida aquele que já morreu
(Jo 11,1-45). Tudo isso, porque é ele quem aperfeigoa a criagáo fa
zendo nova todas as coisas (Ap 21,5).

243. À criaçäo precisa ser renovada, porque sofreu as consequén-
cias do pecado, a humanidade redimida habitará uma terra também
redimida (Mt 5,5). Mas, por hora, cla náo está pronta e ainda “espera
ser libertada da escravidäo da corrupgäo, em vista da liberdade que &
a gloria dos filhos de Deus” (Rm 8,21). As consequéncias do pecado
seráo redimidas pela salvagäo realizada em Jesus Cristo. A redengäo da
eriacio € apresentada em Ap 21-22 através da imagem de Jerusalém
celeste. O Apocalipse, através de simbologias, apresenta os softimen:

tos e contradigöes dentro da obra criada. Muitos säo os elementos que
apontam o desequilibrio gerado pelo pecado do homem e que despe-
jam suas consequéncias em toda a criaçäa. Sáo apresentados rios polui-
dos (Ap 8,8; 16,4), árvores que sáo queimadas (Ap 8,7) pessoas que
mortem (Ap 8,11), terremotos (Ap 16,18), pessoas acometidas por
doencas (Ap 9,4-5), um cavaleiro que recobe o poder de retirar a paz da
terra para que os homens se matassem (Ap 6,4), outro que mata pela
espada, fome e peste (Ap 6,7). Tudo isso simbolizando o caos no qual
ctiagdo se encontra envolvida. Quando a trama atinge sen clímax pare-
cendo naw haver mais solugio, a intervengáo divina estabelece um fima
este sofrimento e surge entáo um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1).
À meta da história foi alcangada, a criagäo foi reconstruida em Jesus
Cristo que faz nova todas as coisas (Ap 21,5). O éxodo duro e difícil da

»

histária encontra no advento do novo céu e da nova terra o seu termo,
sua realizagäo. Os símbolos utilizados para descrever à Jerusalém ce-
leste mostram que a criagáo está renovada, Diante do trono existe um
rio de água vivificante (Ap 22,1), a árvore da vida (Ap 22,2), a noite
desaparecerá, porque a luz será a próprio Senhor (Ap 22,5).

244. Portanto, a criagño, amada e desejada por Deus, é ambiente
concreto onde o homem realiza sua vocagäo. Apesar de sofrer as con
sequéncias do pecado do homem, ela também conhecerá uma renova-
ao. Deus continua sende o seu Senhor e exercendo a soberania sobre
ela. Do interior da própria revelacäo emerge o desejo de Deus pela
preservaçäo e cuidado com a obra criada. Para isso, coloco o homem
no jardim com a vocagio de cultivar e guardar a eriaçio. Quando ©
homer realiza esta vocasáo consegue contemplar a grandoza de Deus
em sua criagño e ouve a sinfonia silenciosa de louvor nela contida. No
entanto, náo é possível ao homem realizar esta sua vocaçäo quando se
descuida de sua origem e geragäo. Quando o homem se esquece de
Deus, desintegra-se a relagio com seu próximo e a criagáo passa a ser
objeto de exploragäo e dominio, Pela revelaçäo, Deus ensina ao ho-
mem que todas as criaturas estäo relacionadas entre si e que a criaçäo
o precede em existéncia e Ihe foi confiada para cuidar e guardar. A fé
no Deus da vida, Pai de Jesus Cristo e criador do mundo, exige o zelo
€ orespeito pela obra criada.

5. Laudato Si: ponto culminante de um
caminho
245. Areflexdo sobre os biomas e a convivencia dos povos tradi-
«ciomais com eles destaca a importáncia da consciéncia de que na cria-
ao tudo está interligado e sobre a necessidade imperativa de cultivar
esses vínculos. Entre os temas do ensino social da Igreja a ecología é
‘uma presenga recente, mas já suficientemente consolidada.

246. Os pronunciamentos e documentos do magisterio tém con-
tribuído significativamente para o aprofundamento e para a divulgagáo
dos desafios e da busca coletiva de solugóes, Tém também evidenciado

pi

aligagäo existente entre o desrespeito an meio ambiente, questóes so-
ciais, económicas e éticas. Ponto culminante da contribuigäo eclesial
nessa área é a encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Ele, desde o dis.
curso que fez no inicio de seu ministério como Bispo de Roma, 19 de
marco de 2013, afirmou ter consciéncia de que “guardar a criaçäo intei-
ral € um servigo que o Bispo de Roma € chamado a cumprir”

247. A reflexño seguinte quer contribuir para conhecer o caminho
de aprofundamento da conscióncia eclesial sobre a ecología e para situar
nele a encíclica Laudato SY. O desafio da convivéncia com os biomas,
embora nao seja tema tratado especificamente, se ilumina de modo par-
ticular com a reflexäo a respeito da interligaçäo de todas as criaturas.

Beato Paulo VI: a tomada de consciéncia do
desafio ecológico

248, O Beato Paulo VI, na carta apostólica Octogesima Adveniens,
em comemoragäo dos oitenta anos da encíclica Rerum Novarım
(do Papa Leño XD), iniciou a reflexäo do magistério pontificio sobre
a ecologia, indicando sua relaçäo com o modelo de desenvolvimento:
“A medida que o horizonte do homer assim se modifica, a partir das
imagens que se selecionam para ele, uma outra transformagäo come-
ça à fazer se sentir, consequéncia tio dramática quanto inesperada da
atividade humana, De um momento para outro, o homem toma cons-
ciéncia dela: por motivo da exploragäo inconsiderada da natureza, co-
mega a correr o risco de destrui-la e de vir a ser, também ele, vítima
dessa degradaçäo. No só já o ambiente material se torna uma amcaga
permanente, poluigóes e lixo, novas doengas, poder destruidorabsolu-
to; é mesmo o quadro humano que o homem náo consegue dominar,
criando assim, para o dia de amanbá, um ambiente global, que poderä
tornar-se-Ihe insuportável. Problema social de envergadura, este, que
diz respeito à inteira familia humana. O cristäo deve voltar-se para es-
tas perspectivas novas, para assumir a responsabilidad, juntamente
com os outros homens, por um destino, na realidado, já comun?

70 04,021

a

7. $40 Jodo Paulo Il: ecología e ética

249. Sio Jodo Paulo Il aprofundou essa reflexáo indicando que
& preciso levar em conta as ligagöes que há entre todas as criaturas e
afirmando que "é preciso levar em conta a natureza de cada sere as liga-
góes mútuas entre todos, em um sistema ordenado, que é justamente o
cosmos”?! E especificou as raizes bíblicas da questäo ecológica, pondo
em evidencia que a limitagio imposta pelo próprio Criador, desde o
ptincípio, e expressa simbolicamente com a proibigäo de 'comero fruta
da árvore (Gn 2,16-17), mostra com suficiente clareza que, em relagáo
Anatureza visivel, nés estamos submetidos a leis nao só biológicas, mas
também morais, que nao podem ser impunemente transgredidas’

250. Em particular, a sua Mensagem para o 23° Dia Mundial da
Paz foi toda centrada no tema “Paz com Deus criador, paz com toda a
Criaçäo” (19 de janeiro de 1990). O seu pensamento foi expresso com
clareza: “O gradual esgotamento da camada do ozónio e o consequente
“efeito de estufa’ que ele provoca já atingiram dimensôes críticas, por
causa da crescente difusio das indústrias, das grandes concentragöes
urbanas e do consumo de energía. Lixo industrial, gases produzidos
pelo uso de combustiveis fösseis, desflorestamento imoderado, uso
de alguns tipos de herbicidas, de sistemas de refrigeragäo e de outros
combustiveis, tudo isto, como se sabe, é nocivo para a atmosfera e
para o ambiente. Daf resultam mültiplas mudangas meteorológicas e
atmosféricas, cujos efeitos váo desde prejuizo para a saiide até a possi-
velimundagáo, no futuro, de terras baixas. Enquanto em alguns casos o
dano já é talvez iereversivel, em muitos outros casos ele pode ser ainda
atenuado. É um dever, portanto, que se impöe à inteira familia humana
— individuos, Estados e Organismos interoacionais - assumir cada um
seriamente as próprias responsabilidades””* Nessa mensagem falava de
aquecimento global e dos efeitos das mudangas climáticas ainda antes
que esses termos entrassem no uso comum, Afirmava um verdadeiro.

