dos deuses, exceto o que eles adoravam. De modo algum prestariam culto aos deuses romanos, por ordem
do Estado. Jamais colocariam César acima de Cristo. Podemos entender por que, aos olhos dos governos
romanos, o Cristianismo parecia um ensino desleal e perigoso para o Estado e para a sociedade. Assim os
cristãos foram acusados de anarquistas, sacrílegos, ateus e traidores. O governo, então, hostilizava o
Cristianismo porque o considerava uma ameaça ao Estado Supremo.
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E ainda:
Não houve uma perseguição contínua, de Nero a Constantino. O tratamento dado aos cristãos variava de
acordo com as atitudes dos imperadores ou dos governos regionais. Houve muitas épocas de trégua em
certas regiões ou no império todo. Mas durante todo o tempo o Cristianismo esteve fora da lei, e em
qualquer ocasião os cristãos podiam ser presos e acusados diante de um magistrado. A recusa de
participação no culto oficial significava tortura e, para os obstinados, a morte. Nenhum cristão, nestes
séculos, pôde viver sem sofrer perseguição, de um modo ou de outro.
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2. Por parte do povo
Até ao 3º século, quando os cristãos se tornaram mais bem conhecidos, o Cristianismo era odiado pelo
povo. O repúdio dos cristãos ao culto do Estado, símbolo de patriotismo, tornava-os traidores aos olhos do
povo.
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Fim das perseguições
Todavia, esta perseguição não durou por muitos séculos, a Igreja teria o alívio destas dores o mais rápido
possível. E no 4º século ela se viu livre destes males sociais. Primeiramente veio a liberdade de ser cristão sem sofrer
pelas mãos do império, o qual deu licença para aos cristãos viverem a fé que professavam. O imperador responsável por
isto foi Constantino. Alguns intérpretes da história diz que Constantino se converteu. Já outros dizem que apoiar os
cristãos era uma questão de procurar apoio deles, já que não podia vencê-los, deveria juntar-se a eles. Qual destas duas
ocasiões será a mais condizente com os fatos? Vejamos uma explicação melhor deste acontecimento:
Muito já foi escrito e discutido sobre a conversão de Constantino. Pouco depois de ela ter acontecido
houve escritores cristãos, como veremos no próximo capítulo, que quiseram mostrar que esta conversão
era o ponto culminante de toda a história da igreja. Outros têm dito que Constantino não passava de um
político hábil que percebeu que vantagens poderia obter com uma “conversão”, e que por isto decidiu
atrelar seu carro à causa do cristianismo. As duas interpretações são exageradas... O mais certo parece ser
que Constantino cria mesmo no poder de Jesus Cristo. Mas esta afirmação não implica em que o
imperador entendesse sua nova fé como os muitos cristãos que tinham entregue sua vida por ela a
entendiam. Para Constantino o Deus dos cristãos era um ser extremamente poderoso, que estava disposto a
ajudá-lo sempre e quando ele favorecesse os seus fiéis. Quando Constantino, portanto, começou a
construir igrejas e a proclamar leis favoráveis ao cristianismo, ele não estava tanto buscando o favor dos
cristãos, mas o do seu Deus... Constantino interpretava a fé em Jesus Cristo de uma maneira que não o
impedia de adorar a outros deuses. Seu pai já tinha sido devoto do Sol Invicto. Este era um culto ao Deus
Supremo, cujo símbolo era o sol, mesmo não negando a existência de outros deuses. Parece que
Constantino, durante boa parte da sua carreira política, pensou que o Sol Invicto e o Deus dos cristãos
eram o mesmo ser, e que os outros deuses também eram reais e relativamente poderosos, apesar de serem
divindades subalternas.
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E ainda:
[...] nunca demonstrou em sua conduta qualquer influência da moral cristã... não recebeu batismo até
pouco tempo antes de morrer.
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Bom, independente de sua falsa conversão, o fato é que a liberdade de religião dos cristãos veio a existir neste
período. E eles puderam finalmente respirar aliviado depois de séculos de sofrimento e ameaças constantes:
Em 331, apareceu um Édito de Tolerância, publicado por Galério, imperador no oriente, no qual se
reconhecia a insânia da perseguição aos cristãos. Dois anos mais tarde, o Édito de Milão, de Constantino e
3
NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1992, p 36, 37.
4
Ibid., p 37, 38.
5
Ibid., p 37.
6
GONZALEZ, Justo L. E até aos confins da terra: Uma história ilustrada do cristianismo. A Era dos Gigantes. Volume 2. São
Paulo, Vida Nova, 1980, p 29, 30-33.
7
NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1992, p 48, 49.