Estas palavras de Sáo Paulo dirigidas avs gálatas indicama dimensio da
gragarealizada em Cristo Jesus. Nele se concretiza o que foi anunciado
através da lei e dos profetas. O Verbo de Deus se encarna assumindo
nossa humanidade (Jo 1,14), todavia sem pecar (Hb 4,15). Desta for-
ma inaugura-se o tempo messiänico. Em Jesus podemos comprender
o motivo pelo qual o mundo foi criado. “Tudo foi feito por meio dele,
esem cle nada foi feito de tudo o que existe” (Jo 1,3). Coma encarna-
ño nos é revelado que a bondade da criagäo náo foi perdida, mas que
“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo
o que nele crer nao pereca, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Deus
no deseja condenar o mundo, mas salvá-lo (Jo 3,17). Tudo € dele,
por ele e para ele (Rm 11,36).
240. Desta forma, em Cristo é restabelecida a relagio entre o ho-
meme Deus. A iniciativa é sempre de Deus, porque o homem emsi&in-
capaz de se reconciliar com seu Criador por suas próprias forgas. Aaçäo
de Deus é primeira e decisiva “tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos
reconciliou consigo” (2Cor 5,18). Elesempreamouahumanidademes-
mo enquanto pecadora (Rm 5,10) e morreu para salvä-la (2Cor 5,8).
Jesus, o homem perfeito, relaciona-se de forma próxima com Deus,
chamando-0 de Pai (Jo 11,415; 17,16) e ensina os discípulos a fazerem
o mesmo (Mt 6,9-13; Jo 20,17). A revelaçäo da paternidade de Deus
nâo apenas restaura a relacio antes ferida, mas a eleva à plenitude.
241. A relagáo de Jesus com a criagäo serve de paradigma para o
que ensinará aos seus discípulos. Em suas parábolas faz perceber que a
criagño contém em si explicagöes do agir de Deus (Mc 4,3-9) e de re-
alidades relativas ao Reino Deus. Jesus utiliza de elementos da criagáo
em sua catequese: a graga de Deus é comparada a uma fonte de agua
viva (Ju 4,10-14), a bondade de Dens com a chuva que cai sobre jus
tos e injustos (Mt 5,45), a relagáo do homem com Deus com a vinha
+ seus ramos (Jo 15), a fé com a semente e o coragäo do homem com
o terreno onde a semente 6 langada (Me 4,1-20). Assim, por meio da
contemplagie da criacio o ser humano é convidado compreender que
sua vida está nas maos de Deus e a abandonar-se à providencia divina
que veste os lírios com uma beleza náo acessivel aos reis (Mt 6,28-29).
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242. Jesus é o modelo do homem abandonado à providencia de
Deus. A confianga em Deus pacífica o coraçäo do homem, libertan-
do-o do desejo desenfreado de possuir para garantir seguranga a si
‘mesmo. Somente buscando o Reino de Deus em primoiro lugar o ho-
mem pode libertar-se do insaciável desejo de possuir (Mt 6,33-34).
Assim, as parábolas demonstram que para entender a lógica do Rei-
no de Devs o homem precisa da criagäo que dá visibilidade concreta
as palavras de Jesus. Ele mesmo está acima das contradigóes existen-
tes na criaçäo. Estas nao Ihe säo nocivas. Sua soberania o torna capaz
de pacificar os ventos e o mar (Me 4,39), de caminhar sobre o mar
revolta (Mt 14,25; Jo 6,19), de trazer a vida aquele que já morreu
(Jo 11,1-45). Tudo isso, porque é ele quem aperfeigoa a criagáo fa
zendo nova todas as coisas (Ap 21,5).
243. À criaçäo precisa ser renovada, porque sofreu as consequén-
cias do pecado, a humanidade redimida habitará uma terra também
redimida (Mt 5,5). Mas, por hora, cla náo está pronta e ainda “espera
ser libertada da escravidäo da corrupgäo, em vista da liberdade que &
a gloria dos filhos de Deus” (Rm 8,21). As consequéncias do pecado
seráo redimidas pela salvagäo realizada em Jesus Cristo. A redengäo da
eriacio € apresentada em Ap 21-22 através da imagem de Jerusalém
celeste. O Apocalipse, através de simbologias, apresenta os softimen:
tos e contradigöes dentro da obra criada. Muitos säo os elementos que
apontam o desequilibrio gerado pelo pecado do homem e que despe-
jam suas consequéncias em toda a criaçäa. Sáo apresentados rios polui-
dos (Ap 8,8; 16,4), árvores que sáo queimadas (Ap 8,7) pessoas que
mortem (Ap 8,11), terremotos (Ap 16,18), pessoas acometidas por
doencas (Ap 9,4-5), um cavaleiro que recobe o poder de retirar a paz da
terra para que os homens se matassem (Ap 6,4), outro que mata pela
espada, fome e peste (Ap 6,7). Tudo isso simbolizando o caos no qual
ctiagdo se encontra envolvida. Quando a trama atinge sen clímax pare-
cendo naw haver mais solugio, a intervengáo divina estabelece um fima
este sofrimento e surge entáo um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1).
À meta da história foi alcangada, a criagäo foi reconstruida em Jesus
Cristo que faz nova todas as coisas (Ap 21,5). O éxodo duro e difícil da
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