zu Ra st
72 idem.
75 JOSO PAULO. Mensagem parao 23 Dia Mundla da Fee, 290, 1.6

a

“direito a um ambiente seguro, como de um direito que deve passar afi-
gurar em uma Carta atualizada dos direitos do homem?"" Mas, acima de
‘tudo, falava da “urgente necessidade moral de uma nova solidariedade,
especialmente nas relagóes entre os paises em vias de desenvolvimen-
to e os paises altamente industrializados” $30 Joao Paulo II observou
como os Estados devem se mostrar solidários, mas também, entre si,
“complementares” na promogäo do desenvolvimento de um ambiente
natural e social pacífico e saudável. Aos países recém-industrializados
“nao se pode requerer que apliquem certas normas ambientais restri-
tivas ds próprias indústrias nascentes, se os países industrializados nao
forem os primeiros a aplicá-las no seu interior’

251. Em sua encíclica Centesimus Annus (1° de maio de 1991),
Sáo Jodo Paulo II considera que “o homem, tomado mais pelo de-
sejo do ter e do prazer, do que pelo de ser e de crescer, consome de
maneira excessiva e desordenada os recursos da terra e da sua pró-
pria vida. Na raiz da destruiçäo insensata do ambiente natural, há um
erro antropológico, infelizmente muito espalhado no nosso tempo.
O homem, que descobre a sua capacidade de transformar e, de corto
modo, criar o mundo com o proprio trabalho, esquece que este se
desenrola sempre sobre a base da doaçäo originária das coisas por
parte de Deus. Pensa que pode dispor arbitrariamente da terra, sub-
metendo-a sem reservas à sua vontado, como se ela náo possuisse
“uma forma própria e um destino anterior que Deus Ihe deu, e que o
homem pode, sim, desenvolver, mas näo deve trait. Em vez de reali-
zar o seu papel de colaborador de Deus na obra da eriaçäo, o homem
substitui-se a Deus e, desse modo, acaba por provocar a revolta da
natureza, mais tiranizada do que governada por ele"?

282, A questáo ecológica já era posta por Sio Joao Paulo II em
uma perspectiva mais ampla eligada 20 ambiente humano mais abran-
gente. O seu objetivo era o de salvaguardar as condigdes morais de uma

FA idem, 0.8
75 idem, a 10
76 era,

77 CaaS

auténtica “ecología humana’ Segundo ele, a atengáo à preservagio dos
hábitats naturais das diversas espécies animais amoagadas de extingáo
deve ir de mies dadas com o respeito pela estrutura natural e moral, da
qual o homem foi dotado. Dai a atengäo aos "graves problemas da mo-
derna urbanizagäo, a necessidade de um urbanismo preocupado com
a vida das pessuas, bem como a devida atençäo a uma "ecología social
do trabalho’ O Papa falou da necessidade de ter coragem e paciéncia
para “demolir” as estruturas contrárias à humanidade do ambiente e
“substitui-las com formas de convivencia mais auténticas”?

253. Para ele, a crise ambiental nao é só científica e tecnolögi
ca: & fundamentalmente moral. A “relaçäo” entre a humanidade e 0
restante da criagäo é de suma importáncia e deve ser cultivada com
amore sabedoria.

8. Bento XVI: a ecología humana

254.0 Papa Emérito Bento XVI foi diversas vezes apresentado
como "o primeiro papa verde" Em sua Mensagem para o 60° Dia
Mundial da Paz (1° de janeiro de 2007), ele retomou e consolidou a
relaçäo inseparável que existe entre “ecología da natureza' "ecología
humana” e “ecologia social” É muito forte, na sua mensagem, o vin-
culo entre a questäo ecológica e o fato de que, em algumas regiöes do
planeta, ainda se vivem condigócs de grande atraso, em que o desen-
volvimento está praticamente bloqueado, também por causa do au-
mento dos progos da energia. O Papa porgunta: “Que será dessas po-
pulagdes? Que tipo de desenvolvimento ou de náo desenvolvimento
Ihos scrá imposto pela escassez de reabastecimento cnorgético? Que
injustiças e antagonismos provocará a corrida As fontes de energia?
E como reagiräo os excluidos dessa corrida?"

7% biden 1.35.
» lden.

$0. Par excl, na tevista National Geographic de 28 de sereno de 2615,
51. DENTO XVI Mensagem para có Dia Mundial da Pa, 2007,

a

255.Na enciclica Caritas in Veritate (29 de junho de 2009)
Bento XVI expressa seu pensamento sobre a temática correlacionan-
do-a com diversos ámbitos: o ecológico, o jurídico, o económico, o
político, o cultural” Afirma: “2 natureza, especialmente no nosso tem-
po, está tao integrada nas dinámicas sociais e culturais que quase já
nao constitui uma variävel independente”** Recordou a urgencia de
uma solidariedade que leve a “uma redistribuigäo mundial dos recur-
sos energéticos, de modo que os pröprios paises desprovidos possam
ter acesso a eles” Nessa ocasiño, reiterou que a questäo ecológica diz
respeito à Igreja: “A Igreja tem uma responsabilidade pola criagio e
deve fazer valer essa responsabilidade também em público. E, ao fazer
isso, deve defender a terra, a água e o ar como dons da criaçäo que
pertencem a todos. Deve proteger o homem contra a destruigäo de
si mesmo”** Na Audiéncia Geral de 26 de agosto de 2009, afirmou:
“€ indispensivel converter o atual modelo de desenvolvimento global
para uma maior e compartilhada assungäo de responsabilidade em re
laçäo à criagáo: isso é exigido nao só pelas emergéncias ambientais,
mas também pelo escándalo da fome e da miséri

9. Francisco: uma ecologia integral

256. No magistério do Papa Francisco aparece clara uma visäo
global, em continuidade com os seus antecesores. Seres humanos, na-
tureza e ambiente, criagäo e sociedade estäo ligados entre si: “Ecologia
humana e ecología ambiental caminham juntas Uma das palavras-
-chave € “harmonia”. Essa visto ampla, atenta as “relagöes” e nao só ao
homem entendido como “contro”, interroga-se sobre qual impacto o
progresso económico, as novas tecnologías e o sistema financeiro tém
sobre os seres humanos e sobre o ambiente: “o perigo ésério, porque
a causa do problema nao é superficial, mas profunda: náo é só uma

m una

RS Dem, 60
85 FRANCISCO, Audiéncia Geral 5 de junho de 2013.

questäo de economia, mas de ética e de antropologia. A Igreja ressal-
tou isso varias vezes, e muitos dizem: ‘Sim, é justo, € verdade) mas o
sistema continua como antes, porque o que domina sáo as dinámicas
de uma economia e de uma finanga carentes de ética. O que manda
hoje náo é o homem, é o dinheiro, o dinheiro manda. E Deus, nosso
Pai, deu a tarefa de guardar a terra näo para o dinheiro, mas para ns:
aos homens e ás mulheres, nós temos essa tarofa! Ao contrário, ho-
mens e mulheres sao sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo: é
a ‘cultura do descarte""

257. Essas convicgöes do Papa Francisco sio apresentadas na sua
exortaçäo apostólica Evangelit Gaudium (24 de novembro de 2013):
«Nós, os seres humanos, no somos meramente beneficiärios, mas
guardides das outras criaturas. Pela nossa realidade corpórea, Deus
uniu-nos táo estreitamente ao mundo que nos rodeia, que a desertifi-
caçäo do solo é como uma doenga para cada um, e podemos lamentar
a extingäo de uma espécie como se fosse uma mutilaçäo. Nao deixe-
‘mos que, à nossa passagem, fiquem sinais de destruiçäo e de morte que
afetem a nossa vida e a das geragöes futuras"**É clara sua denúncia do
sistema “que tende a englobar tudo para aumentar os beneficios’, por-
que, nele, “qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente,
fica indefesa em relagäo aos interesses do mercado divinizado, trans-
formados em regra absoluta"

258, O apelo de Francisco é contundente: “O tempo para encon-
trar solugöes globais esta acabando. Só podemos encontrar soluçües
adequadas se agirmos juntos e de comum acordo. Portanto, existe um

claro, definitivo e improrrogével imperativo ético de agir”

259. A preocupaçäo com a ecología humana e ambiental cviden-
cia uma dimensäo fundamental da fé. Somando-se aos Papas que Ihe
precederam, inclui o tema da ecología na Doutrina Social da Igreja.

