PERSONAGENS → O conto apresenta como personagens principais e secundários o pai, o filho, a
mãe e a irmã, entre outros; o enredo gira em torno da decisão do pai de viver no meio do rio; o narrador
é testemunha; o tempo, predominante, é cronológico, mas apresenta o tempo psicológico; e o espaço
é físico, porém, apresenta trechos com espaço psicológico. Conclui-se que o texto aborda a linha tênue
entre a lucidez e a loucura.
Os personagens são: filho (narrador-personagem), pai, mãe, irmã, irmão, tio (irmão da mãe), mestre,
Padre, dois soldados e jornalistas. Esses personagens, sem nomes, acabam se caracterizando como
tipos sociais, por suas funções na história. A observação desse aspecto já mostra, no pai, a tendência
ao isolamento. Sempre fora a mãe a responsável pelo comando prático da família. O pai, sempre
quieto. O filho e narrador não foi aceito na infância para companheiro do pai no seu desafio. Na
maturidade, quando tem a oportunidade, acha não estar preparado para ir rumo ao desconhecido, ao
"inominável".
Espaço → O espaço é delimitado pela presença concreta do rio, caracterizando a paisagem rural de
sempre (físico), entretanto, há o espaço psicológico. Desse espaço, como foi comentado
anteriormente, emanam magia e transcendentalismo aos olhos do leitor, no ir e vir do rio e da vida.
ESTRUTURA
Introdução: O narrador apresenta as características do pai (homem cumpridor, ordeiro, quieto e
positivo) e coloca que a mãe era quem regia a casa e os filhos.
Complicação: O pai manda construir uma canoa, pequena, porém forte, isso preocupa sua esposa que
fica sem entender nada. Ele se despede da família e entra na canoa sem dar nenhuma explicação, isso
preocupa a todos, inclusive quem não é da família e surge algumas hipóteses para a sua partida, como
loucura, pagamento de promessa e até existe uma intertextualidade com a passagem bíblica da Arca
de Noé; o filho passou a deixar alimentos para o pai, que facilitado pela mãe.
Clímax: O momento de maior tensão é quando o filho pede para ficar no lugar do pai na canoa.
Desfecho: O desfecho ocorre quando o filho, ao perceber que o pai aceitou a oferta, foge por medo
do desconhecido. Após isso, nunca mais teve notícias do pai. O narrador adoeceu e se arrependeu por
ter deixado o pai.
"Só executava a invenção de permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da
canoa, para dela não saltar, nunca mais."
Trecho da obra:
Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo
que testemunharam as diversas pessoas sensatas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo
me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só
quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e
eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.