37 dem
$8 EG.0.215

89 idem. 56

90. FRANCISCO, Confertecia de Lima, 27 de novembre de 2014.

26

Com isso, o Papa percebeu que era chegado o momento de produzir
um documento oficial da Igrejasobrea ecologia,nasce assim, a Laudato
Si’ (24 de maio de 2015). Nela, o Papa enfrenta o desafio ecológico
de modo amplo, reconhecendo adequadamente o ponto de vista cien-
tílico sobre as mudangas climáticas, as suas causas e cansequéncias,
eos remédios necessärios. Seu objetivo nao é o de fazer especulaçäo
nem de simplesmente se unir a esta ou aguela teoria, mas convidar os
homens e mulheres de boa vontade a considerar bem as suas respon-
sabilidades para com as goragées futuras e agir de modo consequente.
¡Nao se trata de fazer apenas campanhas para salvar algumas espécies
animais ou vegetais raras - o que é também importante -, mas se trata
de assegurar que centenas de milhöes de pessoas tenham água lime
pa para beber, ar puro para respirar, possam levar uma vida digna, ter
acesso aos bens do desenvolvimento integral, boas condigöes de saúde
e possam continuar se relacionando com a criaçäo, da qual sao parte.

260.0 tema da CF 2017 permite contextualizar a Laulato Si”lo-
calmente suas reflexöes e assumir suas propostas em cada comunidade,
relacionando a questäo ecológica global com os desaños locais, Dois ele-
mentos da fé crista a respeito da criagäo sao especialmente destacados
pelo Papa Francisco. No número 69 da encíclica citao Catecismo da Igreja
Católica: "cada criatura possui a sua bondade e perfeicao pröprias.
As diferentes criaturas, queridas pelo sen préprio ser refletem, cada qual
à seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinitas de Deus.
É por isso que o homer deve respeitar a bondade própria de cada cria-
tura, para evitar o uso desordenado das coisas (ClgC, n. 339)" E, mais
adiante, no mimero 86: “Tal é o ensinamento do Catecismo: À interde-
pendéncia das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a
florzinha, a äguia e o pardal: o espetáculo das suas incontáveis diversida-
des e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma.
las só existem na dependéncia umas das outras, para se completarem
mutuamente no servigo umas das outras’ (CIgC, n. 2418)"

261. Sua reflexäo, após indicar os elementos fundamentais da
fé com relagäo à criagio, adentra os problemas e desafios atuais e as

y

perspectivas de futuro, convidando todos a assumirem uma responsa-
bilidade que é comum e diferenciada. Nesta que é a primeira encíclica
ecológica, o Papa indica como um dos eixos fundamentais da reflexäo
ecológica “a relaçäo intima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a
convieçäo de que tudo esté estreitamente interligado no mundo, acríti-
ca do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia,
© convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o pro-
greso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia,
a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade
da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta de
um novo estilo de vida" Estas duas convicgöes, a interligaçäo existente
entre todos os seres e a conexáo existente entre problemas ecológicos
e pobreza, sáo retomadas e desenvolvidas ao longo de toda a encíclica.

262. Ressalta igualmente a necessidade da participaçäo e o en-
volvimento de todos, nao só dos cientistas, técnicos e líderes politicos.
As questóes sejam discutidas nao só de modo global, mas sejam con-
sideradas também er seu impacto sobre cada local: “Ei necessário dis-
pordeÉfpagos de debate, onde todos aqueles que poderiam de algum
modo ver-se, direta ou indiretamente, afetados (agricultores, consu

midares, autoridades, cientistas, produtores de sementes, populagóes
vizinhas dos campos tratados e outros) tenham possibilidade de expor
assuas problemáticas ou ter acesso a uma informagäo ampla e fidedig-
na para adotar decisöes tendentes ao bem comum presente e futuro’?

10.Conclusáo

263. A reflexio sobre os biomas e os povos originärios recebe
uma rica iluminagäo da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja.
É preciso que a constataçäo das riquezas e dos desafios ligados ao tema
da Campanha da Fraternidade seja levada à açäo a partir de uma refle-
xo serena e profunda dos ensinamentos de nossa tradigäo cristä.

9 15,016
92 Ibidem, 9.138

264. A partir da fé cristá, é grande a contribuigäo que pode ser
dada as questöes da ecologia integral e, em particular, à convivencia
harmónica com os nossos biomas. Como afirma o Papa Francisco: “as
convicgóes da fé oferecem aos cristäos - e, em parte, também a ou
tros crentes - motivagdes importantes para cuidar da natureza e dos
irmäos e irmas mais frágeis”»

9 150.64

CAPITULO IN-AGIR

co

1. O agir na Campanha da Fraternidade 2017

265.0 agir da Campanha da Fratornidado de 2017 está em sin-
tonia com a Doutrina Social da Igreja, principalmente com a enciclica
Laudato Si’ e com a Campanha da Fraternidade Ecuménica de 2016.
Blas indicam a necessidade da conversáo pessoal e social, dos cristáos
enáo cristáos, para cultivar e cuidar da eriaçäo.

266. Cuidar dos biomas brasileiros além de ser uma açäo de fé
+ cidadania é uma demonstragäo de comprometimento para com o
criador que paulatinamente espera a conversäo de seus flbos e filhas,
criados à sua imagem e semelhanga. Ela também atende aos apelos do
Papa Francisco que propöc a defesa da vida na ecologia integral.

267.A encíclica Laudato Si, propöe a ecología integral como
condiçäo para a vida do planeta. É também referéncia para a aproxima-
io do homem e da mulher com o Criador e a criaçäo. A Campanha
da Fraternidade propöe o cuidado e cultivo dos biomas brasileiros e o
respeito pelos povos originários.

268. A Campanha da Fraternidade 2017 também está em sinto-
nía com a celebracio dos trezentos anos do encontro da imagem de
Nossa Senhora da Conceiçäo Aparecida.

269.Sob o cuidado daquela que amou incondicionalmente a
vida, rogamos a Deus para nos encorajar com sabedoria, ética, bénçäo
e responsabilidade social o cuidado da vida e da criaçäo que no pla-
nota esti ameagada, queremos fazer, junto com todos os povos, ecoar
nosso grito à sociedade brasileira ¢ ao mundo que os biomas pedem
socorro, Este grito viré com as asóes de caräter geral, e também espe-
cifico para cada bioma, que seräo apresentadas a seguir:

+ Retomar as propostas da Campanha da Fraternidade Ecuménica
de 2016, no contexto do cuidado com a Casa Comum, com en-
foque no saneamento básico,

9

a

Despertar para a beleza dos biomas e a necessidade do cuidado.
Aprimorar em todos os biomas o monitoramento por satélite,
com objetivo de desenvolver políticas de combate 20 desmata-
mento e demais ages predatórias.

Exigir do poder executivo a consolidaçäo do plano municipal de
sancamento básico.

Defender o desmatamento zero para todos os biomas e sua re-
composiçäo forestal, particularmente em morros, encostas, áxe-
as de preservagäo, recargas de aquíferos e matas ciliares.
Fortalecer as redes, articulagóos, em todos os niveis, como as me-
Ihores formas de suscitar uma nova consciéncia e novas práticas
na defesa dos ambientes essenciais à vida.

Motivar todas as igrejas, religiôes, pessoas de boa vontade, a de-
fender o património (biomas) que é o fundamento natural de
nossas vidas e deverá ser das geraçües futuras.

Aprofundar os estados, promover debates, seminários, celcbra-
gos, romarias, nas escolas públicas e privadas sobre o tema da CE,
Celebrar as vitörias acontecidas em termos de demarcaçäo dos
territórios dos povns originários, recuperagäo de rios, avango no
aumento de cooperativas de reciclagem, avango na consciéncia,

Potencializar toda dimensäo ecológica que já existe na piedade po-
pula, como as festa de padrogiro, as devogóes aos santos ealiturgia.
Fortalecer a ecologia integral, que comoga nos pequenos gestos, e
que precisa se estender para o comunitário, o regional, o nacional e
acidadania global, como nos pede o Papa Francisco na Lauduto Si.
Combater a corrupezo exigindo transparéncia nos processos lici-
tatörios em relaçäo as enchentes e secas que acabam sendo meca-
nismo de exploracio e desvio de recursos públicos.

Defender as temáticas das questôes ecológicas dentro da educa-
40 popular e regular.

Incentivar a criagäo de um Projeto de Lei que impega o uso de
agrotóxicos.

+ Promover rodas de conversa sobre os maleficios que as queima-
das e a poluiçäo urbana provocam aos biomas e inevitavelmente
A vida humana.

* Valorizar e incentivar a participaçäo dos leigos e das leigas nos
conselhos paritários.

2. O agir no bioma Amazónia
270. Por séculos, a Amazónia segue sendo vista como terra para
ser desbravada, terra para ser explorada, terra para ser colonizada.

271. Acenamos propostas irrecusáveis no desejo de preservas,
no somente a natureza, como a urgente instalagáo de projetos capa-
zes de melhorar a qualidade da vida da populagäo nas grandes cidades
situadas na regido:

+ Compartilhar saberes e estratégias de sobrevivencia e conviven-
ia com o meio ambiente oriundas dos povos originärios e comu-
nidades tradicionais.

+ Valorizar ¢ promover a cultura do bem-viver (modelo da caltu-
ra indígena que cultiva harmonia para com todos os irmáos/ás,
com culturas diferentes, com Deus e a natureza).

+ Reforgar as articulaçôes e resisténcias apoiando os povos tradi-
cionais nas mobilizagées e nas lutas por direitos e regularizagäo
de seus territörios.

+ Fortalecer as iniciativas como as de cooperativas, baseadas no
agroextrativismo, pois tem gerado renda para muitas familias.

+ Defender a biodiversidade e o meio ambiente articulando orga-
nismos, entidades, igrejas e comunidades.

+ Defender as riquezas e os saberes dos povos amazónicos, vitima-
dos e ameacados secularmente por interesses económicos de em-
presas nacionais e internacionais.

+ Fortalecer a Rede Panamazónica (REPAM), como espago de ar-
ticulagäo e intercámbio das värias redes eclesiais que atuam em
conjunto na sociedade amazónica.

9

+ Fortalecer as políticas put
porte público de qualidade

s por saneamento bésico e trans-

+ Valorizar os elementos e os significados das artes, músicas © ou-
tras expressôes da cultura amazónica.

+ Atuar na defesa de políticas públicas socioambientais para am.
pliar parcerias e trabalhos em rede.

3. O agir no bioma Caatinga

272. A Caatinga € rica em biodiversidade, mas um bioma extre-
mamente frágil. Sua flora é constituida por espécies com longa história
de adaptagio ao calor e a seca, sendo incapaz de naturalmente se rees-
truturar se máquinas foren usadas para alterar o solo. Nas últimas dé-
cadas, 40.000 km? da Caatinga se transformaram em deserto porinter-
feréncia do homem, a sua exploragäo segue em ritmo preocupante.”

273, Padre Cicero, que viveu no semiärido em meados do século.
passaclo e muito contribuiu com a vida no nordeste brasileiro, deixou
onze preceitos ecológicos que continuar atuais e devem ser exercita-
dos nesta campanha:

+ “Nao derrube o mato, nem mesmo um s6 pé de pau.

+ Nao toque fogo no rogado nem na Caatinga.

+ Nio cace mais e deixe os bichos viverem.

+ Näo crie © boi nem o bode soltos; faga cercados e deixe o pasto
descansar para se refazer.

+ Nao plante em serra acima, nem faga rogado em ladeira muito em
pé: deixe o mato protegendo a terra para que a água náo a arraste
€ nâo se perca a sua riqueza.

+ Facaumacisterna no oitäo de sua casa para guardar égua da chuva.

+ Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com
pedra solta.

SE ALVES, Joe Jason Antanlo. Granit da caning na semiárido do Nondeste nie,
LIME: Climatología e Estudos du Prem, 2, Rio Claro, 2007.



+ Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caja, de sabi
ou outra árvore qualquer, até que o sertáo todo seja uma mata só.
+ Aprenda a tirar proveito das plantas da Caatinga, como a manigoba,
a favela ea jurema elas podem ajudar a vocé a conviver com a seca.

+ Se osertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se
acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer.
+ Mas, se nao obedecer, dentro de pouco tempo o sertäo todo vai
virar um deserto só”.
274. Além dos preceitos de Padre Cicero, segue outras açôes
a serem realizadas como exercicio quaresmal da Campanha da
Fraternidades

+ Retomar as discussöes sobre a realidade urbana, principalmen-
te em relagäo ao esgotamento sanitário e o Plano Municipal de
Saneamento Básico.

+ Reforcar os projetos da Articulaçäo no Semiárido Brasileiro
Por Um Milhäo de Cisternas (PIMC) e Por Uma Terra e Duas
Aguas (P1+2).

+ Reformular e ampliar a rede de captaçäo de água de chuva para
Deber e produzir.

+ Conhecer e fortalecer a malha de adutoras para abastecimento
rural e urbano de água para as comunidades rurais e centros ur-
"anos planejados no Atlas do Nordeste, da Agéncia Nacional de
Aguas (ANA), priorizando efetivamente o abastecimento huma-
no ea dessedentaçäo dos animais,

+ Desenvolver a captaçäo da energia solar descentralizada, como
fonte de renda para as familias e produgáo de energia.

+ Incentivar a energia eólica, com projetos que sejam do interesse
das comunidades tradicionais, respeitando seus terrtórios.

+ Reforgar a luta pela demarcagäo dos territórios indígenas, quilom-
bolas ¢ das comunidades tradicionais — particularmente os “Fundos
ou Fechos de Pasto” - ereforgar a necessidade da reforma agräria.

+ Reforçar a “educagáo contextualizada” nas escolas públicas, para
aprofundar um entendimento mais correto do que é o semiárido
ca propria Caatinga.

+ Reforgaro desenvolvimento da agroecologia adaptada ao semiári-
do, com o manejo cuidadoso da Caatinga, em favor de seus povos.

+ Denunciar © uso dos agrotóxicos, usados de forma indiscri-
minada para o aumento da produsio e proteçäo das pragas na
agroindóstria.

+ Reforgar a proposta do desmatamento zero na Caatinga visando
combater o desmatamento e a desertificagäo.

+ Reforgar as iniciativas do “recaatingamento”, perenizagäo inteli-
gente de rios e riachos para armazenar gua.

+ Fortalecere ampliara defesa da revitalizagáo do rio Sao Francisco.

+ Reforçar a criatividade dos povos originários e as iniciativas oft
ciais que visam a expansäo de uma infraestrutura que beneficie o
povo, evitando a depredaçäo do semiárido.

+ Buscar parceria com o Ministério Público a fim de que a implan-
tagáo, 2 agño e os impactos ambientais das mineradoras possam
ser devidamente fiscalizados.

4. O agir no bioma Cerrado
278. A Igreja propoe agúes para o cuidado e preservagáo da vida
no Cerrado brasileiro:

+ Promovero intercámbio entre as comunidades locais para a troca
de experiéncias e o conhecimento da biodiversidade do Cerrado.

+ Incentivar o desenvolvimento de projetos de preservaçäo, recu-
poragio e valorizagáo das frutas, ervas medicinais.

+ Fortalecer a agricultura camponesa familiar através de meios que
viabilizem a produgio agroccológica, agrocxtrativista e as redes
de comercializacio.

Desenvolver acöes de recuperagäo de nascentes de rios e recons-
tituigáo das matas ciliares.

Trabalhar pelo reconhecimento do Cerrado como Património
Nacional. Promover ampla e participativa reflexáo e discussio
para aprovaçäo da PEC 504/2010, que beneficiará também o
bioma Caatinga.

Fortalecer a luta em defesa dos territórios tradicionais e da refor-
maagrária.

Exigir controle mais rígido sobre o licenciamento de novos pro-
jetos de irrigagäo.

Promover debates e seminários sobre o Projeto de Desenvolvi-
mento do MATOPIBA (regido agriculturável em territörio de
cerrado, formada por parte dos estados do Maranháo, Tocantins,
Biauf e Bahia), que é uma grande ameaga ao Cerrado.

Exigir o respeito ao direito dos povos e comunidades tradicionais
de serem consultados sobre empreendimentos que afetem seus
meios de vida, como prescreve a Convencáo 169 da Organizacáo
Internacional do Trabalho (OIT).

Envolver a populagáo urbana no debate sobre o Cerrado, cons-
cientizando-a de que também depende dos servigos ambientais
do bioma, como a disponibilidade de água, a umidade do ar, a
temperatura e todo desenvolvimento económico baseado nos
solos e na utilizagäo da ägua.

Reforgar a campanha promovida por diversas entidades cujo lema
€: “Cerrado berco das äguas: sem Cerrado, sem Agua, sem vida’.

5. O agir no bioma Mata Atlántica
276,0 bioma Mata Atlántica em biodiversidade está

ameagado.

277.0 Criador espera de cada um dos seus filhos, princi-

palmente dos que habitam no bioma Mata Atlántica, respostas
individuais e coletivas.

7

278. Algumas agies de cuidado e cultivo que sáo propostas:

+ Exigir do poder público a recuperacio das áreas degradadas
como: matas ciliares e nascentes.

+ Defender a demarcagio dos territórios indígenas, quilombolas e
demais comunidades tradicionais.

+ Exigir que as políticas de saneamento básico sejam implantadas
em toda área urbanizada e rural do bioma Mata Atlántica.

+ Apoio ao abairo-assinado do projeto de lei de iniciativa popular
para o reconhecimento, protegáo e garantia do direito ao territó-
rio das comunidades tradicionais pesqueiras.

+ Fomentar e/ou apoiar açôes relacionadas a despoluiçäo e re-
vitalizagáo das bacias hidrográficas e bafas: Alto Tieté, Baia da
Guanabara, Bacia do Rio Doce e Rio Paraíba do Sul.

+ Cuidar das nascentes e dos rios.

+ Apoiaras agöes em defesa do bioma frente ao avango das mine-
radoras que degradam e retiram riquezas que provocam perdas
humano-culturais,

+ Participar e acompanhar a efetivagáo do plano diretor, sobretu-
do, em relagäo ao saneamento básico dos municipios.

+ Denunciar os projetos económicos imobiliários em Areas de Pre-
servaçäo Permanente (APP).

+ Apoiar a producño agroecológica camponesa com base na agri-
«cultura familiar, como alternativa ao latifúndio e o agronegécio.

+ Incentivar o consumo de produtos agroecológicos e sustentáveis
provenientes da Economía Solidária.

6. O agir no bioma Pantanal

279.0 bioma Pantanal é considerado uma das maiores extensdes
imidas continuas do planeta. Este bioma continental é considerado o
de menor extensäo territorial no Brasil, entretanto este dado em nada
desmercce a exuberante riqueza que o referente bioma abriga.

280. 0 bioma Pantanal nos oferece a possibilidade de contem-

plagio da criagäo. Se näo agirmos, muito em breve náo mais podere-
mos contemplar a vida neste belíssimo bioma, por isso, seguem algu-
mas pistas e açôes para nossa conversäo quaresmal:

+ Incentivar políticas públicas de preservagio do meio ambiente
do Pantanal,

+ Dar visibilidade as populacóes pantaneiras, com suas culturas
e costumes.

+ Colaborar com a defesa das comunidades tradicionais e ribeiri-
has que resistem dentro do Pantanal, a fim de que teriham seus
direitos garantidos

+ Apoiar os povos indígenas para garantir que suas terras ances-
traisIhes sejam demarcadas, afastando os fazendeiros ganancio-
sos da regiño.

+ Promover campanhas de conscientizacio quanto ao descarte
adequado dos resíduos sólidos e esgotos sanitários, para preser-
var osrios, lagos e igarapés.

+ Promovera integracáo das liderancas indígenas e das populagóes.
tradicionais na futa pelas causas comuns.

+ Assegurar a presença efetiva da Igreja na assisténcia espiritual ás
comunidades católicas indígenas.

7. O agir no bioma Pampa

281. 0 bioma Pampa exibe um imenso patriménio cultural as-
sociado à biodiversidade. A perda de biodiversidade compromete
© potencial de desenvolvimento sustentável da regio, seja perda de
espécies de valor forrageiro, alimentar, ornamental e medicinal, soja
pelo comprometimento dos servigos ambientais proporcionados pela
vegetaçäo campestre.

282. É notörio que o bioma Pampa está sendo ameagado e tem
seus ecossistemas modificados, por esta razäo, propomos:

+ Incentivar agöes que promovam o direito à vida e a cultura dos
povos tradicionais que habitam o bioma.

Conscientizar a necessidade de defender a biodiversidade animal

e vegetal do bioma.
Propor novos métodos de produgäo das áreas ocupadas pelo
agronegócio, com monoculturas, através da recomposigáo da ve-

getaçäo original e de cultivo agroecológico.

Motivar a recuperagäo das fontes de ¿gua potével, rios, lagoas e
banhados, através de políticas de despoluicäo, replantio das ma-
tas cilares e redelinigäo de seu uso.

Exigir políticas públicas para o controle da exploraçäo e comer-
cializagáo da Agua, com incentivo ao controle social.

fa Bus

Co

283. As indicagóes do agir näo sio de caráter geral. Algumas
delas chegam a aspectos bem particulares. É importante que cada co-
munidade, à partir do bioma em que vive e em relaçäo com os povos
originários desse bioma, faga o discemimento de quais agóes sáo pos-
siveis, e entre elas quais sáo as mais importantes e de impacto mais
positivo e duradouro.

284. A mensagem do Papa Francisco proferida no dia 19 de
setembro de 2016 (Dia Mundial de Oraçäo pelo Cuidado da Criagäo)
ilumina as comunidades para fizerem seu discernimento.

285. Ele convida a renovar o diálogo sobre os sofrimentos que
afligem os pobres e a devastagäo do meio ambiente, com cada pessoa
que no planeta habita. Ele afirma que Deus deu-nos de presente um
exuberante jardim, mas estamos a teansformá-lo em uma poluida vas-
tidio de ruinas, desertos e lixo, Ele nos alerta para náo nos rendermos
ou ficarmos indiferentes perante a perda da biodiversidade e a destrui-
ño dos ecossistemas, muitas vezes provocadas pelos nossos compor-
tamentos irresponsáveis e egoístas.

286. Para o Papa Francisco, é por nossa causa que milhares de
espécies já náo daräo glória a Deus com a sua existéncia, nem poderäo
comunicar-nos a sua própria mensagem e nés, segundo ele, näo temos
esse direito, Por mais que nao queiramos, é devido à atividade humana
que o planeta continua a aquecer. Segundo os registros, o ano de 2015
seria o mais quente, entretanto, hé estudos já apontando que o ano de
2016 foi mais quente do que o anterior.

287, Os resultados desse aquecimento sio visiveis com a provo-
caçäo de secura, inundagöes, incéndios e acontecimentos meteoroló-
gicos extremos cada vez mais graves, As mudangas climáticas contri
bucm também para a dolorosa crise dos migrantes forgados. Os po-
‘bres do mundo, embora sejam os menos responsáveis pelas mudangas
«climáticas, io os mais vulneräveis e já sofrem os seus efeitos.

288, Ao salientar a importäncia da ecologia integral, ele afirma
que os seres humanos estáo profundamente ligados entre si e eriaçäo
na sua totalidade. Portanto, quando maltratamos a natureza, maltra-
tamos também nós seres humanos. Ao mesmo tempo, cada criatura
tem o seu proprio valor intrínseco que deve ser respetado. Para que
possamos garantir uma resposta adequada c célere, cle nos convoca a
escutar, tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres.

289. A CF, abordando a realidade dos biomas brasileiros e as
pessoas que neles moram, deseja despertar as comunidades, familias e
pessoas de boz vontade para o cuidado e cultivo da casa comum. Cui-
dar da obra saída das mäos de Deus deveria ser um compromisso de
todo cristáo. Partindo do Evangelho, o cristäo encontra nas criaturas
um irmáo, uma irmä, a exemplo de So Francisco de Assis.

290. A criaçäo é obra amorosa de Deus confiada a seus filhos e
filhas. Nossa Senhora Mie de Deus e dos homens acompanhará as co-
munidades e familias no caminho do cuidado e cultivo da casa comum
no tempo quaresmal.

nm moin

1. Natureza e histórico da CF

Em 1961, très padres responsáveis pela Caritas Brasileira ideali-
zaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assis-
tenciais e promocionais da instituigáo e torná-la, assim, autónoma
financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade
e realizada, pela primeira vez, na Quaresma de 1962, em Natal (RN),
com adesiv de outras trés dioceses e apoio financeiro dos bispos nor-
te-americanos. No ano seguinte, dezesseis dioceses do Nordeste rea-
lizaram a Campanha, Nio teve éxito financeiro, mas foi o embriäo de
um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas
Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes
Gerais da Agáo Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso país.

Em seu inicio, teve destacada atuagäo o Secretariado Nacional de
Agáo Social da CNBB, sob cuja dependéncia estavaa Caritas Brasileira,
que fora fundada no Brasil, em 1957. Na época, o responsável pelo
Secretariado de Açäo Social era Dom Eugenio de Araújo Sales, que,
porisso, era presidente da Caritas Brasileira. O fato de ser administra-
dor apostólico de Natal (RN) explica que a Campanha tenha iniciado
naquela circunscrigio eclesiástica e em todo o Rio Grande do Norte.

Esse projeto foi lançado, em ámbito nacional, no dia 26 de
dezembro de 1963, sob o impulso renovador do espírito do Concilio
‘Vaticano U, em andamento na época, e realizado pela primeira vez
na Quaresma de 1964. O tempo do Concilio foi fundamental para
a concepgäo, estruturagäo e encaminhamentos da CF, do Plano de
Pastoral de Emergencia, do Plano de Pastoral de Conjunto e de outras
iniciativas de renovaçäo eclesial. Ao longo de quatro anos seguidos,
por um período extenso em cada um, os bispos ficaram hospedados
na mesma casa, em Roma, participando das sessöes do Concilio e de
diversos momentos de reuniáo, estudo, troca de experiencias, Nesse
contento, nasceu e cresceu a CF.

108

Em 20 de dezembro de 1964, os bispos aprovaram o projeto
inicial da CF, intitulado: "Campanha da Fraternidade: pontos fun-
damentais apreciados pelo episcopado em Roma” Em 1965, tanto a
Caritas quanto a Campanha da Fraternidade, que estavam vinculadas
ao Secrotariado NacionaldeAgño Social, foramvinculadasdiretamen

te ao Secretariado Geral da CNBB. A CNBB passou a assumir a CF.
Nessa transicio, foiestabelecidaa estruturagio bäsicadaCR Em 1967
comecou a ser redigido um subsidio, maior que os anteriores, para a
organizaçäo anual da CF. Nesse mesmo ano, iniciaram-se, também, os
encontros nacionais das Coordenagdes Nacional e Regionais da C
A partir de 1971, tanto a Presidéncia da CNBB como a Comissäo
Episcopal de Pastoral comegaram a ter uma participagäo mais inten-
sa em todo o processo da CF.

Em 1970, a CF ganhou um especial e significativo apoio: a men-
sagem do Papa, transmitida em cadeia nacional de rádio e televisäo,
quando do sua abertura, na Quarta-feira de Cinzas. A mensage papal
continua enriquecendo a abertura da CF.

2. Objetivos permanentes da Campanha
da Fraternidade:

a. Despertar o espírito comunitério e cristäo no povo de Deus, com-
prometendo, em particular, os cristáos na busca do bem comum;

b. educar para a vida em fraternidade, a partir da justiga e do amor,
exigéncia central do Evangelho;

e. renovar a conscióncia da responsabilidade de todos pela açäo da
Jgreja na evangelizagño, na promogio humana, em vista de uma
sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos de-
vem sustentar ago evangelizadora e libertadora da Igreja).

3. Os temas da Campanha da Fraternidade

Os temas da CF, inicialmente, contemplaram mais a vida inter
na da Igreja. A consciéncia sempre maior da situagáo de injustiga,
de exclusáo e de crescente miséria lovou à escotha de aspectos bem

104

determinados da realidade socioecondmica e política brasileira, O res-
tabelecimento da justiça e da fraternidade nessas situagdes cra com
promisso urgente da fé,

1° Fase: Em busca da renovacáo interna da Igreja

a) Renovagän da Igreja

CF 1964: Igreja em renovagäo - Lembre-se: vocé também é Igreja

CF 1965: Paróquia em renovaçäo — Faga de sua paréquia uma
comunidade de fé, culto e amor

b) Renovagäo do cristo

CE 1966; Fraternidade - Somos responsäveis uns pelos outros

CF 1967: Co-responsabilidade - Somos todos iguais, somos todos
irmäos

CF 1968: Doagäo - Crer com asmäos

CE 1969: Descoberta - Para o outro, o próximo é vocè

CF 1970: Participagäo - Participar

CF 1971: Reconciliaçäu - Reconciliar

CF 1972: Servigo e vocagäo - Descubra a feicidade de servir

2° Fase: A Igreja se preocupa com a realidade social
do povo, denunciando o pecado social e promovendo

a justiga (Vaticano Il, Medellin e Puebla)

Neste período marcado por graves injustigas e restrigäes socio-
políticas no país, a Igreja, por meio da Campanha da Fraternidade,
contribuiu para que o chamado à conversäo proprio da Quaresma se
estendesse ao ámbito comunitério e social, despertando as conscién-
cias para as graves injusticas existentes nas estruturas do pais, em vista
de agóes transformadoras. Assim, a Páscoa repercutiu na história do
povo brasileiro gerando fraternidade e vida.

CF 1973: Fraternidade elibertagäo - O egolsmo escraviza, 0 amor liberta
CF 1974: Reconstruir a vida - Onde está o teu irmáo?

CF 1975: Frater

idade & repartir - Repartir o páo

105

CF 197
CF1977:

Fraternidade e comunidade - Caminhar juntos

Fraternidade na familia - Comece em sua casa

CF 1978: Fraternidade no mundo do trabalho - Trabalho e justica

CF 1979:
CF 1980;

CF 1981
CE 1982:
CP 1983:
CF 1984:

para todos
Por um mundo mais humano — Preserveo que de todos

Fraternidade no mundo das migragöes: exigéncia da euca-
ristia - Para onde vais?

: Satide e fraternidade - Saúde para todos
à Educacáo e fraternidade - A verdade vas libertard
Fratemidade e violencia -Fratenidade sim, violncianáo

: Fraternidade e vida - Para que todos tenham vida

3° Fase: A Igreja se volta para situagöes
existenciais do povo brasileiro

Nest

ta fase a Igreja, com arealizagäo das Campanha da Fraternidade,

tem contribuido an evidenciar situagöes que causam sofrimento e morte

em meio.
Brasil reeı

20 povo brasilero, nem sempre percebidas por todos, quando o
ncontra seu longo caminho rumo à construgäo de uma socieda-

de democritica, capaz de integrar todos os seus filhos e filas.

CF 1985:

CF 1986:
CF 1987:
CF 1988:
CF 1989:

CF 1990:
CF 1991:

106

: Fraternidade e fome - Pao para quem tem fome
Fraternidade e terra - Terra de Deus terra de irmáos
Afraternidade e o menor— Quem acolheo menor, a Mim acolhe
A fraternidade e o negro - Ouvi o clamor deste povo!

Afraternidade e a comunicacáo - Comunicagdo para a ver-
dade ca paz
A frateridade eamulber - Mulher e homer: imagem de Deus

A fraternidade e o mundo do trabalho ~ Solidarios na digni-
dade do trabalho

CF 1992:

CF 1993:
CF 1994:
CF 1995:

CF 1996:

CF 1997:

CF 1998:
CF 1999:

CF 2000:

CF 2001:
CF 2002:

CF 2003:

CF 2004:
CF 200$:
CF 2006:

CF 2007:
CF 2008:
CF 2009:

CF 2010:

CF 2011:

Fraternidade e juventude — Juventude: caminho aberto
Fraternidade e moradia - Onde moras?
Afraternidade e a familia - A famili, como vai?

A fraternidade e os excluidos - Eras Ti, Senhor?!

A fraternidade e a política - Justiga paz se abraçaräo!

A fraternidade e os encarcerados ~ Cristo liberta de todas
as prisdes!

Afraternidade ea educagáo - Aserviço da vidaeda esperanga!
Fraternidade e os desempregados - Sem trabalho... Por qué?

Ecuménica: Dignidade humana e paz - Novo milémio
sem exchusdes

‘Campanha da fraternidade - Vida sim, drogas ndo!
Fraternidade e povos indígenas - Por uma terra sem males!
Fraternidade e pessoas idosas — Vida, dignidade e esperanza!
Fratornidado e água - Agua, fonte de vida

Ecuménica: Solidariedade e paz -Felizs os que promovem a paz

Fraternidade e pessoas com deficióncia ~ “Levantacte, vem
para o meio” (Mc 3,3)

Fraternidade e Amazónia - Vida e missäo neste chao
Fraternidade e defesa da vida Escolhe, pois, a vida (Dt 30,19)

Fraternidade e seguranga pública - A paz é fruto da justiga
(1532,17)

Ecuménica: Economia e Vida - Vocés nao podem servir a
Deus e ao Dinheiro (Mt 6,24)

Fraternidade e a Vida no Planeta — A criaçäo geme em dores
de parto (Rm 8,22)

17

CF 2012: Fraternidade e Saüde Pública— Que asatide se difunda sobre
aterra (of Edo 388)

CE2013: Fraternidade e Juventude - Eis-me aqui, envia-me! (Is 6,8)

CF 2014: Fraternidade e Tráfico Humano — É para a liberdade que
Cristo nos libertou (Gl 5,1)

CF2015: Fraternidade: Igreja sociedade Bu vim para servir (of Me 10,45)

CF 2016: Ecuménica: Casa Comum, nossa responsabilidade. Quero
ver o direito brotar como fonte e correr a justiga qual riacho que
näo seca. (Am 5,25)
© itinerärio da Campanha da Fraternidade continua em 2
com o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o
Tema: “Cultivar e guardar a criaçäo” (cf. Gn 2,15).

4. O gesto concreto - Coleta da Solidariedade

A Campanha da Fraternidade se expressa concretamente pela
oferta de doagóes em dinheiro na coleía da solidariedade, realizada no
Domingo de Ramos. É um gesto concreto de fraternidade, partilha
e solidariedade, feito em ámbito nacional, em todas as comunidades
eristás, paróquias e dioceses. A Coleta da Solidariedade é parte inte-
grante da Campanha da Fraternidade,

DIA NACIONAL DA Ko DA SOLIDARIEDADE

Bispos, padres, religiosos(as), liderancas leigas, agentes de pasto-
ral, colégios católicos e movimentos eclesiais säo os principais moti-
vadores e animadores da Campanha da Fraternidade. A Igreja espera
que com esta motivagäo todos participem, oferecendo sua solidarie-
dade em favor das pessoas, grupos e comunidades, pois: “Ao longo de
uma história de solidariedade e compromisso com as incontáveis vítimas
das inúmeras formas de destruigäo da vida, a Igreja se reconhece servidora

108

do Deus da vida” (DGAE, n. 66). O gesto fraterno da oferta tem um
caráter de converso quaresmal, condigäo para que advenha um novo
tempo marcado pelo amor e pela valorizagáo da vida.

1. Os fundos de solidariedade

© resultado integral das coletas realizadas nas celebragöes do
Domingo de Ramos, coleta da solidariedade, com ou sem envelope,
deve ser encaminhado à respectiva Diocese.

Do total arrecadado pela Coleta da Solidaricdade, a Diocese deve
enviar 40% ao Fundo Nacional de Solidariedade (ENS), gerido pela
CNBB. A outra parte (60%) permanece nas Dioceses para atender proje-
toslocais, pelos respectivos Fundos Diocesanos de Solidariedade (FDS).

Doagóes para o Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB, para
aplicagäo em projetos sociais, podem ser efetuados na conta indicada
abaixo, ao longo de todo o ano.

2. A destinaçäo dos recursos
Os recursos arrecadados serio destinados preferencialmente a
projetos que atendem aos objetivos propostos pela CF 2017.

3. O trámite dos projetos

A recepçäo, análise da viabilidade e acompanhamento do desen-
volvimento dos projetos enviados ao Fundo Nacional de Solidariedade
(ENS), säo trabalhos executados pela CNBB.

A supervisäo do Fundo, a destinagáo dos recursos e a aprovaçäo
dosprojetosestáa cargo do Conselho Gestor do ENS, assim composto:
Secretário Geral da CNBB; Bispo Presidente da Comissio Episcopal
Caridade, Justiga e Paz e seu Assessor; Presidente da Caritas Brasileira;
Tesoureiro da CNBB; Representante dos Secretärios Executivos
dos Regionais da CNBB, a Assistente Social da CNBB e o Secretärio
Executivo da Campanha da Fraternidade.

As Organizaçües que desejam obter apoio do Fondo Nacional de
Solidariedade, de acordo com os critérios de destinagäo previstos para
a CF 2017, deveräo encaminhar os projetos ao seguinte enderego:

Os projetos, após anilise, seräo submetidos 20 Consello Gestor
do ENS.

O Fundo Diocesano de Solidariedade (EDS), composto por
60% da coleta do Domingo de Ramos, é administrado pelo Conselho
Gestor Diocesano, que pode ser constituído com a participagäo de
uma pessoa da Caritas Diocesana (onde ela existe), de um represen-
tante das Pastorais Sociais, da Coordenagáo de Pastoral Diocesana, da
Equipe de animaçäo das Campanhas, do responsável pela administra-
a0 da Diocese e de uma pessoa ligada ao tema da CF. O Bispo consti-
tui este Conselho Gestor e normalmente o preside.

m

4. Prestacäo de contas

A soguir, é apresentada a prestagäo de contas da coleta da soli-
dariedade das CF 2016. Consta a contribuigäo enviada ao ENS pelas
Dioceses, referente a 40% da coleta.

“Contribmígdes para o Fundo Nacional de Solidaridade 2016
CC ReylomstNortet | Data) lor
[ALTO SOLIMOES- AM 09/05/16 134855
[BORBA ax 13/07/16 213600
COARI-AM 20/05/16 208200
WEACOATIARA-AM 24/05/16 161240
IMANAUS- AM 18/05/16 | 5453994
PARINTINS- AM 29/07/16 | 351690
RORAIMA-RR | sarta | 1207378
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CAMELA PA. u = =
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[TTAITUBA- PA. 30/05/16 | 499038
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MARAJO-PA 16/09/16 | 350000
[ÓBIDOS-2a. E -
[PONTA DE PEDRAS-PA = e
[SANTAREM.PA 25/08/16 | 2155524
SANTISSIMA CONCEICAO DO ARAGUMA-PA fa O
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SOBRAL CE 30/05/16 | 10.001,00 BONFIM- BA a =
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PALMARES - PE 19/05/16 | 7.058,00. VITORIA DA CONQUISTA - BA, esse | 1720824
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SANTA MARIA: RS u sone | 970200 Barre re =
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VACARIA- ES = RUACU. GO 205/16 1697298
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RONDONÓPOLIS GUIRATINGA-MT. 0/05/16.

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DIAMANTINO MT 3070s/16

JUINA MT sus | 331246 |
PRIMAVERA DO LESTE - PARANATINGA - MT 30/05/16

SAO HÉLIX- ME 25/04/16

SINOP- MT 30/05/16

Total

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120

GUAJARA MIRIM- RO 30/05/16 ' 491000
HIUMAITA- AM 12/05/16 3.860,00.
7 30/05/16 $1.300,15
CITE - -
PORTO VELHO- RO Ñ 30/05/16 | 28.277,98
[RIOBRANCO-Ac - 30/05/16 | 1532638 |
Total R$101.174,51 |

aralizao em 19 de see de 2016
informastes nancein@cnhhunghr)

5. Atividades do Fundo Nacional
de Solidariedade - 2014- 2015

Para informacdos, osclarecimentos e orientagóes sobre a or
ganizacio e realizagio da Campanha da Fraternidade, contatar
Pe. Nelson Rosselli Filho, Secretário Executivo da CF pelo e-mail:
campanhas@enbborg br ou telefone (61) 2103-8300.

5. O servico de preparacáo e animaçäo da CF

1. Servico de coordenagäo e animagäo da CF

A Campanha da Fraternidade é um programa global conjunto
dos Organismos Nacionais, do Secretariado Nacional da CNBB e
das Igrejas Particulares, sempre realizado à luz e na perspectiva das
Direttizes Gerais da Açäo Evangelizadora da Igreja no Brasil.

Desde 1963, com o Plano de Emergéncia, e 1966, com o Plano
de Pastoral de Conjunto, a agäo evangelizadora da Igreja vive um pro-
cesso de planejamento abrangente. Esse processo tem as Diretrizes
como fundamentagäo e inspiraçäo e se expressa no Plano de Pastoral,
elaborado de forma participativa e em diversos ámbitos,

m

A busca desse planejamento, sempre mais participativo, requer
envolvimento dos agentes de pastoral, das equipes de coordenagän e
animaçäo, dos conselhos e outros örgäos a servigo do crescimento da
vida comunitéria.

A realizagio da CF, como programa global conjunto, & exercício
e expressäo de planejamento participativo e de articulaçäo pastoral,
decorrente da propria natureza da Igreja-Comunhäo.

2. Necessidade de Equipes de Campanhas

Para uma eficaz e frutuosa realizagäo da CF, como de todo pro:
grama pastoral, $ indispensável reavivar, a cada ano, o processo de seu
planejamento. Isso náo acontece sem a constituigäo de equipes de tra-
balho com coordenagáo entusiasta, dinámica, criativa, com profunda
espiritualidade e zelo apostólico.

Em muitos regionais, dioceses e paróquias, a animagáo da CF é
assumida pela respectiva equipe de Coordenaçäo Pastoral, com o esta-
belecimento de uma Comissäo específica para a CF. Esse procedimen-
to poderá favorecer maior integracäo, evitando paralelismos. Poderá,
por outro lado, apresentar o risco de a CF “ser de todos e, 20 mesmo
tempo, de ninguénY.

1) Equipe regional da CF
Compete-Ihe:

+ estimular a formagäo, o assessoramento e a articulagäo das equi-
pes diocesanas;

+ planejar a CF em ámbito regional: o que organizar, quem envol-
ver, que calendário seguir, onde e como atuar.

Atividades que poderá desenvolver antes da Campanha:

+ realizar encontro regional para o estudo do Texto-base, aim de
descobrir a melhor forma de utilizagäo das pegas e subsidios
de divulgagäo;

+ definir atividades a serem asumidas conjuntamente nas dioce-
sos, paróquias e comunidades;

122

verificar a possibilidade da produgäo de subsídios adaptados à
realidade local;

posibilitar a troca de informaçôes e o repasse de subsidios, re-
lacionados ao tema, produzidos em ámbito mais local ou prove-
nientes de outras fontes e regiöes;

constituir equipes ¢/ou indicar possoas que possam prestar ser-
vigo de assessoria.

Durante a Campanha:
descubrir formas de estar em permanente contato com as equi-
pes diocesanas, para animagáo e intercámbio das experiöncias
mais significativas;

possibilitar © acompanhamento das atividades comuns
programadas.

Depois da Campanha:
promover um novo encontro regional de avaliacáo;
providenciara redacao e o envio da sintese regional da avaliagao à Se
cretaria Executiva Nacional da CF, dentro do cronograma previsto;
definir a participagáo regional no encontro nacional de avaliaçäo
e planejamento da CF;

repassarás dioceses a avaliagáo nacional e outras informagóes.

2) Equipe Diocesana da CF
Compete-lhe:

estimular a formagäo, assessorar e articular as equipes paroquiais;
planejar, em nivel diocesano: o que realizar, quem envolver, que
calendário seguir, como e onde atuar.

Atividades que poderá desenvolver antes da Campanha:
encomendar ossubsidios necessérios para as paróquias comunidades
religiosas, colégios, meios de comunicagio, movimentos de Igreja;
programar a realizagäo de encontro diocesano para estudo do
Texto-base, buscando a melhor forma de utilizar as diversas pegas
da Campanha;

123

+ definiratividades comuns nas paróquias;

+ promovero intercámbio de infarmagdes e subsidios;

+ sugerir a escolha do gesto concreto;

estabelecer uma programagäo especial de langamento;
constituir equipes para atividades específicas;

+ informar daesistincia de subsidiosaltemativose repassé-los ásequipes.

Durante a Campanha:
+ acompanhar as diversas equipes existentes;
+ verificar oandamento das atividades comuns programadas;
+ manter frequente contato com as paróquias, para perceber o an-
damento de Campanha;
+ conferir a chegada dos subsidios a todos os destinatérios em
potencial;
* alimentar com pequenos textos motivadores (releases) os meios
de comunicagáo social.
Depois da Campanha:
+ promover encontro diocesano de avaliagáo;
+ cuidar da redagio finale do envio da síntese da avaliagio à equipe
regional;
+ participar do encontro regional de avaliaçäo
+ repassar as equipes paroquiais a avaliagäo regional e outras
informacóes;
+ realizar o gesto concreto e garantir o repasse da parte da coleta
para a CNBB regional e nacional;
+ fazer com que a Campanha se estenda por todo o ano, repassan-
do outros subsidios que forem sendo publicados.
3) Equipe Paroquial da CF
ACE acontece nas familias, nos grupos e nas comunidades ecle
siais, articulados pela paréquia. Como em relaçäo a outras atividades
pastorais, o papel do päroco ou da equipe presbiteral $ preponde-
rante. Tudo anda melhor quando ele estimula, incentiva, articula e
organiza a agño pastoral.

1

Em toda paröguia, pastoralmente dinámica, náo faltaräo equipes de

servigo para tudo que for necessärio. O Conselho Paroquial de Pastoral,
já constituido na maioria das paróquias, por si ou pela constituigäo de
comissio específica, garantirá a realizacáo articulada e entusiasta da CF,

Atividades que poderá desenvolver antes da Campanha:
providenciar o pedido de material junto a diocese;
programar um encontro paroquial para estudo do Testo-base e

para discussäo da melhor maneira de se utilizar as diversas pegas
de reflexäo e divulgagäo da CR;

+ definiras atividades a serem assumidas conjuntamente;
+ estabelecera programaçäo da abertura, em ámbito paroquial;
+ buscar, juntos, os meios para que a CF possa atingir eficazmente

todos os espacos e ambientes da realidade paroquial;

planejar um gesto concroto comum e a destinaçäo da coleta da CR;
realizar encontros conjuntos ou específicos com as diversas equipes
paroquiais, para programagäo de toda a Quaresma e Semana Santa;
prever a utilizagäo do maior número possivel de subsidios da
Campanha.

Durante a Campanha:

intensificar sua divulgagäo;
conferir a chegada dos subsídios aos destinatários;

+ motivar sucesivos gestos concretos de fraternidade;
+ realizara coleta,

Depois da Campanha:
avaliar sua realizagáo, encaminhando a síntese à coordenagáo
diocesana;

+ marcar presença no encontro diocesano de avaliaçäo;
+ repasser As lideransas da paróquia as conclusóes da avaliagáo

diocesana;

realizar o gesto concreto e garantir o repasse da parte da coleta à
diocese;

fazer com que a Campanha se estenda por todo o ano, repassan-
do outros subsidios que forem sendo publicados.

1

Cronograma da CF 2017

1

1° de margo de 2017: Quarta-fcira de Cinzas: Lançamento da
CF 2017 em todo o Brasil, em ámbito nacional, regional, diocess-
no. paroquial, com amensagem do Papa, da Presidéncia da CNBB
e programas especiais,

Realizagño - 1° de marco a 9 de abril de 2017: a Campanha des-
te ano se realiza com o tema: Fralernidade: biomas brasiliros e deje-
sa da vida, o lema: Cultivar e guardar a criagäo (Gn 2,15).
Domingo de Ramas - 9 de abril de 2017: Coleta nacional da
solidariedade (60% para o Fundo Diocesano de Solidariedade e
40% para o Fundo Nacional de Solidariedade).

Avaliaçäo - abril a janho de 2017: nos ámbitos: paroquial
(de 24 de abril a 22 de maio), diocesano (de 24 de maio a 12 de
junho) e regional (12 de junho 2 8 de julho).

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13

134

Oracáo da CF 2017

Deus, nosso Pai e Senhor,
nés vos louvamos e bendizemos,
por vossa infinite bondade.

Criastes o universo com sabedk
eo entrogastes cm nossas Frägeis máos
para que dele cuidemos com carinho e amor.

Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa Comum.
Cresça, em nosso imenso Brasil,
o desejo e o empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas,
e da beleza e riqueza da criagio,
alimentando v sonho do novo céu e da nova terra
que prometestes.

Amén!

Hino da CF 2017

LP José Antonio de Oliveira

Mu Wanderson Luiz Freitas da Siva

ZE. Lourd js 6 Seahor pela máster,
uen ad sg io pio (LS n 1)

Queremos ser os tus paris así

dela bem guardr rio"

| Da Amazdnia até os Pampas,

“do Cerrado aos Manguezals,
Ja chegueati onosso canto
‘pela vida e pela pas.

12 Vendo ariqueza dos biomas qe rate,
| ie disest: do éblotudo & dom!

pra uidara tus obra vos chamante

2 apreservarecalicetogandedom (Gn 1-2)

3. Por toda acostado país expalha vida;
À Stomuitosrostos— de Castinga o Pantanal:
2 neguseindis,camponese: gente linda,
Jando juntos por um mundo mais igual.

+4. Senhor agora nos condures ao desert

‘sent nos com cars 0 emo (cf 082,16),
os mostrar que somos poros divenos,
mas um s6 Deusnos fz polar o coo.

Se contemplaraos esa “mie” com recténcia,
ño com oltars de ganancia ou ambiio,
+ consomiemo, o desperdicio aindiferenga
setozam comprise pots LS 207)

6, Queentvenósregarmanora cogi (ef LS eV},
condea pesso, nature, aida, enfin,
posa cantar ais pret sion
0 Criador que fir da tera seu jardin,

135